{"id":65711,"date":"2025-08-07T10:42:23","date_gmt":"2025-08-07T13:42:23","guid":{"rendered":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/museuafrobrasilsul\/?post_type=tnc_col_55604_item&#038;p=65711"},"modified":"2025-08-07T10:44:15","modified_gmt":"2025-08-07T13:44:15","slug":"mulheres-negras-quilombolas-os-desafios-da-comunicacao-publica-e-da-protecao-social-na-zona-rural-de-pelotas-rs-e-na-zona-urbana-de-porto-alegre-rs","status":"publish","type":"tnc_col_55604_item","link":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/museuafrobrasilsul\/trabalhos-cientificos\/mulheres-negras-quilombolas-os-desafios-da-comunicacao-publica-e-da-protecao-social-na-zona-rural-de-pelotas-rs-e-na-zona-urbana-de-porto-alegre-rs\/","title":{"rendered":"Mulheres negras quilombolas: os desafios da comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica e da prote\u00e7\u00e3o social na zona rural de Pelotas\/RS e na zona urbana de Porto Alegre\/RS"},"content":{"rendered":"<p>A presente tese aborda debates ainda pouco explorados nas investiga\u00e7\u00f5es produzidas pelo Servi\u00e7o Social: a comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica e as mulheres quilombolas, ambos relacionados ao sistema de prote\u00e7\u00e3o social brasileiro. Essa aproxima\u00e7\u00e3o merece ser investigada no contexto da comunica\u00e7\u00e3o qualificada como uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica para a condu\u00e7\u00e3o dos direitos de cidadania. Compreender a perspectiva p\u00fablica da comunica\u00e7\u00e3o na sociedade democr\u00e1tica pressup\u00f5e elementos como informa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o, os quais possibilitam o entendimento, a reflex\u00e3o, a argumenta\u00e7\u00e3o, o posicionamento e a delibera\u00e7\u00e3o por parte dos participantes envolvidos. A import\u00e2ncia das mulheres negras quilombolas reside no fato de serem identificadas como mediadoras e facilitadoras do di\u00e1logo e da organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Suas vozes e a\u00e7\u00f5es desempenham um papel essencial na constru\u00e7\u00e3o de uma gest\u00e3o mais inclusiva e democr\u00e1tica dentro dos quilombos. Frente a esses apontamentos iniciais, o estudo buscou compreender: como ocorre a comunica\u00e7\u00e3o e o acesso \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social entre as mulheres quilombolas no interior de Pelotas\/RS e na capital do estado do Rio Grande do Sul? As quest\u00f5es norteadoras respondidas neste trabalho envolvem a investiga\u00e7\u00e3o de: 1) De que forma a comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica tem garantido o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social para as mulheres quilombolas em Pelotas\/RS e em Porto Alegre\/RS? 2) Quais s\u00e3o os principais canais de di\u00e1logo com as mulheres quilombolas em Pelotas\/RS e em Porto Alegre\/RS adotados pelos equipamentos p\u00fablicos que executam a prote\u00e7\u00e3o social nos munic\u00edpios? 3) A comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica destinada \u00e0s mulheres quilombolas nos servi\u00e7os p\u00fablicos de prote\u00e7\u00e3o social leva em considera\u00e7\u00e3o as realidades socioculturais dessas comunidades? 4) Como os assistentes sociais que atuam nos sistemas de prote\u00e7\u00e3o social avaliam a comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica e o acesso aos direitos sociais das mulheres quilombolas? O objetivo geral do estudo \u00e9 analisar os processos comunicativos e a prote\u00e7\u00e3o social dentro dos territ\u00f3rios quilombolas do estado do RS, a partir da perspectiva das mulheres quilombolas, de assistentes sociais da rede de prote\u00e7\u00e3o social e de informantes-chave (pessoas envolvidas com pol\u00edticas p\u00fablicas para comunidades quilombolas), com o intuito de analisar as a\u00e7\u00f5es relacionadas a esse segmento vulnerabilizado. Os objetivos espec\u00edficos consistem em: 1) Compreender as rela\u00e7\u00f5es estabelecidas entre comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mulheres quilombolas e a prote\u00e7\u00e3o social; 2) Analisar as possibilidades e limites da comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica, no \u00e2mbito da prote\u00e7\u00e3o social e os discursos e pr\u00e1ticas antirracistas, na efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres quilombolas; 3) Identificar como as mulheres quilombolas acessam as informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, atrav\u00e9s dos servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o social; 4) Analisar de que forma assistentes sociais utilizamse dos processos comunicativos para fortalecer os discursos e as pr\u00e1ticas antirracistas na luta por direitos de cidadania das mulheres quilombolas. O estudo orienta-se pelo m\u00e9todo dial\u00e9tico-cr\u00edtico, que estimula a compreens\u00e3o da realidade como essencialmente contradit\u00f3ria e em permanente transforma\u00e7\u00e3o, constru\u00edda por sujeitos hist\u00f3ricos. A escolha desse m\u00e9todo se d\u00e1 pela sua adequa\u00e7\u00e3o ao estudo da realidade social, em fun\u00e7\u00e3o de seu pressuposto ontol\u00f3gico e da perspectiva da totalidade, que \u00e9 central para entender a din\u00e2mica contradit\u00f3ria do real. