Legenda
Natural de Pelotas, filha de Francisco e Miriam Helen sou a 6ª filha de 7 irmãos. Sou mulher, negra, esposa, mãe e pesquisadora. Sou Bacharel em Museologia pela UFPEL, Mestra em Antropologia Social e Cultura pela UFPEL e doutoranda em Antropologia. Em primeiro lugar quero agradecer aos familiares, esposo, filhos, amigos(as) irmãos(as) que me ajudaram a receber o tão sonhado diploma, a tia que me pegou pela mão e me levou na chamada, as tias avós, tios(as), primas e aos professores(as), gratidão, nunca desisti porque tive pessoas que acreditaram em mim.
Ao iniciar minha vida acadêmica como estudante de Museologia, me deparei com uma outra realidade de um novo mundo, de aprendizagens, de conhecimentos e possibilidades. Mesmo não tendo discussões em casa sobre questões étnico-raciais, o foco no TTC e o que pesquiso é sobre esse assunto. Eu, como pelotense, nunca tinha entrado em museus, casarões e quem me dera em charqueadas. O curso de Museologia e a universidade pública me possibilitaram o acesso, que para mim antes era inviável, fora da minha realidade. Como estudante ao visitar esses lugares comecei a questionar a história contada sobre uma determina etnia, a minha, a negra. Meus olhos se descortinaram, comecei a me perguntar que cidade é essa “Pelotas”, que através do suor, lágrimas e sangue enriqueceu e que os Museus, os Casarões, as Charqueadas enaltecem só o “branco”. Cadê os créditos desses homens, mulheres e crianças negras, porque não estão representados de forma digna para que seus descendentes se sintam representados também, cadê? Porque? Esse foi o tema do meu TCC. Nesta ânsia de querer saber mais sobre a história dos meus antepassados, no mestrado em Antropologia tive a oportunidade de falar sobre o Clube Cultural Fica Ahi Pra Ir Dizendo, símbolo de resistência negra pelotense. Continuo estudando, lendo e pesquisando tentando dar voz aqueles que não puderam falar nem escrever.
“SER MULHER NEGRA é se reinventar, se renovar todos os dias como uma fênix para alcançar e realizar os sonhos mais profundos que ela traz consigo na alma.”
Créditos texto e foto/reprodução: Patrícia Mathias Morales