• Entrevista com o Brasil Eugênio da Rocha

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Entrevista com Brasil Eugênio da Rocha Brito

B – Eu me formei engenheiro civil em dezembro de 1953 pela Escola Politécnica de São Paulo. Naquele tempo eu morava em São Paulo. Por 23 anos, morei no mesmo bairro. Cheguei lá aos 10 anos e saí aos 33. Mas quando me formei engenheiro, eu, tendo sido aluno de minha mãe, minha mãe, professora de piano, me deu aulas. Mas… eu não tinha… eu gostava muito de música, mas eu era apressado no sentido de querer… eu não tava querendo ter aulas, que eu achava, assim, tediosas. Eu achava aquilo chato. Eu queria era as músicas do Almirante, do Orlando Silva e coisa, pá pá pá pá pá…

R – Da rádio, né?

B – Da rádio. E dos filmes que eu, embora colunista do interior de São Paulo, fui com dois anos e meio de morar no Rio. Morei até os cinco anos e meio no Rio, na Ladeira Santa Tereza. Pra quem conhece o Rio, a Ladeira Santa Tereza, no morro, é uma ladeira que desce pelo centro. Então , o Cinema Rex era o cinema. Vamos dizer, o que passava, tudo de principal na época, ali na Álvaro Alvin. Não existia o Hotel Senador que hoje existe ali. Ao lado de onde hoje tá o Hotel Senador havia o Cine Rex. E eu assistia filmes, esses filmes da Broadway, de 33…de 34. Rua 42. Morreu com Eddie Trenton. Esses filmes americanos… No tempo, vamos dizer, 95% era preto e branco. Raramente aparecia um filme colorido em Technicolor. E esses filmes musicais, né? Minha mãe me levava ao cinema. Eu, três ou cinco anos tava assistindo, ??? entusiasmado. E outra coisa: antes dos filmes, de uma hora e 40, passavam as atualidades brasileiras, notícias sobre o Brasil e filmes, assim como as americanas. Ou então, passavam uns filmes curtos, de 10, 15 minutos, da Castle Films, americana, que eram assim: Art Tatum, entendeu? Daniel Rhodes tocando na orquestra, solando à frente dela. Então, eu habituei-me a ver e ouvir essas coisas desde garoto. E achava aquilo, pra mim, pesado, copiando e tocando aqueles versos chatos , né? Coisa de que precisava para ter condições de tocar, pelo menos, razoavelmente o piano. Bom, deixando isso, quer dizer, eu sempre me interessei por música popular e fui seguindo assim. E, aos 13 anos, já não estudando mais com minha mãe, fui adquirindo certa habilidade técnica para tocar piano e comecei a tocar de ouvido, como se dizia na época. Eu tirei, e facilmente, uma música que ouvia em filmes ou no rádio e tirei no piano. E o seguinte: você, que é formado, na parte… Você é formado em quê?

R – Sou saxofonista.

B – Ah é?

R – Sim.

B – Você que… é o seguinte: as tonalidades de Dó, Sol e Fá são, vamos dizer, muito favoráveis pra pessoa iniciante, porque as notas brancas são as notas diatônicas, que compõem o principal da tonalidade. O Sol tem só um sustenido e o Fá tem só um bemol. Então, eram as tradições em que eu jogava as coisas que eu  pra tocar e tirava. Então, me lembro que a primeira música que eu tirei foi “Run and Coca-Cola”, dos Andrews Sisters. Meu tio tinha me dado um disco dos Andrews Sisters? Coca-Cola, eu tirei no piano. Pra mim, a música foi uma vitória, né? Então, eu passei, com o tempo, a ser tido, assim, até pelos amigos, como um pianista de coquetéis!

R – (risos…)

B – Tocava aquelas coisas da época, tal e tal, fosse música brasileira, fosse “Adiós Pampa Mia”, um tango; na época, no fim dos anos 40, essas músicas estavam no auge. Então fui, fui por a…. E em 47, 48 eu vim a conhecer uma pessoa que já faleceu, agora, que era quatro anos mais velha do que eu, que morava no mesmo bairro e que era muito, mas muito, interessada em música popular, mas muito mais em música erudita. Era Willys de Castro, que à época não tinha nome definido. Ele veio a fazer nome muito depois como pintor, Willys de Castro. Eu tenho até livros dele, né? Coleção de  brasileiros tem ele, WdC. E o Willys é uma pessoa assim, fora de série. Ele tinha quatro anos a mais do que eu e era interessadíssimo. Tinha uma coleção de discos. Na época, os discos eram todos de 78 rotações. Então, já tinha sinfonias, concertos, óperas, tudo em discos — vamos dizer — três ou quatro discos de 12 polegadas, de bolacha preta.

R – Temos algumas coleções lá, na discoteca.

B – 78 RPM. Então, ele levava para casa; ia à minha casa. Na casa dele, além de não ter um equipamento assim tão confiável, ele era um dos cinco irmãos; era o mais velho. Então, na casa dele não tinha como chegar e ficar num lugar tocando música sem ser incomodado.

R – Tocar os discos?

B – Os discos. Então, ele levava lá em casa, né? Ele tocava um pouquinho de piano, o Willys. E ele me introduziu. Tinha gente que eu conhecia, compositores que eu conhecia. Esses compositores, como Tchaikovsky, já estavam mais do que em filmes e coisas, até em “Faafins”, do Walt Disney. E as próprias orquestras americanas, como a de Freddy Martin, e o Frank Sinatra gravaram transcrições da música popular. O Louis Armstrong. Isso eu conhecia e o Bolero de Ravel eu conhecia. Agora, eu não conhecia, essencialmente, nem a música erudita nem a popular. E ele foi de grande valor para mim, o amigo Willys de Castro, porque me despertou o interesse pela música erudita. Eu me lembro da primeira vez que ele me fez ouvir coisas que soaram pra mim, assim, um negócio cacofônico. Será que eu vou aceitar isso um dia? Hoje são músicas que eu adoro.

R – Já tinha começado a coleção, ou não?

B – Não, não, não tinha… Bom, eu ainda tenho o que tenho. Eu tenho uns 300; é meu, é 78.

R – 78?

B – É, esses aí, desses discos, têm alguns que nunca foram passados para o LP.

R – Pro LP? Por CD ou…

B – Nem pro LP…

R – Mas eram de música erudita, ou não?

