{"id":285358,"date":"2026-05-02T20:50:58","date_gmt":"2026-05-02T23:50:58","guid":{"rendered":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/discoteca\/?p=285358"},"modified":"2026-05-02T22:38:52","modified_gmt":"2026-05-03T01:38:52","slug":"entrevista-com-o-brasil-eugenio-da-rocha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/discoteca\/entrevista-com-o-brasil-eugenio-da-rocha\/","title":{"rendered":"Entrevista com o Brasil Eug\u00eanio da Rocha"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\"><em><br><\/em>Entrevista com Brasil Eug\u00eanio da Rocha Brito<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Eu me formei engenheiro civil em dezembro de 1953 pela Escola Polit\u00e9cnica de S\u00e3o Paulo. Naquele tempo eu morava em S\u00e3o Paulo. Por 23 anos, morei no mesmo bairro. Cheguei l\u00e1 aos 10 anos e sa\u00ed aos 33. Mas quando me formei engenheiro, eu, tendo sido aluno de minha m\u00e3e, minha m\u00e3e, professora de piano, me deu aulas. Mas&#8230; eu n\u00e3o tinha&#8230; eu gostava muito de m\u00fasica, mas eu era apressado no sentido de querer&#8230; eu n\u00e3o tava querendo ter aulas, que eu achava, assim, tediosas. Eu achava aquilo chato. Eu queria era as m\u00fasicas do Almirante, do Orlando Silva e coisa, p\u00e1 p\u00e1 p\u00e1 p\u00e1 p\u00e1&#8230;<br><\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Da r\u00e1dio, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Da r\u00e1dio. E dos filmes que eu, embora colunista do interior de S\u00e3o Paulo, fui com dois anos e meio de morar no Rio. Morei at\u00e9 os cinco anos e meio no Rio, na Ladeira Santa Tereza. Pra quem conhece o Rio, a Ladeira Santa Tereza, no morro, \u00e9 uma ladeira que desce pelo centro. Ent\u00e3o , o Cinema Rex era o cinema. Vamos dizer, o que passava, tudo de principal na \u00e9poca, ali na \u00c1lvaro Alvin. N\u00e3o existia o Hotel Senador que hoje existe ali. Ao lado de onde hoje t\u00e1 o Hotel Senador havia o Cine Rex. E eu assistia filmes, esses filmes da Broadway, de 33\u2026de 34. Rua 42. Morreu com Eddie Trenton. Esses filmes americanos&#8230; No tempo, vamos dizer, 95% era preto e branco. Raramente aparecia um filme colorido em Technicolor. E esses filmes musicais, n\u00e9? Minha m\u00e3e me levava ao cinema. Eu, tr\u00eas ou cinco anos tava assistindo, ??? entusiasmado. E outra coisa: antes dos filmes, de uma hora e 40, passavam as atualidades brasileiras, not\u00edcias sobre o Brasil e filmes, assim como as americanas. Ou ent\u00e3o, passavam uns filmes curtos, de 10, 15 minutos, da Castle Films, americana, que eram assim: Art Tatum, entendeu? Daniel Rhodes tocando na orquestra, solando \u00e0 frente dela. Ent\u00e3o, eu habituei-me a ver e ouvir essas coisas desde garoto. E achava aquilo, pra mim, pesado, copiando e tocando aqueles versos chatos , n\u00e9? Coisa de que precisava para ter condi\u00e7\u00f5es de tocar, pelo menos, razoavelmente o piano. Bom, deixando isso, quer dizer, eu sempre me interessei por m\u00fasica popular e fui seguindo assim. E, aos 13 anos, j\u00e1 n\u00e3o estudando mais com minha m\u00e3e, fui adquirindo certa habilidade t\u00e9cnica para tocar piano e comecei a tocar de ouvido, como se dizia na \u00e9poca. Eu tirei, e facilmente, uma m\u00fasica que ouvia em filmes ou no r\u00e1dio e tirei no piano. E o seguinte: voc\u00ea, que \u00e9 formado, na parte&#8230; Voc\u00ea \u00e9 formado em qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Sou saxofonista.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Ah \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Sim.