Metadados
Institucionalidade
Acervo Pessoal/Familiar
Instituições/Pessoas
Dolores Tomé
Região
Cidade/Estado
Descrição Geral
O acervo contém partituras do compositor e multi-instrumentista João Tomé em formato Braille e alguns instrumentos musicais que pertenceram a ele.
Em relação às partituras, é um acervo numeroso e diversificado em relação a estilos musicais.
No total, são 270 músicas distribuídas em 9 livros de partituras em Braille. Em um recorte restrito ao universo do Choro, o acervo contém: 25 choros, 5 choros-canção, 34 valsas e 2 sambas-choro. Em relação aos instrumentos, a coleção possui um violão de 6 cordas e uma flauta de bambu construída por João Tomé quando criança.
Histórico
João Tomé nasceu em 3 de março de 1920, em Uberaba/MG. Devido a uma grave lesão visual congênita, ficou completamente cego aos 5 anos de idade. No entanto, as barreiras físicas que se apresentaram não impediram seu desenvolvimento intelectual e social. Seu primeiro instrumento musical foi uma viola presenteada pelo pai. Logo depois, o pequeno João Tomé conseguiu comprar um cavaquinho com recursos arrecadados pela venda de mangas do quintal de sua casa. Aos 12 anos, conseguiu construir junto com seu irmão uma flauta de bambu, que seria seu novo instrumento. Aos 16 anos compôs sua primeira música, a valsa “Amor de Mãe”. Desenvolveu fluência em diversos instrumentos e até 1960 atuou como professor de música e instrumentista, tendo acompanhado, em Uberaba, artistas como Francisco Alves e Emilinha Borba.
Em fevereiro de 1960 foi contratado para tocar na estreia de uma boate em Brasília, juntamente com mais 2 músicos de sua cidade natal, ex-alunos seus do Instituto de Cegos de Uberaba. O trio agradou o público e os produtores e aquilo que seria uma apresentação casual terminou por fincar raízes na nova capital. Em agosto assinou contrato com a Rádio Nacional e a TV Nacional de Brasília. Além disso, durante 14 anos o conjunto de João Tomé tocou na boate do Brasília Palace Hotel. Em 1967 foi efetivado como professor da Fundação Educacional do Distrito Federal, onde desenvolveu seu próprio método de ensino.
O multi-instrumentista João Tomé dedicou boa parte do tempo também à composição, em um amplo espectro de estilos – desde choros, valsas, boleros, toadas, baiões, rumbas, mambos, marchas até melodias de cunho espiritualista. Parte de seu repertório foi gravado por sua filha Dolores Tomé em 2 CDs: “Piquenique” (2005) e “Todos Sabem” (2009). João Tomé faleceu em 1971, aos 51 anos de idade. Dentre muitas heranças, deixou uma grande contribuição na consolidação do Choro na capital federal e na implementação de ações práticas de inclusão de deficientes visuais na educação musical.
Estado da Coleção/Acessibilidade
A coleção impressa em braille e os arquivos para impressão encontram-se em bom estado. Atualmente a coleção está sendo convertida em programas digitais de edição de partituras. Muitas dessas músicas estão disponíveis para acesso livre, com arquivos para impressão em Braille, em partitura tradicional e áudios em mp3, nos seguintes sítios http://intervox.nce.ufrj.br/musibraille/biblioteca/joaotome.htm http://www.musibraille.com.br/
Informações Complementares
Dolores Tomé (flautista e filha de João Tomé) realiza importante trabalho na confecção de partituras e divulgação da musicografia em Braille.
Depoimentos dão conta de que João Tomé tinha um grande apreço por suas composições, tendo recusado a oferta de um carro Vemaguet por sua bossa-nova “Não tem graça”.
Contato - Email
dolorestome@gmail.com
Referências
TOMÉ, Alcione. Depoimento à equipe de pesquisa realizado em 15 de março de 2021.
TOMÉ, Alcione & TOMÉ, Vera & VIANA, Talita. A velha guarda do Choro no Planalto Central. In: RIOS, Sebastião; LION, Ana (Org.), 2012.
TOMÉ, Vera (dissertação/UnB). João Tomé: uma trajetória musical de Uberaba até a capital federal - https://repositorio.unb.br/handle/10482/6925