B – Nunca passaram nem para LP. Hoje já se encontram, desses discos, alguns apenas no YouTube. Por que é o seguinte: tem orquestras como a de Vaughn Monroe, que era famosa na época, mas a música dela é muito comercial e, até certo ponto, agradava — só isso. Agora, ele tem uma gravação do Vaughn Monroe, “The Very  For a View” , do Renoval, que ele gravou, e é uma orquestração primeiríssima, um negócio assim, antológico. Então, isso tá guardado. Então, uma orquestra que muito me interessava veio; isso foi antes de conhecer o amigo lá, o Willys: a orquestra do Hal McIntyre. HM era — não sei se você sabe — o saxofonista de alto saxofone da orquestra do Glenn Miller. E era um dos favoritos, como pessoa. O GM era um sujeito assim, muito, pelo que eu li, muito dele; tem os livros aí; ele era um sujeito muito de igrejinha, né? Ele fazia sua turminha, e tinha os que ele gosta e os que ele detestava, até tolerava na orquestra por que o cara era bom, mas ele não gostava do cara. E o HM era um dos prediletos dele. E ele gostou tanto que se livrou do cara! Se deu o seguinte: ele falou assim: “Olha, você é um músico tão bom, toma dinheiro aqui e monta sua orquestra. Deu arranjos de coisas que ele achava que não se coadunavam com a orquestra dele, do GM; deu os arranjos feitos para HM . E o HM, então, foi uma orquestra que deveria ser muito mais, vamos dizer, apreciada do que foi, acho. Opinião pessoal minha. E não é só minha, porque já encontrei pessoas que gostam de música e também compartilham da mesma opinião que eu. E o HM apareceu, isso lá por 44, 45, apareceu, 43, acho que foi, apareceu um contrabaixista, que era o… esse contrabaixista, é o seguinte… o primeiro grande contrabaixista que surgiu no Jazz no tempo do Swing foi Jimmy Blanton, um crioulo, que começou a carreira com 19 e com 23, morreu. JB, em seus quatro anos, tocou na orquestra de Duke Ellington, e o DE gravou um disco, inclusive, só com piano e JB. Não saiu bom por causa das condições técnicas. E o DE, anos 50, por aí, gravou com Oscar Pittford, outro baixista na linha do JB, e gravou de novo o disco em homenagem a JB, chamado “For Jimmy Blanton”. Ele gravou isso e a orquestra do DE montou muitas vezes… porque a carreira do JB foi muito curta. Inclusive, embora ele tivesse tocado de 19 a 23, teve problemas no meio do período; não pôde estar sempre presente e revolucionou o baixo. Porque o baixo era um instrumento de simples acompanhamento. Era o lugar da tuba, a tuba de New Orleans virou coisa…

R –  Como é que o senhor começou a colecionar discos de jazz? Quer dizer, você via alguma big band, chegou a fazer alguma excursão no Brasil, teve algum contato ao vivo ou só pela rádio e pelos discos?

B – Não, era só pela rádio, muito pela rádio, ouvindo as coisas, tais e quais. Pá! Naquele tempo era diferente de hoje. Antigamente…

R – Tinha em ondas curtas? Ou não?

B – Não, não… Você tinha programas de jazz no Jazz Paulo. Tinha programas bons!

R –  Ah, já tocando discos, né? Ao vivo?

B – Discos tocavam. Tinha, inclusive, bons programas. Gente que conhecia, por exemplo, fazia uma análise muito… pequenês , que o DE, e coisa… Eu ouvia isso… Bom, então o HM tem coisas fabulosas, como as gravações dele, que foram comercializadas em um nível aediano. E ele fez uma gravação de uma música, de duas músicas, em que ultrapassou as pessoas; os músicos surgiram tocando essas músicas, as orquestras. Então, uma foi “Sentimental Journey”. SJ foi uma música famosa na época e que foi tema num filme, que tava lá. SJ era sobre, vamos dizer, o tema da música — o que a música apresentava — e também sobre o do filme. E a SJ foi gravada com Les Brown, com a Doris Day cantando. A DD era uma desconhecida na época, e apareceu a gravação dele, do HM, que era 200 vezes superior, viu? Impressionante…

R – E o Koellreutter e o Luis Carlos Vinholes, como que eles apareceram nessa história da…

B – Quer que eu acelere mais, é?

R – Não, é só a gente chegar….

B – Então, como eu tava dizendo, o HM fez uma gravação, a segunda, de renome assim dele, foi “I’m Making Believe”, a música, muito bonita, que foi tema, que foi uma música principal de um dos filmes da Betty Grable, e foi gravado por vários outros, mas ninguém fez um arranjo, sequer chegaram perto do que fez o… Ele fez um… Não foi ele que fez o arranjo; foi o arranjador da casa dele. Fez um arranjo, assim, meio ellingtoniano, em que a tonalidade é fugitiva, sabe? Aquele negócio ondula, tal e tal, pá pá pá, até definir a música, a melodia, e é fabulosa essa gravação. Então, são essas coisas, por exemplo, de 78 rotações que eu tenho.

R – Ah, isso é o que tá no 78?

B – Ah, isso eu não abro mão disso… Bom, eu tava falando lá do amigo, do Willys de Castro. O OC me interessou pela música erudita. O caso desse interesse enorme que eu tenho em música erudita, e eu pensava assim,  voltar a estudar, eu quero estudar, não pra ser, eu tinha consciência que eu não seria um instrumentista, um pianista , não é isso, mas eu queria conhecer mais da música em si, me aprofundar mais na música, ainda mais por dinheiro, assim, conhecer a estrutura da música, achava interessantíssimo isso. E eu lia, nas colunas dos jornais, um dos críticos que eu apreciava era o professor Koellreutter, que ele escrevia no Diário de São Paulo, crônicas, sobre conhecimento  sobre música, concertos, recitais, essa coisa toda…  Mas então, em 52, eu tava no quarto ano da faculdade. Tentei estudar música de novo, buscando o professor da época do meu amigo, do WC, o professor Ernst Kirst, o húngaro, radicado desde moço em São Paulo, professor de vários músicos…

R – Isso já está em São Paulo?

B – Em 52, eu tentei, mas não deu. Não deu pra fazer engenharia junto com a… Não teve jeito. Aí eu sentei lá com o professor, digo: “Olha, tá aqui, tal e coisa, pá (batida de palma)! Outra coisa, eu não concordava com as ideias dele. Ele era muito conservador, e eu já via a música assim pelo lado de, porque eu tinha… tô pulando até uma coisa, que é o seguinte, eu, antes de começar a me interessar por música erudita, eu tive essa experiência assim, da renovação na música popular. Nos Estados Unidos houve o Woody Hermann e o Stan Kenton, o SK, pra mim, ainda hoje, tanto é que estou dando pra você, eu tenho a gravação dele, Em São Paulo, eu tenho um amigo, o Armando , programador, que tem a discoteca completa dele, da época, dos anos 30, dos anos 80, do que foi gravado até fora do Brasil, nos Estados Unidos, na Europa, do Stan Kenton. E eu gravei na casa dele, tudo isso,  pra você.

R –  Ah, legal!

B –  E  em fita cromo, fita K7 cromo. Bom, então, quando eu me formar engenheiro , vou voltar a estudar música. Fui na escola de música, na época, o pessoal da escola de música tava na… agora em Teresópolis, lá tinha seminário de música em Teresópolis, nas férias, então tava todo mundo lá, só tinha a secretária…

R – O senhor nasceu no Rio? O senhor nasceu em São Paulo?

B – Eu nasci no interior de São Paulo. Saí da minha cidade, onde nasci, há três meses. 

R – Foi…

B – Em Jaboticabal, de onde eu nasci?

R – É.

