{"id":246,"date":"2026-09-29T13:11:05","date_gmt":"2026-09-29T16:11:05","guid":{"rendered":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/?page_id=246"},"modified":"2026-09-29T13:47:25","modified_gmt":"2026-09-29T16:47:25","slug":"adao-gerena-de-oliveira","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/adao-gerena-de-oliveira\/","title":{"rendered":"Ad\u00e3o Gerena de Oliveira"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-top\" style=\"grid-template-columns:26% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"512\" src=\"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-254 size-full\" srcset=\"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas.png 512w, https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-400x400.png 400w, https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-200x200.png 200w, https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-40x40.png 40w, https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-275x275.png 275w, https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-205x205.png 205w, https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/wp-content\/uploads\/sites\/30\/2026\/09\/Historias-Pouco-Contadas-480x480.png 480w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Data de nascimento: N\u00e3o se sabe<\/strong><br><strong>Data de falecimento: maio\/1907<\/strong><br><strong>Homem preto, Pelotas\/RS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ad\u00e3o fora um oper\u00e1rio negro e nascera sob a \u00e9gide do cativeiro na cidade de Pelotas na escravaria de Dona Em\u00edlia Nunes Gerena. Foi alforriado por sua senhora em maio de 1884 devido ao bom comportamento durante o cativeiro imposto por outrem. Esse discurso senhorial de conceder a carta de alforria gratuitamente devido aos bons servi\u00e7os prestados pelos escravizados, escondia na realidade o pagamento de anos de trabalho \u00e1rduo de homens e mulheres que experenciaram o processo da escravid\u00e3o, como no caso de Ad\u00e3o. Portanto, a alforria n\u00e3o fora gratuita e tampouco um gesto de bondade senhorial. Este afro-brasileiro participou ativamente de diversas entidades e associa\u00e7\u00f5es negras na sociedade pelotense. Ele era cat\u00f3lico praticante sendo filiado a <em>Irmandade do Sant\u00edssimo Ros\u00e1rio de<\/em> <em>Nossa Senhora<\/em> como mes\u00e1rio. Participou tamb\u00e9m da mesa da diretoria no ano de 1879 at\u00e9 1881 da <em>Irmandade de S\u00e3o Benedito<\/em>. Ao integrar essa rede de associativismo negro, Ad\u00e3o Gerena e demais homens escravizados ou libertos procuravam sociabilidades de resist\u00eancia frente ao mundo hostil da sociedade racializada pelotense tais como: amparo de um irm\u00e3o ou irm\u00e3 que necessitasse de um enterro decente ou mesmo amealhar a quantia necess\u00e1ria para a compra da carta de alforria. Al\u00e9m disso, participar ativamente de irmandades religiosas dava ao sujeito da associa\u00e7\u00e3o status de pessoa de conduta confi\u00e1vel perante \u00e0 sociedade escravista da \u00e9poca. Outrossim destacamos a participa\u00e7\u00e3o de Ad\u00e3o Gerena de Oliveira (que usava os sobrenomes desde o cativeiro) no <em>Centro<\/em> <em>Ethi\u00f3pico<\/em> em 1884, e em outras entidades recreativas negras na cidade como exemplo, o <em>Recreio dos Oper\u00e1rios<\/em> (1888) e o <em>Clube Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio<\/em> (1905). Esta \u00faltima associa\u00e7\u00e3o discutia a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da ra\u00e7a negra no munic\u00edpio pelotense. Essas redes associativas de afro-brasileiros em que Ad\u00e3o Gerena de Oliveira participara tinham o objetivo cerne de lutar contra \u00e0 escravid\u00e3o e lutar por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida para os homens de cor no in\u00edcio da Rep\u00fablica no pa\u00eds. Ad\u00e3o, homem negro, cat\u00f3lico e oper\u00e1rio militante em diversas redes associativas na sociedade de Pelotas morrera em maio de 1906. Lutou bravamente por uma sociedade em que os trabalhadores negros tivessem melhores condi\u00e7\u00f5es de tratamento e de cidadania. Interessante pontuar que a luta de Ad\u00e3o Gerena de Oliveira n\u00e3o era um projeto individual, mas coletivo (sindicato, entidades recreativas negras) que inspirou a sua gera\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios negros militantes, assim como as futuras gera\u00e7\u00f5es na luta por uma sociedade sem discrimina\u00e7\u00e3o racial e por melhorias sociais para o grupo de trabalhadores negros durante a Rep\u00fablica Velha no munic\u00edpio de Pelotas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Refer\u00eancias:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LONER, Beatriz. 1887: a revolta que n\u00e3o houve ou como os abolicionistas se tornaram fiadores da ordem escravocrata. <strong>Hist\u00f3ria em Revista, UFPel<\/strong>, vol. 3, nov.1997, p. 29-52.<br>LONER, Beatriz. Experi\u00eancias e Viv\u00eancias de ex-escravos urbanos na sociedade do trabalho livre: trajet\u00f3rias (in)comuns. In: <strong>I Semin\u00e1rio Internacional de Hist\u00f3ria do Trabalho &#8211; V Jornada Nacional de Hist\u00f3ria do Trabalho<\/strong>. Universidade Federal de Santa Catarina, Florian\u00f3polis, 2010, p. 1-14.<br>PINTO, Nat\u00e1lia Garcia. <strong>Gera\u00e7\u00f5es de senzala, gera\u00e7\u00f5es de liberdade: <\/strong>experi\u00eancias de liberdade em Pelotas\/RS, 1850\/1888. Tese de Doutorado. Porto Alegre: PPGH UFRGS, 2018. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Nat\u00e1lia Garcia Pinto<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-right is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-ee026ec0 wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/historiaspoucocontadas\/\">Voltar<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Data de nascimento: N\u00e3o se sabeData de falecimento: maio\/1907Homem preto, Pelotas\/RS Ad\u00e3o fora um oper\u00e1rio negro e nascera sob a \u00e9gide do cativeiro na cidade de Pelotas na escravaria de Dona Em\u00edlia Nunes Gerena. Foi alforriado por sua senhora em maio de 1884 devido ao bom comportamento durante o cativeiro imposto por outrem. 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