GT Choro Patrimônio na ANPPOM 2026 Recife de 14 a 18 de setembro na UFPE

O acervo do Regional do Canhoto, tal como é conhecido, foi organizado pelo pesquisador e colecionador Armando Marques e compõe-se, basicamente, de materiais vinculados à produção do referido regional, como grupo exclusivo ou como acompanhador de grandes intérpretes do choro e da música popular brasileira. Formado por Canhoto do Cavaquinho (Waldiro Tramontano), Dino 7 Cordas (Horondino José da Silva), Meira (Jayme Florence), Gilson de Freitas no pandeiro, Altamiro Carrilho e Orlando Silveira, o Regional do Canhoto (cavaquinista) tornou-se um dos mais relevantes conjuntos de choro de seu tempo, tendo gravado com importantes instrumentistas e cantores, a exemplo de Vicente Celestino, Orlando Silva, Luiz Gonzaga, Marinês, Jackson do Pandeiro, Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim, Jair Rodrigues, Cartola, Paulinho da Viola, Élton Medeiros, Luis Americano e Beth Carvalho, por exemplo, bem como produções do próprio Regional.

O Festival do Choro João Pernambuco surgiu da vontade dos músicos instrumentistas pernambucanos de celebrar o Choro, um gênero musical tão genuinamente brasileiro. Foi batizado com o nome de um dos mais representativos compositores de Choro – João Pernambuco, que carrega no próprio nome o nome do seu estado. Ao lado de outros grandes músicos, como: Rossini Ferreira, Luperce Miranda, Quincas Laranjeiras, entre tantos, colocou Pernambuco como um dos importantes centros de efervescência do Choro no Brasil.
A 1ª edição do Festival do Choro João Pernambuco, foi realizada no ano de 2016, nos dias 19 e 20/05, no Pátio de São Pedro, Recife/PE, com a participação dos mais representativos músicos e musicistas de Pernambuco, tendo como homenageado o mestre Chocho, chorão de 92 anos de idade e considerado o chorão mais idoso do Brasil em atividade. O Festival é uma produção criada e gerenciada por Wagner Staden, reconhecido produtor cultural no estado de Pernambuco, juntamente com o Coletivo Isto é Choro!, que é liderado por Wagner e pelos artistas Walmir Chagas e Betto do Bandolim.

O Retalhos Bar e Restaurante, criado por Edson Mota e Ana Paula de Oliveira, foi um importante lugar de encontros musicais no centro da cidade do Recife. Inaugurado no ano de 2010, promoveu até o ano de 2018 muitos encontros memoráveis entre músicos chorões pernambucanos e de todo o Brasil. O Retalhos também era ponto de encontro de outros gêneros musicais importantes para Pernambuco, como o frevo. Bozó 7 Cordas conta que o estabelecimento no início de sua existência era um espaço comercial de self-service que de vez em quando sediava algumas festas. Numa dessas, Bozó foi convidado pela cantora Sônia Aguiar para formar um duo. Ao chegar ao espaço, Bozó gostou muito e propôs para a dona, Ana Paula, que o Retalhos se abrisse para receber encontros musicais. No espaço, aconteciam apresentações de grupos fixos e rodas de choro abertas aos músicos que quisessem participar. A depender da dinâmica musical e do número de músicos participantes, as apresentações aconteciam de forma acústica ou amplificada.
Entre os músicos que passaram e formaram a história do Retalhos Bar e Restaurante, Bozó 7 Cordas, Betto do Bandolim, Marco César, Moema Macêdo, Maíra Macêdo, Rafael Marques, João Paulo Albertim, Alexandre Rodrigues, Nuca Sarmento, Júnior Teles, Fred Didier, Naara Santos etc.

Participe do mapeamento

O GT Choro Patrimônio é também um espaço de escuta, colaboração e construção coletiva. Convidamos pesquisadoras/es, musicistas, detentoras/es, estudantes, instituições e demais pessoas interessadas a contribuir com informações, acervos, registros, memórias e indicações de práticas ligadas ao choro e a outros patrimônios musicais.

Que memórias do choro em Pernambuco ainda precisam ser registradas? Quais rodas, acervos, personagens e espaços devem integrar este mapeamento? Como os processos de ensino, performance e documentação podem fortalecer a salvaguarda do choro como patrimônio cultural?

A Base de Dados Choro Patrimônio propõe reunir essas experiências em um ambiente vivo de pesquisa, memória e participação social, conectando acervos, trajetórias, práticas musicais e saberes compartilhados.