B – Saí com três meses. Bom, em Limeira, com dois anos, eu saí de Limeira pro Rio. Fiquei até os cinco anos e meio e voltei pelo Vale do Paraíba, em Caçapava. Eu e meus pais, sou filho único. Moramos em São Paulo, ali em Caçapava até, mais ou menos, 1937 lá, no final, quando fomos pra São Paulo. E ainda voltei, em 37, 38, eu tive problema de… eu tive coqueluche forte. Meus tios que, eu tenho uns tios muito chegados que, casal sem filhos que gostavam de me raptar. Me levaram de volta pra Caçapava dizendo: “Olha, o garoto não tá passando bem aqui. Então eu passei o ano de 38 em Caçapava. Bom, voltei pra São Paulo. E, voltando lá, a coisa, em 54, no começo do ano, procuraram, até que lá por março, abril, aqui, e que estavam disponíveis os cursos lá, então eu fui procurar o Koellreutter. Fui lá e falei com a secretária, a Flor de Lis, e expliquei minha situação. “Oh, é o seguinte: pra ser aluno dele, você vai me desculpar, mas não é assim, não. (risos) Ele vai querer ter uma conversa com você e ver as suas possibilidades, seu interesse, o nível de conhecimento que você tem” (breve interrupção pela chegada da esposa)… Então, é o seguinte, eu comecei a ser aluno do K, é, esse contato com o K tá bem explicitado até no negócio que o Vinholes tem, e que ele usou até na, uma parte disso ele usou, na Usina de Letras ele colocou um negócio que eu fiz, eu era o que tinha mais cartas do K de todas as pessoas ligadas ao K, ninguém tinha o número de cartas que eu tinha. Umas cinquenta e tantas… Então eu fiz a entrega. O ano que fez agora, 2015, que fez (palma) o centenário dele,  eu fiz a entrega de tudo aquilo. Copiei tudo o que tá aqui . E fiz um negócio enorme, um relatório que eu chamo de filling, de preenchimento. Porque é o seguinte, você pega uma carta, quando voltar a carta dele seis meses depois, você vê só a carta do K pra mim, quando será que, quando assim, um assunto  desconectado com a coisa, Você não tem o contexto da situação, você, saber o que aquilo quer dizer, não vale nada, não ficou explicado o que é, fica perdido na informação. Então eu fiz esse preenchimento, esse filling, essa coisa apontando cada coisa, e no meio disso eu contei como é o K, como é que foi a primeira vez que conversamos, isso eu posso dizer mais concisamente, se possível, que eu era falei que era engenheiro  na entrevista com ele, falei dos meus gostos, falei que em 52 tinha tentado fazer engenharia junto com o curso , falei tudo abertamente com o Kirst, achei que o Kirst valorizava a música, eu achava dispensável  E ele foi levando a conversa, até que em um ponto ele falou assim: “Pois é, você conhece o fulano, o arquiteto?”. Tô esquecendo o nome; tava lembrando da figura dele e agora tô esquecendo o nome. Foi assim, ele foi secretário estadual aqui de cultura, tal e coisa, e depois vai: “Ele foi meu aluno, tal e coisa, pá, um homem muito inteligente, tal e coisa, foi meu aluno tal e coisa pá pá pá assim, quer dizer, não é a primeira vez que vou ter um aluno (risos) já antecipou, um aluno que é engenheiro e tal….” E aí já deu essa dica de que…

R- De que ia aceitar…

B – E eu comecei a frequentar a escola que era o seguinte, as aulas com K era uma aula duas vezes por semana, à noite, aulas particulares com ele. E, aos sábados, das duas as seis tinha aulas, coletivas. Das duas às três, tinha aulas de análise. A princípio, ele me mandou frequentar aula, embora soubesse que eu não iria aproveitar muito porque era aula de nível já pros caras adiantados. Das três, a quarta tinha aula de coral. Depois, das quatro às cinco, tinha aula de análise, mas aí, sim, análise pra turma de iniciantes ; aí eu aproveitava mais… mas com tempo …

R –  Partitura ou gravação?

B – Por exemplo, coral sim. Como eu já lia piano, né, foi fácil ampliar a leitura. O piano eu lia, eu estudei, método Chibon, Zan , então, tava acostumado a ler música, né? Então… e as cinco as seis, a última das quatro aulas, era aula de estética, era ele mesmo que dava a aula. E no meio dessa turma então tinha várias pessoas, e um tal de Luis Carlos Vinholes que era, eu tava classificado, minha voz é mais de barítono, mas como não existe isso, as quatro vozes eram duas mulheres, soprano e contralto, e homens, tenores e baixo. Então eu fiquei na turma de baixo. Minha voz é mais pra barítono do que pra tenor. Junto com Klausver , o Klaus Itenhoff , que era líder do naipe de baixos. E o líder dos tenores era o Vinholes. E começamos a amizade, eu me lembro até a primeira vez que o Vinholes falou comigo, que ele falou, ele me cumprimentou, antes da aula, disse assim “Oi…  olha, não vai estranhar o seguinte, eu cumprimentei sem nunca termos nos conhecido, é o seguinte, eu vi, a noite, eu sou, você deve saber, eu sou assistente do professor K, eu abri a porta e vi você tendo aula. E aquilo ficou na cabeça como você sendo uma pessoa que eu conhecia, embora eu não tivesse, sei lá, não precisa ser um negócio, assim, na base da coisa inglesa, né?”. A piada que saiu na seleção à época. Um navio afundou com uma porção de gente, então os caras começaram a fazer isso… e os ingleses ficavam sentados numa torre de urvore. E chegaram pra eles e falaram: O que foi? Disseram: Não, nós não podemos falar com ninguém porque não fomos apresentados! (risos)

R – Formel, né?

B – Eu falei pra ele, não é essa história aí, nós temos condição de, né?… E ele me confessou, depois de uns tempos, não logo, que ele, pra uma grande parte lá da escola, ele era bem-quisto. Porque havia e sempre existem umas panelinhas, né? Mas a mesma panelinha que não gostava dele passou a… comigo foi pior ainda, essa panelinha ficou mais irritada comigo porque, sabendo, foi divulgado lá, a própria secretária comentou que o engenheiro, então acharam que era uma , que era um negócio que vem, um engenheiro. E o Vinholes foi a primeira pessoa, realmente, que chegou a mim e (palmas) ficamos amigos. E, na época, eu tinha me formado engenheiro e tinha um rapaz que acabava de entrar na politécnica e entrou pegando o primeiro lugar. Foi o primeiro colocado no vestibular da Poli, Antônio Galvão  Novaes. O rapaz não tinha a bagagem musical que eu tinha; não tinha estudado. Só tinha entusiasmo e vontade de música. Teve que começar do zero pra ser aluno, mas não do Koellreutter de cara. Porque o K não podia pegar um aluno que não lesse. Então ele foi esse aluno, parece que do , depois do John . Depois começaram os estudos de solfejo do método de flauta doce, até que se pudesse avançar e chegar a um certo nível. E foi com ele, fomos nós três, eu, ele e o Vinholes que fizemos a apostila, que até o Maia queria reeditar, que eu votei contrário a ser reeditado porque o seguinte, porque foi feito em 1957.  Eu, vamos dizer  eu, por exemplo, na Politécnica, pude estudar pro exame vestibular até coisas em nível de francês, como o Gounod, porque não existia literatura em português ou espanhol adequada para reconhecimento , na época. Mas era uma época em que você tinha a mesma aula que o seu avô tinha. Agora, não. Agora as coisas pegaram uma velocidade . O smartphone surgiu em 2007 e já tá sendo ameaçado de… Antigamente, não era coisa de 10 anos; era coisa aceita como nova; hoje, 10 anos são coisa de velhice. Então é o seguinte, essa apostila se baseava em conceitos que tão mais do que desautorizados, porque como dizia até o comentarista aí falando sobre política atualmente na televisão, hoje nós estamos no mundo digital e …

R –  Mas tem um pessoal que gosta de ser saudosista, assim, né? Essa coisa analógica, dessa coisa da música seriada, da música programática, essas ideias assim, elas voltam e me aparecem um pouquinho assim, né? Retoma, retomada…

B -É importante que isso aconteça. Os poetas conversam mesmo; se interessam muito por poesias medievais, por Souza Andrade. Por certo que ele nem é conhecido aqui, maranhense, né? Souzandrade, aliás, o nome dele é Souza Andrade e virou Souzandrade (risos). Então você pega aquele que o  dizia que é information retrieval, e é verdade, é uma retomada de informação. E é muito importante isso. Eu cultivo isso. Quando eu falei agora de Hal McIntyre, do Vaughn Monroe, desse pessoal todo que surgiu, e depois surgiu em função dessa  que tava pipocando na época, apareceu o músico Stan Kenton que se valeu também depois do Woody Hermann  e ampliou mais ainda, que fez um negócio de música… pegou o procedimento de música erudita e pegou inovações puramente jazzísticas, não tem nada a ver com música erudita, e tratou, e fez o chamado Progressive Jazz na época. 

