Também conhecido como Juvenal Morena Penny

Nasceu no dia 15 de janeiro de 1884.

Data da morte desconhecida.

Tipógrafo, pardo, jornalista e proprietário do Jornal A Alvorada

Infelizmente não se tem muita informação sobre a infância dos irmãos Durval, Juvenal e Nina. Juvenal era o irmão do meio. Por diferentes documentos se descobre que o senhor Antônio Baobab, um conhecido ativista e líder social, foi uma espécie de padrinho para os meninos. Ele foi provavelmente o responsável de que eles começassem a trabalhar no jornal Arauto, no qual aprenderam a profissão de tipógrafo.

Nessa época, a recém-inaugurada Biblioteca Pública Pelotense organizava cursos de alfabetização para jovens trabalhadores. Foram encontradas notícias dos irmãos Penny como alunos dos cursos da biblioteca no ano 1899, período que coincide com a presença de Rodolpho Xavier, irmão de Antônio, que será uma das personalidades mais importantes na trajetória do jornal A Alvorada e da história negra de Pelotas. Juntos e com outros amigos eles fundaram o jornal A Alvorada em 1907.

O jornal A Alvorada

Trabalhando à noite nas instalações do Arauto, depois de acabar o turno para criar um jornal com um ideal e com muitas expectativas, foram muitos os companheiros nessa aventura e os seus nomes são lembrados nas páginas do semanário. Quando Durval Penny se afasta para estudar Medicina, o seu irmão Juvenal assume o controle do jornal e mantém firme o timão por mais de 30 anos, muitas vezes pagando com dinheiro do seu próprio bolso o custo de manter o A Alvorada, que no largo da sua trajetória atravessou períodos gloriosos com a direção de Juvenal Moreno Penny, mas também vários momentos complicados de crise econômica, social e política. O primeiro número do jornal A Alvorada foi publicado no dia 5 de maio de 1907 na cidade de Pelotas. Juvenal era um excelente tipógrafo, tinha fama de elétrico, de gestos rápidos, possuía estatura pequena, um ouvido atento e uma língua ferina. Durante praticamente toda a trajetória d’A Alvorada escreveu uma coluna com o pseudônimo de Dr. Pescadinha em que fazia o papel de colunista social e juíz da moral alheia, sobretudo da feminina.

Juvenal, em paralelo a sua atividade de tipógrafo, fundou uma fábrica de fogos de artifício chamada São Veríssimo, em homenagem ao seu antigo chefe no jornal Arauto, o senhor José Veríssimo Alves. Organizava espetáculos pirotécnicos para animar festividades nas quais aproveitava o ambiente para estreitar os vínculos e promover A Alvorada. Combinando essas atividades manteve a publicação da A Alvorada de maneira regular, com épocas de grande esplendor.

Em 1946, Juvenal vendeu o jornal para um grupo de antigos colaboradores e trabalhadores de confiança e a essência do semanário não mudou. Evoluindo com as modas e a tecnologia de impressão, o semanário passou a ter mais páginas de publicidade, se publicavam mais fotos e a parte social ganhou maior relevância, mas os textos críticos continuavam encontrando o seu espaço para reclamar os direitos dos negros. Juvenal seguiu sendo lembrado cada ano no aniversário d’A Alvorada, assim como o seu irmão Durval e Antônio Baobab, o grande mentor de todos eles.

Juvenal deixou ao longo do tempo uma série de textos pessoais nas páginas da Alvorada. Tratava-se de textos políticos, reivindicativos e sociais. Um dos mais importantes, no meu ponto de vista, é o intitulado “Entusiasmando”, em que faz um chamado à juventude para que busque o conhecimento como forma de romper as barreiras da pobreza e da ignorância. No material existe toda uma declaração de princípios relacionados à importância da educação.

Entusiasmando

É a vós, mocidade gloriosa, que venho hoje a me dirigir, «falando mais com o coração que com os lábios».

Sim; é a vós, mocidade pelotense, que venho hoje entoar, alegremente, um hino de excitamento, graças a feliz iniciativa da «A Alvorada» em procurar com que todos os filhos desse abençoado pedaço de terra brasileira, desta fidalga e formosa Princêsa do Sul, iniciem um cômbate decisivo, uma campanha sem tréguas, contra o malfadado analfabetismo que reina no espírito dos nossos irmãos camponezes!

— Nesta época de crise financeira, por que todos nós atravessamos, mais do que nunca precisamos tanto de instrução! E porque? Certo, perguntarás caro leitor e a voz da razão farse-á ouvir serena e magestosa. A luta da vida pela vida, ai está: imensa, terrível, desesperadora!Quantos braços, acostumados, outrora, ao bem estar, se estendem hoje á caridade, implorando tristemente, uma migalhinha de pão! Quantos olhos erguidos para o céu, esperam de Deus, como última esmola, esmola bemfaseja.
– A MORTE! Quantos corpos, caem diariamente, extenuados de fadiga, á superficie plana da terra! E a causa de tudo isso por ventura não será a fome?… Sim; é ela, a devoradôra, a desditosa, a desgraçada, a miseravel fome, que vem destroçar uma por uma, as rosas da nossa mocidade; que vem cobrir de lodo toda a brancura da nossa alma; que vem destruir, por terra, os nossos sonhos, as nossas aspirações! Não, mocidade da minha terra, atentai bem o que disse algures um ilustre mestre: «Onde existe cultura é rarissimo penetrar a fome».

E eu vos suplico: socorrei os incautos, os ignorantes, os pobres de inteligencia, e dá lhes conforto necessario, estendei-lhes um livro, que eles não hão de recusar, e ensinai-lhes a palmilhar sempre e sempre a estrada do bem e da virtude. Assim cumprindo, tereis honrado não só o Rio Grande do Sul, como tambem, a nossa excelsa e amada Patria Brasileira.

«Ita esperatur»

JULIEVAL

Procura estudar, é nos livros que vais aprender a educar-te e a instruir-te, deixando de seres quasi imprestável.

Referências bibliográficas:

GILL, Lorena; KOSCHIER, Paulo (Orgs.). A Família Silva Santos e outros escritos:  escravidão e pós-abolição ao sul do Brasil. São Leopoldo: Casa Leiria, 2019. https://wp.ufpel.edu.br/ndh/files/2019/06/familiasilvasantos.pdf Acesso em 10 de setembro de 2026.

Jorge Penny