
Data de nascimento: Não se sabe
Data de falecimento: maio/1907
Homem preto, Pelotas/RS
Adão fora um operário negro e nascera sob a égide do cativeiro na cidade de Pelotas na escravaria de Dona Emília Nunes Gerena. Foi alforriado por sua senhora em maio de 1884 devido ao bom comportamento durante o cativeiro imposto por outrem. Esse discurso senhorial de conceder a carta de alforria gratuitamente devido aos bons serviços prestados pelos escravizados, escondia na realidade o pagamento de anos de trabalho árduo de homens e mulheres que experenciaram o processo da escravidão, como no caso de Adão. Portanto, a alforria não fora gratuita e tampouco um gesto de bondade senhorial. Este afro-brasileiro participou ativamente de diversas entidades e associações negras na sociedade pelotense. Ele era católico praticante sendo filiado a Irmandade do Santíssimo Rosário de Nossa Senhora como mesário. Participou também da mesa da diretoria no ano de 1879 até 1881 da Irmandade de São Benedito. Ao integrar essa rede de associativismo negro, Adão Gerena e demais homens escravizados ou libertos procuravam sociabilidades de resistência frente ao mundo hostil da sociedade racializada pelotense tais como: amparo de um irmão ou irmã que necessitasse de um enterro decente ou mesmo amealhar a quantia necessária para a compra da carta de alforria. Além disso, participar ativamente de irmandades religiosas dava ao sujeito da associação status de pessoa de conduta confiável perante à sociedade escravista da época. Outrossim destacamos a participação de Adão Gerena de Oliveira (que usava os sobrenomes desde o cativeiro) no Centro Ethiópico em 1884, e em outras entidades recreativas negras na cidade como exemplo, o Recreio dos Operários (1888) e o Clube José do Patrocínio (1905). Esta última associação discutia a representação política da raça negra no município pelotense. Essas redes associativas de afro-brasileiros em que Adão Gerena de Oliveira participara tinham o objetivo cerne de lutar contra à escravidão e lutar por melhores condições de vida para os homens de cor no início da República no país. Adão, homem negro, católico e operário militante em diversas redes associativas na sociedade de Pelotas morrera em maio de 1906. Lutou bravamente por uma sociedade em que os trabalhadores negros tivessem melhores condições de tratamento e de cidadania. Interessante pontuar que a luta de Adão Gerena de Oliveira não era um projeto individual, mas coletivo (sindicato, entidades recreativas negras) que inspirou a sua geração de operários negros militantes, assim como as futuras gerações na luta por uma sociedade sem discriminação racial e por melhorias sociais para o grupo de trabalhadores negros durante a República Velha no município de Pelotas.
Referências:
LONER, Beatriz. 1887: a revolta que não houve ou como os abolicionistas se tornaram fiadores da ordem escravocrata. História em Revista, UFPel, vol. 3, nov.1997, p. 29-52.
LONER, Beatriz. Experiências e Vivências de ex-escravos urbanos na sociedade do trabalho livre: trajetórias (in)comuns. In: I Seminário Internacional de História do Trabalho – V Jornada Nacional de História do Trabalho. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2010, p. 1-14.
PINTO, Natália Garcia. Gerações de senzala, gerações de liberdade: experiências de liberdade em Pelotas/RS, 1850/1888. Tese de Doutorado. Porto Alegre: PPGH UFRGS, 2018.
Natália Garcia Pinto