R – É, e o jazz avançou muito, tanto quanto a música erudita, né?

B – O Eddie Safranski, aquele de quem eu tava falando naquela hora, foi o cara que… O Jimmy Blanton morreu, e ficou por isso mesmo… o cara morreu tocando no DE. Enquanto os caras pegaram o acorde do JB e foram pra frente, o ES não se conformou em fazer só isso. Chegou, foi na orquestra recém-inaugurada do HM, essa  do Glenn Miller, e se foi pras cabeças na coisa . Foi a primeira vez que se viu uma orquestra com… você… o som da orquestra tem… orquestra e, vamos dizer, contraponto. Em certo sentido, contraponto em aspas, por que não é contraponto ao nível técnico… mas é uma conversa entre o contrabaixo, que deixou de ser… o contrabaixo começa a dialogar… inclusive, aquilo que se chama de walking bass, começou muito com JB, e o ES usando disso. Quer dizer, daí pra diante houve não houve… todo mundo que surgiu depois de ES, tal e coisa e pá, e até em orquestras começaram a adotar as coisas precursoras que foram, principalmente, JB sozinho, pessoalmente. E o HM, pelo ES… primeiro ponto, o HM foi que, vamos dizer, aceitou o negócio de ser uma orquestra com aquele distintivo, vamos dizer… Você percebe logo, qual é a orquestra que entra a música e entra o contrabaixo na frente, junto com a orquestra, dialogando com a orquestra… a orquestra como um todo dialogando com o contrabaixo? Era isso.

R – Era incrível, né?

B – Era ele.

R – E quando o senhor decidiu: “Não, vou ter uma discoteca!”?

B – Olha 

R – Ou 

O LP começou no fim de 49. Quando surgiu o LP, um casal em São Paulo chegou dos Estados Unidos e pôs no jornal que, coisa fácil naquele período  e LP, tal e coisa, pra vender , deu um endereço l…, e eu e o Willys de Castro fomos lá, e eu com  do meu pai, não compra nada! Chegamos lá, fomos lá e logo falamos também  isso…fomos honestos. Que não íamos comprar, por que… Até o Willys que era mais velho… o pai dele até proibiu ele… Eu tinha mal completado 19 anos, né? E aí, então, foi a primeira vez que eu vi um long play. No dezembro de 49, por aí, surgiram os LPs comercialmente, nas lojas de SP, vendendo… é o seguinte, a Columbia tinha uma série gravada de discos de 78 que.. a Columbia Masterworks. E eles fizeram o seguinte, passaram tudo que tinham de matriz, em rolo, passaram para LPs e jogaram na praça, porque a Columbia tinha, LP era nome só deles… Era o nome registrado, patenteado por eles. Tanto é que a RCA ficou seis meses sem poder fazer nada, aí, acertou com a coisa de pagar um royalty e lançou com o nome de Long Play, sem . Então, os primeiros LPs que eu tenho, e vão pra vocês… da RCA, o primeiro que eu tive era os cinco de Beethoven; era LP da RCA. Já as coisas da Columbia Masterworks, várias, da época, compradas na época…

R – A primeira música erudita, eles lançaram primeiro…

B – Sim… Por que, a princípio, quando surgiu o disco , os discos populares demoraram pra sair em LP?

R – É, em 78 já…

B – Já, demoraram pra sair em LP, os populares… e digo mais, saiu nos EU mas consideravam desinteressantes, os  … não saia muito no Brasil, não vendia muito. Só quando começou, daí a uns três, quatro anos, quando começou a ser fabricado no Brasil o LP, começou a surgir, também, 10 polegadas… Eu me lembro até que, um dia, eu cheguei em casa e minha mãe falou: “—Olha, passou aí o Elias (um amigo meu) e deixou um presente pra você. Uns discos da Ângela Maria… Eu não sabia nem que já existia disco…

R – Brasileiro?

B – Brasileiro de… e ele também soube e tal e coisa, assim, e sabendo como eu era, e muito amigo…

R – Então muitas pessoas acabaram colaborando?

B – Presenteavam, tal e coisa, pá pá pá… Eu fui comprando… Olha, quando eu me mudei pra Santos, em 63… eu não teria 50 discos de LP, não… Eu tinha, eu trouxe uns 100 discos de 78 rotações… isso eu trouxe,  aguentou o tempo, porque, amigos meus, p. ex., se desfizeram dos discos que eram de 78, com Armando Aflalo, esse, com gravador, com qual gravei todo o Stan Kenton… Era muito meu amigo… Ele queria até que eu fizesse um curso no qual ele fosse aluno, vamos dizer, meu, no curso pra… ele queria aprender, ele queria saber mais de harmonia, o AA….

R – É, vai ver se o cara tem o entusiasmo, mas não, não sabe…

B – Mas e o, o AA tá… hoje, faz uns 20 anos que a discoteca dele, que, eu acho que é a maior discoteca do Brasil, de música… de jazz, e de música popular brasileira, parcialmente. Agora, o jazz é o interesse dele.

R – E o teu também.

B – Hã?

R – É o teu também.

B – É muito o meu interesse, mas não é o único. Eu gosto… p. ex, o Aflalo não pode ouvir rock… Eu presenteie, gravei coisas especiais em fitas de rolo…

R – Você tem rock também na coleção?

B – Mas muito…no que vai?

R – É mesmo?

B – Claro…

R – Eu tenho um professor que vai adorar, porque ele é…ele dá aula de história do rock!

B – Eu contei isso, que você talvez você não saiba, eu já contei… tá no… passado aí no email para o Maia. Seguinte, eu tive um adendo à minha discoteca de duas discotecas. Uma pequena discoteca do meu tio, Hermenegildo Rocha Brito. Meu tio HRB foi um dos primeiros rádio-amadores do Brasil, e foi fundador da segunda estação de rádio emissora do Brasil, que a primeira foi a Roquete Pinto. A segunda, Rádio Clube de Santos, foi a segunda, tanto que aqui em Santos, você liga pra Rádio Clube; ela fala: “R. A., Rádio Clube de Santos, a pioneira!”. Eles já usam o termo “A Pioneira”, pelo menos, já que não existe a Roquete Pinto… 

R –  o comunicador…

B – E o meu tio faleceu dois meses antes de fazer 93 anos… fazer 98 anos… em 93, ele nasceu em 1895… em abril, faltava dois meses para, em julho, no dia de São Pedro, ele fazer os seus 98 anos… E ele tava de saída, a filha ia levá-lo lá pra rádio… ele morava aqui perto. Mas quando eu vim pra Santos, foi por outros motivos. Eu vim pra Santos por razões, duplamente, opcionais e de interesse de família, vamos dizer. Não só o  meu. É o seguinte: eu achava que São Paulo já, no ano em que eu vim, tava muito poluído. Eu não conseguia fazer com que as crianças brincassem… Morava perto do Jardim da , não podia brincar no jardim por causa de cocô de cachorro, nos lugares que tinha… eu disse: “Olha, eu gostaria de morar em Santos”, assim, p. ex., onde, nem que for num apartamento perto da praia, que o quintal, é  meu pai, o quintal de casa seria a praia, Eu levaria meus filhos para se derramarem na praia, brincarem…  eu fiz isso. Porque é o seguinte, meu pai, foi impressionante nisso… meu pai, quando eu falei isso foi num domingo almoçando, em janeiro, na casa dele. Ele falou assim…

R – Deixa eu tirar uma foto do senhor.

