Legenda
Uma verdadeira joia do patrimônio visual e cultural pelotense! Entre est relas, águas e utensílios cotidianos, esta escultura apresenta uma mulher negra monumental que parece sustentar, simultaneamente, memória, ancestralidade e afeto. Instalada no Museu do Doce, a obra dialoga com os saberes tradicionais ligados à culinária, ao trabalho feminino e às contribuições afro-brasileiras para a formação cultural do sul do Brasil.
A colher erguida em sua mão ultrapassa a função doméstica: transforma-se em símbolo de criação, resistência e transmissão de conhecimento entre gerações. Os doces, os modos de preparo e os rituais cotidianos associados à cozinha tornam-se aqui patrimônio cultural, revelando histórias muitas vezes silenciadas nos registros oficiais.
As estrelas espalhadas pelo vestido remetem à imaginação, à espiritualidade e à esperança, enquanto a base em tons de azul sugere movimento, travessia e permanência. A figura feminina ocupa o espaço expositivo de maneira imponente, convidando o público a refletir sobre o protagonismo das mulheres negras na construção das identidades culturais brasileiras.
Ao integrar elementos da cultura popular, da memória afetiva e da estética afro-brasileira, a obra aproxima arte, patrimônio e pertencimento. No contexto do Museu do Doce, ela amplia o entendimento sobre o doce não apenas como alimento, mas como expressão de encontros culturais, relações de cuidado e heranças compartilhadas.
Mais do que representar uma personagem, esta escultura celebra narrativas coletivas: aquelas que permanecem vivas nas receitas, nos gestos, nas oralidades e nos saberes transmitidos de geração em geração."