Histórico/contexto
No mês de agosto de 2023, estudantes matriculados no Curso de Licenciatura em Artes Visuais da UFPel organizaram o evento 'Agosto Negro - Arte, Educação e Informação', como parte do conteúdo da disciplina 'Arte e Cultura Afro-brasileira'. Sob a supervisão da professora Rosemar Lemos, o evento englobou uma programação completa de palestras e apresentações que abordaram temas relevantes, ressaltando a importância da cultura afro-brasileira e sua interligação com o universo tecnológico. No dia 15 desse mês teve a palestra com o nome “A Resistência Negra e as Organizações Associativas”. Os convidados para o dia contribuíram para o tema com pautas importantíssimas, como o racismo estrutural, o machismo e pensamentos colonialistas, como influenciam na cultura brasileira e como amenizar tais comportamentos populares. O museólogo Matheus Cruz e a publicitária Fernanda Fersula . Entre vitrines, documentos e histórias silenciadas, Matheus Cruz construiu uma trajetória dedicada à preservação da memória e à valorização do patrimônio cultural. Doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestre em Memória Social e Patrimônio Cultural e graduado em Museologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Matheus não apenas estuda o passado — ele o torna acessível, vivo e relevante. Desde 2012, atua como museólogo no Museu do Doce da UFPel, onde transforma o cotidiano em narrativa e o açúcar em símbolo de identidade. Seu trabalho vai além das paredes do museu: como coordenador de Arte, Cultura e Patrimônio da universidade e representante dos museólogos na Rede de Museus da UFPel, Matheus articula ações que conectam extensão universitária, cultura digital e patrimônio imaterial. Sua pesquisa e atuação exploram as relações entre museus, memória e sociedade, com especial interesse por temas como identidade, museus universitários e práticas de resistência cultural. Seu currículo é marcado por projetos que cruzam fronteiras entre academia e comunidade, entre técnica e afeto. Dr. Matheus Cruz é, acima de tudo, um mediador entre tempos — alguém que escuta o passado para iluminar o presente e inspirar o futuro. Já Fernanda Férsula, em meio aos batuques do carnaval e às reuniões de branding, construiu uma trajetória que une arte, comunicação e resistência. Técnica em design e publicitária por formação, ela não se contentou com os limites da publicidade tradicional. Com uma pós-graduação em marketing e inovações na comunicação, Fernanda mergulhou fundo na criação de estratégias que não apenas vendem, mas também contam histórias — especialmente aquelas que celebram a cultura negra e popular. No estúdio Sigales, ela atua como estrategista de marcas, onde sua sensibilidade estética e visão crítica se encontram para dar vida a projetos que dialogam com o mundo real. Mas é no carnaval que Fernanda revela outra faceta: a de carnavalesca e rainha de bateria. Com brilho nos olhos e firmeza nos passos, ela transforma a avenida em palco de memória, identidade e afeto. Mãe do Murilo, Fernanda equilibra maternidade com uma carreira intensa e engajada. Participa de podcasts, eventos acadêmicos e rodas de conversa, como o Papofolk da UFPel, onde compartilha reflexões sobre comunidade, cultura e resistência em tempos de crise. Fernanda Fersula é, acima de tudo, uma ponte — entre o tambor e o discurso, entre o afeto e a estratégia, entre o passado que pulsa e o futuro que ela ajuda a desenhar.