B – Ele falou assim: “Brasil, se você fala desse jeito, tão importante, tão interessante pra você isso, você vai lutar por isso.”. Foi bom. Eu cheguei, eu trabalhava no DAER, como engenheiro , telefonei pro meu tio que sempre morou em Santos, HRB, desde 1918, desde o fim da primeira guerra mundial ele morava, casou-se com uma moça aqui de Santos e nunca mais saiu de Santos. E, telefonei pra ele, e vinha aqui, peguei um dia lá, trocava lá, no serviço, trocava, quer dizer, eu fazia o plantão, no fim de semana, e com isso eu podia faltar um dia. E vim pra cá e soube que o serviço de águas de Santos aqui, recentemente, passou a ser de economia mista. O serviço de águas de Santos e Cubatão, o SASC, era CLT, os funcionários, mas era subordinado ao Departamento de Água Sanitária. Quer dizer, os funcionários CLT, num órgão em que eram majoritários, as ações, como acionistas, eram do Estado, o proprietário. Então, tinha boas condições de, talvez, vir a trabalhar aqui. E voltei lá, pra São Paulo, cheguei e falei lá pros colegas: “Olha, tive com meu tio lá, meu tio disse que SASC lá em Santos, isso aqui assim assim”, ele disse: “SASC? O Jacoponi, o Cláudio Jacoponi, foi nosso colega, você conhece aqui, que agora é oficial de gabinete, secretário, ele foi chefe do DE, que chama aqui em Santos, Departamento de Engenharia do SASC”. Tinha o Departamento de Administração e o DE, era assim na época. Então tinha os SE e SA, administrativos. E ele foi o chefe. Então, eu cheguei lá, e falei: “Jacoponi!”… Cláudio, eu falei Cláudio, pelo nome, “Cláudio, eu tive lá em Santos , e tinha interesse em mudar pra lá, tal e coisa…”. “Você quer ir lá de que jeito? Como Chefe de Seção?”  “Peraí, rapaz! Você tá me colocando como chefe de seção?  Nossa, se haveria chance…”. Aí, ele deu um telefonema, falou com uma pessoa lá… “Puxa vida, é  mesmo, por que tão atrás de um engenheiro, o SASC lá, da Baixada.” Estavam atrás de engenheiro desesperadamente. O engenheiro que foi ocupar o cargo de superintendente de lá, formado na Poli, que eu conhecia. Formou-se um ano antes de mim. O  Mignoni é o superintendente e tá atrás de um engenheiro. Bom, resumindo, não precisei fazer nada. O  soube da coisa, pegou meu nome, tal e tal, pá, tudo por telefone. Nem se lembrava de quem eu era na escola! No dia em que, daí há três semanas que fomos na sala do secretário de obras para ele assinar o..(palma) a… pondo minha , Depois da  aqui do SASC, continuando eu a ser funcionário do departamento de águas e esgotos de São Paulo, funcionário público portanto, foi que ele “Ah é você?”  (palma) ante a sala pra se falar com o secretário. “Ah, você é do Brasil?”. E eu sabia que ele foi candidato a . Eu conhecia bem o jeito dele. Bom, eu vim parar em Santos, assim, repentinamente, e foi muito interessante pra mim, em todos os aspectos. Quer dizer, para minha família, isso que eu pensava aconteceu. Foi muito conveniente para meus filhos. Meu filho mais velho, à época, tinha cinco anos. A outra tinha um ano e meio; a outra, dois meses. Caçula tinha dois meses; nasceu em janeiro. É dia 25 de março  pra trabalhar aqui, na segunda-feira. Então é… eu gostei muito de trabalhar aqui na . Encontrei uma equipe interessante. Quer dizer, o meu superior imediato, era um engenheiro filho de japonês, já falecido,  Tanaka, que era um sujeito assim, ético. Era uma pessoa tremendamente competente. É ético por excelência. Difícil encontrar uma pessoa igual a você, sabe? Tendo o cargo que ele tinha…. ele sempre ocupou cargos, vamos dizer assim, abaixo , ou seja, ele geralmente era o cara que chefiava todo um órgão ,sendo o vice do órgão. E foi assim na repartição do saneamento de Santos; foi assim no SASC. O SASC era o Agarton, mas o Agarton , tecnicamente, era um bom engenheiro; era um homem que, primeiramente, era político, em segundo lugar, era político. O terceiro lugar era engenheiro. 

R – Quando o senhor veio pra cá, como ficou a música nessa atuação toda aí, profissionalmente?

B – Isso, até hoje eu penso que, em alguns aspectos, foram desinteressantes. Alguns aspectos. Para mim foi o seguinte,:que eu tinha, em 60 eu comecei uma amizade muito forte com os Irmãos Campos e com Décio Pignatari. E, então, estávamos sempre em contato, eles vinham na minha casa, eu ia na casa deles, papapá… Isso aí, quer dizer…

R – Arrefeceu…

B – Arrefeceu. Não. O Augusto continuou… Naquele tempo o telefone não era como hoje. Eu nem tinha telefone em casa. Anos pra ter um telefone em casa. Mas eu ia até o posto Telefurnas, eu morava na… andava dois quarteirões e meio, vamos dizer… eu morava ali no  … e ia no posto e falava com Augusto… e trocávamos cartas… que isso, não havia o… eram cartas e telefonemas. E o Augusto veio em minha casa, ele e a esposa, hospedaram-se… não tinha, vamos dizer…  Eu e a  dormi com as crianças, na época, e ele… e cedemos o nosso quarto para o Augusto e a Lígia, aqui em Santos. É, amizade assim, grande.  Augusto. O Augusto ficou muito porque, entre o pessoal da poesia concreta, o mais ligado à música era ele. Isso ele mesmo diz, no site dele é comentado isso. Então, eu e ele ficamos assim como o… uma coisa assim, tipo o que começou com Vinholes. Só que, com Vinholes lá no Oriente, eu possuía mais, nessa época, do Augusto do que do próprio Vinholes.

