{"id":287,"date":"2026-09-30T09:48:57","date_gmt":"2026-09-30T12:48:57","guid":{"rendered":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/?page_id=287"},"modified":"2026-09-30T09:48:57","modified_gmt":"2026-09-30T12:48:57","slug":"justo-jose-do-pacifico","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/justo-jose-do-pacifico\/","title":{"rendered":"Justo Jos\u00e9 do Pac\u00edfico"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-top\" style=\"grid-template-columns:31% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"512\" src=\"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-262 size-full\" srcset=\"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-2.png 512w, https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-2-400x400.png 400w, https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-2-200x200.png 200w, https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-2-40x40.png 40w, https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-2-275x275.png 275w, https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-2-205x205.png 205w, https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-2-480x480.png 480w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Data de nascimento: 18\/01\/1852<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Data da morte: N\u00e3o se sabe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Homem preto, nascido em Pelotas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Justo, filho da escravizada crioula Delfina, nasceu em 1852 na cidade de Pelotas, numa escravaria de propriedade de Amaro Jos\u00e9 de \u00c1vila Silveira. Ambos eram escravizados dessa fam\u00edlia senhorial pelotense. A figura de Justo emerge no final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX como uma importante lideran\u00e7a oper\u00e1ria e pol\u00edtica na cidade. Em um contexto de viol\u00eancias associadas \u00e0 escravid\u00e3o e ao racismo, ele reorganizou seu territ\u00f3rio e consolidou a resist\u00eancia atrav\u00e9s da luta oper\u00e1ria. Justo teve dois irm\u00e3os: Anselmo e Pio. Delfina, sua m\u00e3e, fora libertada em 1866 ap\u00f3s a av\u00f3 de Justo ter pago a quantia de 1:500$ mil r\u00e9is a ent\u00e3o senhora Dona Balbina Maria Chaves Silveira, filha do propriet\u00e1rio Amaro Jos\u00e9 de \u00c1vila Silveira. A av\u00f3 de Justo se chamava Balbina, uma mulher preta e liberta. O papel desempenhando por sua av\u00f3 reafirma o papel das mulheres negras na constru\u00e7\u00e3o de narrativas alternativas \u00e0 hist\u00f3ria oficial, enquanto sua atua\u00e7\u00e3o demonstra como alforriadas expandiram possibilidades econ\u00f4micas com o intuito de libertar parentes do jugo da escravid\u00e3o. A luta de Justo era semelhante \u00e0 de sua ancestral, av\u00f3 Balbina. Lutava pela aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o em diferentes associa\u00e7\u00f5es negras em Pelotas e por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida de oper\u00e1rios e artes\u00e3os na Rep\u00fablica. Justo adiciona ao seu nome Jos\u00e9 do Pac\u00edfico quando contrai matrim\u00f4nio na catedral da cidade, S\u00e3o Francisco de Paula, em abril de 1882, Maria Joana, escravizada do Major Jos\u00e9 Dias de Castro. Na ocasi\u00e3o Justo Jos\u00e9 do Pac\u00edfico ainda era escravizado de Dona Balbina Maria Chaves Silveira. No assento do casamento de Justo e de Maria Joana h\u00e1 o reconhecimento de seus tr\u00eas filhos como leg\u00edtimos que se chamavam: Artur, Pio e Delfina. Justo era sapateiro e conseguiu a liberdade do cativeiro pelo Fundo de Emancipa\u00e7\u00e3o do mun\u00edcipio pelotense. Ali\u00e1s, ele e sua esposa Maria Joana foram libertados em 1884, uma vez que o Fundo de Emancipa\u00e7\u00e3o priorizava dar a liberdade aos escravizados casados. Antes mesmo de ser libertado em uma cerim\u00f4nia pelo <em>Clube Abolicionista<\/em> na localidade, ele lutava em prol da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, atuando como presidente da<em> Associa\u00e7\u00e3o Lot\u00e9rica Feliz Esperan\u00e7a<\/em> em 1881, sendo reeleito em 1882. Participou ativamente na Comiss\u00e3o Coordenadora do <em>Centro Ethi\u00f3pico<\/em> no ano de 1884, e se fez presente na diretoria da entidade dos artes\u00e3os negros da sociedade pelotense, a ent\u00e3o Fraternidade Art\u00edstica, permanecendo nesta entidade at\u00e9 1898, como vice-presidente. Em 1888, participou do <em>Centro Cooperador<\/em>, uma associa\u00e7\u00e3o de donos de oficinas de sapatos em que os participantes eram brancos e negros. E posteriormente atuou na forma\u00e7\u00e3o da <em>Liga Oper\u00e1ria<\/em> na cidade. \u00c9 not\u00f3rio destacar que, ap\u00f3s a conquista da liberdade pelo Fundo de Emancipa\u00e7\u00e3o do mun\u00edcipio, ele passou a frequentar as aulas noturnas para homens livres e oper\u00e1rios ofertadas na <em>Biblioteca P\u00fablica Pelotense<\/em> em 1890, buscando letramento e oportunidades melhores para si e para seus companheiros da classe oper\u00e1ria. Afinal, dominar c\u00f3digos de escrita e leitura pertencia ao mundo da liberdade para homens brancos em uma sociedade racializada no final do s\u00e9culo XIX. Nascido escravizado, de origem pobre e preto, o acesso ao mundo das letras nas aulas noturnas da <em>Biblioteca P\u00fablica Pelotense<\/em>, pudesse ofertar a ele a possibilidade de transitar por espa\u00e7os diversos, mesmo em uma sociedade na qual a cor era um estigma enquanto identidade, uma exclus\u00e3o naturalizada. Em 1900 h\u00e1 um registro seu em um epis\u00f3dio de participa\u00e7\u00e3o eleitoral, em que Justo aparece com 56 anos, casado, artista e tendo o nome do seu pai presente, Delphino do Pac\u00edfico. &nbsp;Justo Jos\u00e9 do Pac\u00edfico nasceu escravizado, adentrou ao mundo da liberdade, casou-se com Maria Joana, constituiu fam\u00edlia, lutou pelo fim da escravid\u00e3o e por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e sobreviv\u00eancia da classe oper\u00e1ria negra em Pelotas. A escravid\u00e3o n\u00e3o figura como eixo central da experi\u00eancia desse homem negro, pois a viv\u00eancia dele transcendeu esse infort\u00fanio por interm\u00e9dio da resist\u00eancia como militante de associa\u00e7\u00f5es negras e oper\u00e1rias em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o imposta por uma sociedade racista na sociedade pelotense.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Refer\u00eancias:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GILL, Lorena Almeida; KOSCHIER, Paulo Luiz Crisel. <strong>A fam\u00edlia Santos e outros escritos: <\/strong>escravid\u00e3o e p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o ao sul do Brasil. S\u00e3o Leopoldo: Casa Leiria, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PINTO, Nat\u00e1lia Garcia. <strong>Gera\u00e7\u00f5es de senzala, gera\u00e7\u00f5es de liberdade: <\/strong>experi\u00eancias de liberdade em Pelotas\/RS, 1850\/1888. Tese de Doutorado. Porto Alegre: PPGH UFRGS, 2018. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Nat\u00e1lia Garcia Pinto<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-right is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-ee026ec0 wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/\">Voltar<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":51,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_gspb_post_css":"","footnotes":""},"class_list":["post-287","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/51"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=287"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/287\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":289,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/287\/revisions\/289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}