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua caracteriza\u00e7\u00e3o, a investiga\u00e7\u00e3o constitui-se como uma abordagem qualitativa, que privilegia o contato direto da pesquisadora com o ambiente e a situa\u00e7\u00e3o estudada, por meio do trabalho de campo. O m\u00e9todo de an\u00e1lise adotado \u00e9 a an\u00e1lise cr\u00edtica do discurso (ACD), fundamentada em Teun A. van Dijk. Os resultados apontam para as diferen\u00e7as entre quilombos rurais e urbanos do estudo no que diz respeito ao acesso \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas. Enquanto os quilombos urbanos tendem a ter maior contato com os servi\u00e7os e as pol\u00edticas sociais, os quilombos rurais, muitas vezes mais distantes dos centros urbanos, enfrentam dificuldades ainda maiores em termos de mobilidade e acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Cabe destacar que, em Pelotas\/RS, a exist\u00eancia do Comit\u00ea Gestor Quilombola representa grande avan\u00e7o em termos de acesso \u00e0s pol\u00edticas socais. Balizada nos princ\u00edpios fundamentais, como liberdade de express\u00e3o, autonomia de pensamento, opini\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o social, a comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica deveria emergir como uma ferramenta vital para a express\u00e3o da identidade quilombola e o engajamento nos espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o. A integra\u00e7\u00e3o de ferramentas digitais, como o WhatsApp, na tradi\u00e7\u00e3o oral, n\u00e3o apenas evidencia uma adapta\u00e7\u00e3o cultural contempor\u00e2nea, mas tamb\u00e9m demonstra a interconex\u00e3o din\u00e2mica entre pr\u00e1ticas ancestrais e formas emergentes de comunica\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o estudo aponta para a diversidade das experi\u00eancias das mulheres quilombolas, considerando a interse\u00e7\u00e3o entre g\u00eanero, ra\u00e7a, classe social e gera\u00e7\u00e3o, que frequentemente ampliam as vulnerabilidades dessas mulheres. A conscientiza\u00e7\u00e3o surge como um fator essencial para a transforma\u00e7\u00e3o social, permitindo que as mulheres quilombolas adquiram maior conhecimento sobre seus direitos e se tornem protagonistas na luta pela igualdade racial e de g\u00eanero. A pesquisa tamb\u00e9m destaca que os assistentes sociais enfrentam desafios significativos ao tentar implementar pol\u00edticas p\u00fablicas em comunidades quilombolas, em grande parte devido \u00e0 falta de recursos humanos e materiais, al\u00e9m da escassez de transporte adequado, o que dificulta o trabalho de campo e a efetiva\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o social. Em s\u00edntese, esta pesquisa evidencia a import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica como uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica para a promo\u00e7\u00e3o dos direitos sociais, especialmente para as mulheres quilombolas, e defende que, para a efetiva\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas mais inclusivas, sejam consideradas as especificidades culturais e sociais de cada grupo, fundamental para o combate ao racismo estrutural no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","class_list":["post-65711","tnc_col_55604_item","type-tnc_col_55604_item","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/museuafrobrasilsul\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_55604_item\/65711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/museuafrobrasilsul\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_55604_item"}],"about":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/museuafrobrasilsul\/wp-json\/wp\/v2\/types\/tnc_col_55604_item"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/museuafrobrasilsul\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65711"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/museuafrobrasilsul\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_55604_item\/65711\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":65719,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/museuafrobrasilsul\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_55604_item\/65711\/revisions\/65719"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/museuafrobrasilsul\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}