
Data de nascimento: 13 de junho de 1870
Data da morte: 27 de novembro de 1930
Mulher preta, nascida em Porto Alegre
Luciana Lealdina de Araújo, nascida em 13 de junho de 1870, era filha de Napoleão Fernandes de Araújo, um homem livre, e de uma mulher ex-escravizada, da qual não há registro do nome, ambos negros. Ainda que tenha nascido antes da abolição e da lei do ventre livre, Luciana herdou o status de liberdade dos pais. Posteriormente, Luciana se mudou para Pelotas, mas não se tem informações de quando essa mudança aconteceu e se os pais a acompanharam. Nessa época, Pelotas era uma das cidades mais importantes para a economia gaúcha, além de ter uma grande população negra, o que pode ter contribuído para a escolha de viver nessa cidade em específico. É em Pelotas que Luciana tem acesso a vários espaços associativos para pessoas negras, livres, libertas e escravizadas, e concebe a ideia de um espaço educativo que acolhe meninas órfãs, sobretudo negras, já que o Asilo de Órfãs existente em Pelotas na época não as aceitava, e ainda exigia que elas tivessem apadrinhamentos.
Esse projeto saiu do papel quando Luciana foi vítima de tuberculose. Os médicos não acreditavam que ela melhoraria, então ela fez uma prece ao seu santo de devoção, São Benedito, prometendo que, caso fosse curada, construiria um asilo para abrigar meninas pobres, que não faria distinção de cor. Após sua cura milagrosa, em 13 de maio de 1901, foi fundado o Asilo de Órfãs São Benedito. O Asilo não acolhia apenas meninas órfãs ou abandonadas pelos pais ou tutores, mas qualquer menina, entre os 2 e 21 anos, que precisasse de cuidados. Era oferecido comida, vestiário, educação primária, além dos atributos para ser uma boa esposa e dona de casa. Luciana atuou no asilo por 7 anos. Posteriormente se mudou para Bagé com suas três filhas. Lá, fundou em 1909 o Orfanato São Benedito, que acolhia meninas e meninos, além de dirigir uma creche para crianças pobres, de 1922 até 1930, ano de sua morte. Ficou conhecida como Mãe Preta e Mãe Luciana, devido a sua atuação como protetora dos órfãos.
Sua memória se mantém viva, através do Instituto São Benedito, que atende crianças em situação de vulnerabilidade na cidade de Pelotas e através da devoção popular, na cidade de Bagé, onde seu túmulo é local de peregrinação, recebendo placas em agradecimento às graças alcançadas.
Referências:
CALDEIRA, J. dos S., & do AMARAL, G. L. Da filantropia à caridade: a atuação de duas mulheres na educação de meninas pobres (1901 a 1971). Historiæ, 3(2), 116–131, 2012. Recuperado de: https://periodicos.furg.br/hist/article/view/2982, Acesso em: 23 de jan. de 2026.
INSTITUTO SÃO BENEDITO. 117 anos de História! s/d. Disponível em: https://institutosaobenedito.blogspot.com/p/110-anos-de-historia.html. Acesso em: 23 de jan. de 2026.
OLIVEIRA, Fernanda. Luciana Lealdina de Araújo e Maria Helena Vargas da Silveira: história de mulheres negras no pós-abolição do sul do Brasil [LIVRO DIGITAL]. Niterói: Eduff, 2020. Disponível em: https://dspace.unisa.br/server/api/core/bitstreams/4f8f46b4-38b3-4845-bf56-00ac63a73f45/content. Acesso em: 23 de jan. de 2026
Franciele Silva Soares