R –  Mas estudar e tocar? Tinha atividades aqui em Santos pra…  composição 

B – Aqui em Santo negócio é o seguinte, logo que eu cheguei aqui em Santos, no órgão que eu fui trabalhar, no SASC, tinha um sujeito que era… se eu pudesse falar 10 pessoas na minha vida que eu acho assim fora de série..  10 pessoas eram… Uns quatro eram mais novos do que eu, Cid Marcus Buena Vasques, um rapaz que tinha curso colegial, só, não tinha feito faculdade nenhuma, mas um homem de uma cultura imensa, professor na  de Informação na   Católica, autora de várias coisas, de… Ele foi quem introduziu a literatura sobre comunicação. Eu conheci Humberto Eco por meio dele. E ele era, então, presidente da Comissão de Cultura de Santos. Quando eu vim pra cá, ele apareceu lá no SASC. Ele era assessor do presidente de: “Eu sou Cid Marcus. Eu sei quem você é! Você é o autor do artigo da Bossa Nova, tal etal  coisa,a pá… do jornal, amigo da turma lá do ”. E fez grande amizade comigo. Ele, no tempo, era noivo da esposa… daí, um ano depois, eles se casaram… e a esposa também… e eles eram amicíssimos nossos… E a esposa também da Rita , amicíssimos nossos, a Tereza Cavalcanti Vasques. E o Cid era uma pessoa de nível impressionante, uma cabeça impressionante, uma cultura geral tremenda, rapidez de raciocínio, aquelas pessoas de… que têm… Eu acho que o campeão disso na minha vida, pra mim, o campeão disso, de ser um sujeito de uma capacidade de… de rapidez  imbatível, é o Décio Pignatari. O Décio era tremendo. O Décio era uma pessoa… Esses dias eu tive pensando nisso… O Augusto e o Haroldo são pessoas fora de série, competentes, mas muito acima, acima demais da média, mas não são extraterrestres. Mas o Décio era. O Décio era um sujeito assim, pra mim, um tipo assim, sei lá, um Stephen Hawking. Era um cara assim, difícil de pôr em termos, de comparar com figuras mortais. O Décio. O Décio era um negócio impressionante. E o Décio tinha uma coisa impressionante:é dele o seguinte: o Décio, ao lado disso, de ele ser super antenado, super inteligente, ele tem uma capacidade de compreender as coisas que não eram, vamos dizer, do mundo dele. Ele era uma pessoa que, facilmente, sabia mudar… Um exemplo. Ele foi à casa um dia. Ele veio ser padrinho de casamento aqui em Santos. E o sujeito era amicíssimo meu porque  era funcionário da SBS na época, que depois virou SABESP. E o Décio veio. Eu morava pertinho da igreja onde foi o casamento de que ele foi padrinho. Da igreja aqui do . E a festa foi um fiasco. Passaram comida estragada, comida… pão era pão de dois, três dias atrás, não. O sanduíche… ninguém, todo mundo largou tudo, bebida… A bebida era Polincola, xarope de Coca-Cola com água, né? Então todo mundo largou, e o Décio tava… O Décio é um sujeito assim, terrível, sem papas na língua. Cajá começou a falar coisas terríveis lá na festa. Pensei e falei, escuta, tamos a 150 metros da minha casa, vamos lá em casa, você janta com a gente. Ele falou assim: “Vou topar”. Ele já conhecia bem a Rita desde São Paulo. Desde Santos, ele vinha aqui. Havia reuniões com o pessoal de Artes aqui, na casa do Cid Marcus… Tinha um chargista da Tribuna chamado Dido. Então tinha uma relação grande com ele assim, não dependiam de ir a São Paulo só. Ele vinha a Santos muito aqui e nos encontrava. E fomos pra casa…Chegou lá… E além de ele sair de lá, chegou o casal de amigos da Rita, o promotor de justiça aqui de Santos, o Haroldo, e a Cida, que morreu três dias atrás. A Cida chegava em casa…  Participaram do jantar com a gente, coisa e tal. E percebeu logo o seguinte, quer dizer, não era pra ter uma conversa normal, assim, deixando  pra escanteio. Não precisou dizer nada pra ele. Ele começou a falar sobre vinho com o Haroldo Costa, promotor, que era enólogo. Conhecia vinhos; Décio conhecia, nossa! Impressionantemente. Então ele começou a falar sobre isso…  Na hora… ele mudou a sintonia da coisa… Jogou na outra clave, né?

R – Jogou pra torcida.

B – O assunto pra incorporar…

R – O pessoal.

B – E depois suscitou-se, o Haroldo e a esposa, a falecida Cida, ficou sentada com a Rita no sofá na sala, um pouco maior que essa , onde eu morava, e ficamos na mesa, ficamos eu, o Dido, chargista, e o Cid Marcus, e começou… Aí começou o assunto de… Aí rolava o assunto de artes… Aí, virou outra coisa… Ele sabia como tratar as coisas… Os assuntos e as pessoas… De forma alguma ele causou qualquer embaraço pra mim e pras pessoas… Ele era assim.

R – Vamos dar uma olhada na…  Tô curioso (risos)… (Deslocamento para visitar a discoteca doada)

B –  houve um erro na avaliação…

R – Ah, sim,

B –  Nem fui eu que fiz esse cálculo de… grande… isso foi feito por pessoas que frequentavam minha casa… Oh, isso tudo, o que tá daqui pra cima, vai com vocês… Daqui pra baixo não tem nada a ver com… São livros; é coisa da minha música, né?  Isso tudo… aqui ta mais ou menos separado, mais ou menos, lá em cima é música erudita. Aqui, também tem música erudita… por exemplo… Tô cedendo tudo isso … , Debussy… a ópera inteira… Tem coisas difíceis de se encontrar hoje, de Frank Sinatra, álbuns de Tom Jobim… E outras coisas: o seguinte, aqui, por exemplo, você pode achar: pra que isso? É o seguinte: eu posso continuar, né?

R – Sim, tô ouvindo.

B – Isso aqui, você fala, que é que é isso?  É o seguinte. Houve várias edições que vendiam só nas bancas de jornal, como A História da Música Popular Brasileira… Eu tenho, acho que três edições. A primeira foi anos 60 ainda, e não…  O disco é tão desproporcional à capa que não convinha você deixá-lo na capa, então eu deixei… Os discos tão separados por aqui… Então os discos estão aqui e as capas, fora. Isso é algo que vocês vão ter que verificar lá.

R – E tem alguma ordenação?

B – A ordenação aqui tá meio precária. Aqui, por exemplo, é jazz, começando pelos saxofonistas… Eu tô mandando as coisas mesmo. Cannonball Adderley, Paul Chambers. Tem o Paul Desmond, gosto muito do … Eu tive, quando me aposentei, voltei a estudar sax, mas não deu certo. O sax ficou preto! Há menos de um ano eu dei o sax que eu tinha, um sax alto; eu dei pro meu neto, teu xará, o Rafael…

R – Ah, é? E tá tocando?

B Ele tá começando a estudar,lá no Rio. Ele mora no Rio…

R ´Paul Desmond?

B – Paul Desmond… Art Pepper … Conhece o Art Pepper?

R – Sim… É, tem muitos saxofonistas…..

B – Esse é… é demais, né?

R – Ah, então você pode me dar esse, aí e a gente faz o registro. Por que, se for saxofones, aí fica…

B – O AP é …

R – A gente faz a foto aqui, peraí…

B – O AP é, pra mim, o…

R – Com os discos de saxofone…

B – O AP.. os três saxofonistas…

R – Sim, vou fazer uma foto assim com o… os discos… de saxofone…

B – São o PD e o AP… considerando que o PD tem um, vamos dizer, … que ocorre em paralelo ao Chet Baker… um som meio aveludado…

R –  Take Five?

B – Ele não é um músico tão completo, em certos aspectos, como o Lee Konitz ou como o próprio AP. Eu acho esses dois mais músicos do que ele, do que o PD. Agora, o Desmond é imbatível, numa balada, assim, conseguir aquele som assim, aveludado.

