• Argemiro Severo Gonçalves (Marcola)

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Existem torcedores pelo Brasil e pelo mundo que foram eternizados por sua paixão incondicional ao clube que torcem e Pelotas não foi exceção. Houve um torcedor na cidade que não somente representou de forma intensa esta paixão pelo clube do coração, como também se tornou uma lenda do futebol pelotense.  Não foi jogador, nem sócio, nem dirigente, mas sua paixão pelo Brasil foi tanta que se tornou um só como ele. Argemiro Severo Gonçalves era seu nome na pia de batismo, mas todos o conheceram como Marcola. Nos anos de 1940, no Colégio Pelotense, começou sua trajetória laboral vendendo balas, pastéis e doces para os alunos, durante o recreio. Já ali a paixão pelo Brasil se manifestava a ponto de não perder uma partida sequer. Depois se transferiu para o Mercado Público onde carregava caixas de frutas e verduras com seu inseparável gorro vermelho e preto dado de presente por uma torcedora do Brasil. Também não dispensava sua velha cachaça que bebia para comemorar as vitórias e afogar as mágoas nas derrotas. Excedia-se às vezes, mas era querido por todos aqueles que passavam pelo Mercado Público devido a seu carisma e alguns até chegavam a dar dinheiro para o almoço que costumava ser um pastel ou mocotó, iguarias que apreciava. Além disso, ajudava outros boêmios a voltar para a casa tornando-se ainda mais querido pelas pessoas. Mas era no Bento Freitas, estádio do Xavante, que Marcola se sentia em casa. Com seu inseparável pandeiro e uma garrafa de cachaça na mão, ele comandava a festa com seus gritos de incentivo aos jogadores na busca pela vitória a cada quarta e domingo. E devido a sua fidelidade comovente com o Brasil, Marcola teve seu nome eternizado na Calçada da Fama Rubro-Negra, em 1997. Contudo, suas forças se perderam aos poucos devido ao alcoolismo e Marcola se transferiu para o Asilo de Mendigos com seu gorro, seu rádio de pilha e sua paixão pelo Xavante, onde faleceu em 2002. Mas recebeu a homenagem merecida de toda a torcida do Brasil no primeiro jogo após sua morte quando gritaram seu nome durante o minuto de silêncio. Assim, com sua intensidade xavante, Marcola tornou-se um dos grandes personagens da história do futebol pelotense. E, também, o principal ícone da torcida calorosa do conhecido Xavante.

REFERÊNCIAS:

AMARAL, Mário Gayer do e OSÓRIO, Sérgio Augusto Gastal. A História dos Bra-Peis.Pelotas: Editora Signus, 2008.
AMARAL, Mário Gayer do. Um Pouco de Marcola, o Torcedor Xavante. Diário do Professor Mário. Disponível em: http://www.diariodoamaral@blogspot.com. Acesso em 6 de out de 2026.
DIAS, Nilo. Xavantes de Ouro. Pelotas: Editora Odisseia, 2019.
EZEQUIEL,Márcio. Dark City, Figuras e Figuraças de Pelotas. Pelotas: Livraria Mundial. 2013.

Mário Gayer do Amaral

Fonte da Foto: Diário do Professor Mário.