Religiosos na Praia do Cassino, município de Rio Grande-RS, na Festa de Iemanjá realizada anulamente no dia 2 de fevereiro, saudando a mãe de todos os orixás.
Todo 2 de fevereiro, o município de Rio Grande, no extremo sul do Brasil, se transforma em um grande terreiro à beira-mar. É quando milhares de devotos, turistas e curiosos se reúnem no Balneário Cassino para celebrar Iemanjá, a divindade das águas salgadas, mãe de todos os orixás e guardiã dos mares. Em 2025, a festa chegou à sua 50ª edição — o Jubileu de Ouro — com uma programação especial que se estendeu de 27 de janeiro até o grande dia. Artesanato, música, dança e cerimônias religiosas marcaram o evento, que é considerado o maior do litoral sul dedicado às religiões de matriz africana. A celebração é carregada de sincretismo: ao lado das homenagens a Iemanjá, também ocorre a tradicional Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, com procissão marítima pela Lagoa dos Patos, conectando Rio Grande a São José do Norte. Essa travessia pelas águas simboliza a união entre fé católica e afro-brasileira, revelando a riqueza espiritual da região. No Cassino, os rituais começam ao amanhecer. Vestidos de branco, os fiéis levam flores, perfumes e oferendas ao mar, acompanhados por cânticos, tambores e rezas. As águas recebem os pedidos, agradecimentos e esperanças de quem acredita na força da Mãe d’Água. Mais do que uma festa, o 2 de fevereiro em Rio Grande é um ato de resistência cultural, um encontro entre passado e presente, entre espiritualidade e identidade. É quando o mar fala — e todos escutam.