R – Vamos tirar uma foto aqui então, para mandar pro…

B – Pro Vinholes…

R – Isso…

B – Esse cara nasceu em 1927. Tá vivo ainda, então… Setembro de 1927. E em 97 ele tava aqui em São Paulo no show do Free Jazz Festival, foi no ano… Não disseram nada, e eu sabendo, naquele dia, tendo a ficha dele, eu sabia que aquele dia…

R – Que ia tocar…

B – Era o aniversário dele…

R – (risos) Ah, e essa aqui é… 

B – Isso eu vou mostrar pra você… o seguinte…

R – Essa seção aí eu vou… ter um cuidado especial (risos)

B – Tem sax e tem pistão… Tem trombone…

R – Interessante o senhor separar por instrumento…

B – Tá mais ou menos separado por instrumento.

R – Ah, que legal…

B – Eu sou muito fã do…

R – Também numa ordem alfabética, não?

B – Não… Tem ordem assim, seg., p. ex…

R – Mas o senhor sabe onde está cada disco?

B – É…

R – Então, é isso que eu… é isso que é a preocupação: a gente tem que preservar a ordem que tá aqui.

B –  O lugar é uma desordem, viu?

R – É mais, mesmo sendo uma desordem..

B – Mesmo porque é o seg.. eu te falei… duas pessoas  eu… eu peguei várias discotecas… do meu tio, quando faleceu, qd, as minhas primas me chamaram lá e me falaram: “leva o que você quiser…”  fato à parte. E quando morreu também um (palma) grande amigo meu, 20 anos mais novo que eu…  podia ser um irmão mais novo… também solteirão e filho único… os pais dele me chamaram e falaram assim: olha… por que ele era cardíaco e já tinha dito para os pais… chama o Brasil e (palma) leva o que ele quiser…

R – E isso vai chegar até Pelotas…

B – Aí, eu já tinha muita coisa em Rock. Mas eu não tinha, p. ex., 10 LPs do Bob Dylan, eu não tinha… 10, 12… e tão aí… veio tudo dele.

R – Foi crescendo a coleção…

B – Foi assinado, né? Você tá perguntando como foi? Aqui, p. ex., aqui e ali, fazem parte, já são segunda e terceira gerações… hã… Aqui é Jazz… Isso é comprado em banca…

R – Ah, tá. Esses não são os mais antigos?

B – As coisas mais antigas que eu tenho lá… são música erudita, lá em cima… e também o jazz…  Eu só queria dizer pra você o seg… Eu tenho música também, evangélica, que eu acho interessante ser incluída, porque é o seg… pq tem categoria… tem coisas que são, puramente, dispensáveis. Mas essas que tão aqui, que eu tenho, eu considero…

R – O senhor descartou muita coisa? O senhor guardou… o senhor guarda as coisas que gosta somente, ou não, o senhor guarda tudo que vem… ou o senhor descarta o que não gosta?

B – Olha, geralmente, p. ex., ao comprar, só o que eu gosto…

R – Claro…

B – Quando eu fui também, agora, pegar as coisas do , tbm peguei o que eu gosto, só… Agora, eventualmente, aparecem coisas que eu não tenho tanta… Mas, o interesse é de, inclusive, conhecer mais, aquilo, pra você fazer um juízo… às vezes você faz um juízo apressado de … Agora, tem coisas aqui que eu acho que… aqui, tá por aqui… música popular brasileira… Almirante… Noel Rosa… aquela turma daquele tempo, pessoal do choro, chorinho, etc, pá… Tem muita coisa assim de… de disco… e discos, LPs, até relativamente novos, que foram… existem umas gravadoras, né? que… Aqui, p. ex. Aqui, orquestra de jazz… as big bands… então  Sammy Kaye, Will Bradley,  eram popularíssimos. Harry James… Eddie Daniels, clarinetista… Wayne Shorter,..  Jones … Claude Thornhill… esse aqui… com duas orquestras que o Glenn Miller fez a vida dele… 

R – É, ele gerou, né?

B – Foi o Hal McIntyre e o Claude Thornhill… CT era também… cupincha dele 

R – Maravilha…

B – Ontem mesmo peguei aquele, Andrea ……Esse aqui é um disco raro, da época em que surgiu o LP!

R – Que maravilha… 

B – Isso é raro, esse disco…

R – 

B – Puxar, aqui…

R – Engraçado, né? O jeito… 

B – 

R – Ia ficar um envelope mesmo… Tá muito bem conservado

B – Até a… realmente a,,, não foi possível de… conseguir uma.., manter isso aqui muito limpo porque…

R –  

B – Porque é difícil, inclusive, você limpar… Não é um negócio muito fácil…

R – Fechando o envelope…

B – Eu tive, essa semana… eu tô, já tá me deixando… mas eu tive um resfriado muito forte… 

R – Ah é?

B – Eu tô na fase de…

R – De recuperação?

B – De término. De término da coisa, eu tava… Tava muito tomado… meus sinus? aqui? Tava inchado aqui, de tanto…

R – Nossa… Lá em Pelotas  eu tô adorando…

B – Aqui eu tenho rock também, de que eu gosto muito. Eu gosto muito do rock, gosto muito do Led Zeppelin… tá indo pra vocês, o que eu tenho do Led Zeppelin. Só ficou um do Led Zeppelin que tinha uma dedicatória. 

R – Ah é?

B – Foi um disco doado pra mim, o LZ 4, que é o que, vd, o mais popular entre aspas, que é Stairway to Heaven, tec… Então, esse foi dado por um amigo, tá? A dedicatória (palma). Mas o resto todo, o um, o dois, o três, o cinco do LZ também tá indo pra você…. Também, uma orquestra de que eu gosto muito, o pessoal da Costa Oeste, do rock, que é o Jefferson Airplane, que eu acho fora de série. Já é coisa de primeiríssima linha… Outra coisa do rock que eu gostava muito, e que aliás o Medaglia também, já tive até em contato com ele, o JM, sobre esse assunto, que ele escreveu na revista sobre isso, o Rock Progressivo que é a turma do Yes, do Pink Floyd, do King Crimson, né… Tá indo pra vocês também, essas coisas…

R – Eu acho que, com o que a gente tem, vai dar certinho… (risos)

B – E… tem aqui do… como eu tava te falando né, tem música da…

R – Ah, ainda tem mais discos…

B – Esse disco da Fátima Guedes, como é interessante, esse disco.

R – Tipo um álbum…

B – Isso aqui veio da coleção do falecido … Peguei 300 discos dele…

R – Que ótimo… Então o senhor calcula que tem 2500?

B – Não, 2200 pra baixo, porque é o seg. Eu fazia a contagem pela coisa… Aqui a ocupação, eu confundia… Tinha coisa ocupada, mas parecia… na hora de fazer a coisa de tirar, tinha a tal de abstração… olha, isso aqui, p. ex. E o seg… eu mandei até por email… aqui tem…  uma dessas caixas tem o Stan Kenton.

R – Ah tá. K7…

B – Nas caixas plásticas… E aqui, pra completar, isso vai com vocês… Escrito, feito por minha letra, mas bem… bem legível, tudo o que tem, e você pega lá é pela ordem, um, dois, três, quatro em romano…

R – Mas como tá a ordem no disco?

B – Não…

R – Ah, os K7…

B – Os K7, 1, 2 e 3 tec…tá seguindo ordem aqui…

R – Maravilha…

B – Tá tudo 

R – Em K7 não tem como ter informação né .…

B – Agora eu tô mandando pra vocês…

R – Sim… Isso só dos K7?

B – E aqui tem dois tape decks, que talvez não funcionem 100% hoje, mas é fácil corrigir… A fiação tá muito… os cabos RCA para passar de uma coisa pra outra, esses cabos já tavam… isso, é interessante pegar uns novos… e também o seg.. Mais interessante de usar isso aqui, em vez de caixa acústica, a gente usar o…

R – O headphone…

B – Mesmo porque o seg… O ambiente de discoteca, isso aqui pode chegar lá e… então, ouvir o negócio e … Então, tem aqui um amplificador, né? Tem isso aqui que é um VHS. Tô mandando um VHS pra vocês… Tá em bom estado, o VHS… Isso aqui é o exemplo da coisa, né? Isso aqui tá só a cap;, o disco tá ali.

R – Tá ali, ah tá.

B – Tá vendo… Isso é uma das coisas que… tavam… E aqui…

R – Esses VHS são o que?

B – Isso aqui, tudo isso aqui é pra vocês!

R – Mas isso aqui é o quê? É uma gravação de música?

B – Tem coisa aqui que tá… é virgem ainda…

R – Mas é gravação?

B – Não, isso aqui é virgem.

R – Não, mas o que tem gravado são músicas?

B – Tá aqui.

R – Mas é música?

B – Às vezes é filme, às vezes é música…O que achar que interessa, você faz como bem entender.

R – Eu tava achando que era uma máquina, um toca disco de rolo…

B – De rolo, o que eu tinha há muito tempo já foi… Não tava em condições já…

R – É muito difícil encontrar um que funcione bem, né?

B – Pois é… Aquilo é volumoso, o tamanho… Tava dando problema . Então, o que vai ter que carregar amanhã é tudo o que tá aqui e tudo o que tá daqui pra cima.

R – Daí pra cima… Tá ótimo.

B – Tudo que tá daqui pra cima… Temos aqui… Aqui, p. ex. existem, oh… isso aqui das seleções do Reader’s Digest, lançou isso… Interessante… era comercial, mas interessante…Tinha várias faixas… Tinha música, vd, música jazz, música centro-americana… Essas coisas que eu acho interessante… Aqui, p. ex…. Frank Sinatra. Esse é o disco… Isso é bem antigo, do tempo do…

R – Maravilha… E às 78 rotações, o senhor guarda onde?

B – Os 78 estão aqui. 78 eu tenho…

R – A gente tem uma coleção de 4000 discos…

B – Ah, é? Eu tenho uns 300, mais ou menos….

R – Que era da Biblioteca Pública de Pelotas, e aí acabou ficando com a gente… ai, que maravilha…

B – … Isso é o que eu tenho mais… é disco de… ali dou outro lado, p. ex., tem assim… mais, é disco, é… vd, é sinfonias, concertos tec que, quando ainda era tudo em discos de 78…

R – E de jazz, o senhor tem também? O Jazz? Os discos de 78 de Jazz?

B – É, a maior parte é jazz… Pouca coisa é música popular brasileira. 

R – É mesmo?

B – 90% é jazz. Como eu te falei, Hal McIntyre, Vaughn Monroe… essas gravações, assim, que foram únicas, né? De sujeitos que não foram tão bons músicos, etc, mas que, de repente, aconteceu de emplacarem um negócio especial.

R – E o senhor escuta essas gravações ou não escuta mais?

B – Hoje, como eu te disse, até pouco tempo eu… eu tenho… na sala eu tenho o long play, e aquele, aqui o 78, aqui…

R – Ah, o senhor ainda tem?

B – Tenho. Esse eu tenho pra tocar o disco. E eu mantenho ainda também ainda o tape deck pra ouvir a fita ainda, algumas fitas que, que eu tenho assim, que não são tão, que são mais interessantes de eu ter, p. ex., eu pensava, a principio que, Stan Kenton, eu sou apaixonado por SK, mas eu pensei, é muito mais interessante eu doar toda essa coleção de SK, e ouvir SK… Hoje eu já tenho CDs..Eu tenho já SK passado pra CD… E também, isso que eu peço… É isso que eu falo pra vocês…com o tempo, mais adiante lá, eu, estando mais perto da minha partida daqui, da vida, é o seg., talvez, muita coisa eu ainda possa, CDs… CDs eu  tenho bastantes CDs, e eu tenho CDs, isso aqui, p. ex. É mais da turma de casa, né? Os que estão aqui.

R – Claro, é que amanhã vem um caminhão, né? O que a gente conseguiu levar pra lá…

B – O que vai, então, é isso e isso, daqui pra (tosses). Isso aqui são livros, coisas que vão nas pastas.

R – Sim, eu acho que dá; tem bastante espaço assim, é só a gente se acomodar bem. O rapaz deve chegar aí na parte da manhã, no final do…

B – O que eu… o cálculo que eu faço é, aproximadamente (tosses)… É o seg. aqui. Normalmente, cada casulo desse — eu chamo de casulo — cabe 50 discos. Então, eu tenho, aproximadamente, tantos casulos (tosses) (????)

R – Aqui fica muito, muito fechado também, né? Pra quem tá resfriado (risos)… Então tá bom (passos de deslocando de área)

B – (Tosse) Você tá aqui nesse hotel pertinho, não é? (tosse)

R – Sim. É na… é no , alguma coisa…

B – Essa rua que vem parar aqui de frente?

R – Exato.

B – A Tiago Tacão. A Rua Tiago Tacão é a rua…

R – Só que na outra esquina, bem em frente ao Clube Internacional…

B – Pois é. Essa rua vai até a Avenida do (tosse) , que é a avenida da…

R – Da beira-mar.

B – Da beira mar… (FIM)

(01h 27m 09.192s)

BRASIL EUGÊNIO DA ROCHA BRITO nasceu em Jaboticabal, SP (1930). Formou-se em engenharia civil pela Escola Politécnica, Poli/USP (1953).  Filho de Maria d´Aparecida Godoy Brito, festejada pianista do cinema mudo em  Bebedouro, SP, Rocha Brito com ela estudou piano desde os 5 anos de idade. Depois de aposentado, retomou seus estudos de música na Escola Livre de Música da Pró Arte, em São Paulo (1954-1956), discípulo de H. J. Koellreutter e participante das aulas coletivas de múscia eletrônica, estética e análise. Com Antônio Naclério Galvão Novaes, primeiranista na Politécnica e também aluno de Koellreutter, e L. C. Vinholes, participou da confecção da apostila mimeografada “Introdução à Acústica – Para os que fazem e apreciam música” (1957). Rocha Brito é o criador do “ábaco das funções na harmonia tonal tradicional” (1956), instrumento destinado a auxiliar aos que desejam entender as estruturas harmônicas, capacitando-os a realizar, com profundidade, a análise das obras escritas na linguagem tonal, e do manual “Modo de Operar o Ábaco”, ambos figurando do livro Harmonia Funcional – Introdução à Teoria das Funções Harmônicas, de Koellreutter (Editora Ricordi, de São Paulo, 1980). Foi pioneiro quando a página Invenção do jornal Correio Paulistano, nas edições de 23 de outubro, 6 e 20 de novembro de 1960, publicou um extenso artigo sobre diferentes aspectos da nascente bossa nova. Em 1963, traduzido para o japonês pelo musicólogo Toyo Nakamura, seu artigo foi publicado em Tokyo pela revista “American Chanson & Rhythmos”. Este mesmo artigo é o primeiro dos quatro artigos do livro de Augusto de Campos “Balanço da Bossa – e outras bossas” (Editora Perpectiva 1968). Brasil Eugênio da Rocha Brito foi sempre interessado e acompanhou os movimentos da música popular brasileira e do jazz, deste tornando-se dedicado colecionador desde a década de 1950. (lclv-2017)

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