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Voc\u00ea que\u2026 \u00e9 o seguinte: as tonalidades de D\u00f3, Sol e F\u00e1 s\u00e3o, vamos dizer, muito favor\u00e1veis pra pessoa iniciante, porque as notas brancas s\u00e3o as notas diat\u00f4nicas, que comp\u00f5em o principal da tonalidade. O Sol tem s\u00f3 um sustenido e o F\u00e1 tem s\u00f3 um bemol. Ent\u00e3o, eram as tradi\u00e7\u00f5es em que eu jogava as coisas que eu&nbsp; pra tocar e tirava. Ent\u00e3o, me lembro que a primeira m\u00fasica que eu tirei foi \u201cRun and Coca-Cola\u201d, dos Andrews Sisters. Meu tio tinha me dado um disco dos Andrews Sisters? Coca-Cola, eu tirei no piano. Pra mim, a m\u00fasica foi uma vit\u00f3ria, n\u00e9? Ent\u00e3o, eu passei, com o tempo, a ser tido, assim, at\u00e9 pelos amigos, como um pianista de coquet\u00e9is!<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; (risos&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Tocava aquelas coisas da \u00e9poca, tal e tal, fosse m\u00fasica brasileira, fosse \u201cAdi\u00f3s Pampa Mia\u201d, um tango; na \u00e9poca, no fim dos anos 40, essas m\u00fasicas estavam no auge. Ent\u00e3o fui, fui por a\u2026. E em 47, 48 eu vim a conhecer uma pessoa que j\u00e1 faleceu, agora, que era quatro anos mais velha do que eu, que morava no mesmo bairro e que era muito, mas muito, interessada em m\u00fasica popular, mas muito mais em m\u00fasica erudita. Era Willys de Castro, que \u00e0 \u00e9poca n\u00e3o tinha nome definido. Ele veio a fazer nome muito depois como pintor, Willys de Castro. Eu tenho at\u00e9 livros dele, n\u00e9? Cole\u00e7\u00e3o de&nbsp; brasileiros tem ele, WdC. E o Willys \u00e9 uma pessoa assim, fora de s\u00e9rie. Ele tinha quatro anos a mais do que eu e era interessad\u00edssimo. Tinha uma cole\u00e7\u00e3o de discos. Na \u00e9poca, os discos eram todos de 78 rota\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, j\u00e1 tinha sinfonias, concertos, \u00f3peras, tudo em discos \u2014 vamos dizer \u2014 tr\u00eas ou quatro discos de 12 polegadas, de bolacha preta.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Temos algumas cole\u00e7\u00f5es l\u00e1, na discoteca.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; 78 RPM. Ent\u00e3o, ele levava para casa; ia \u00e0 minha casa. Na casa dele, al\u00e9m de n\u00e3o ter um equipamento assim t\u00e3o confi\u00e1vel, ele era um dos cinco irm\u00e3os; era o mais velho. Ent\u00e3o, na casa dele n\u00e3o tinha como chegar e ficar num lugar tocando m\u00fasica sem ser incomodado.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Tocar os discos?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Os discos. Ent\u00e3o, ele levava l\u00e1 em casa, n\u00e9? Ele tocava um pouquinho de piano, o Willys. E ele me introduziu. Tinha gente que eu conhecia, compositores que eu conhecia. Esses compositores, como Tchaikovsky, j\u00e1 estavam mais do que em filmes e coisas, at\u00e9 em \u201cFaafins\u201d, do Walt Disney. E as pr\u00f3prias orquestras americanas, como a de Freddy Martin, e o Frank Sinatra gravaram transcri\u00e7\u00f5es da m\u00fasica popular. O Louis Armstrong. Isso eu conhecia e o Bolero de Ravel eu conhecia. Agora, eu n\u00e3o conhecia, essencialmente, nem a m\u00fasica erudita nem a popular. E ele foi de grande valor para mim, o amigo Willys de Castro, porque me despertou o interesse pela m\u00fasica erudita. Eu me lembro da primeira vez que ele me fez ouvir coisas que soaram pra mim, assim, um neg\u00f3cio cacof\u00f4nico. Ser\u00e1 que eu vou aceitar isso um dia? Hoje s\u00e3o m\u00fasicas que eu adoro.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; J\u00e1 tinha come\u00e7ado a cole\u00e7\u00e3o, ou n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o tinha&#8230; Bom, eu ainda tenho o que tenho. Eu tenho uns 300; \u00e9 meu, \u00e9 78.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; 78?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; \u00c9, esses a\u00ed, desses discos, t\u00eam alguns que nunca foram passados para o LP.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Pro LP? Por CD ou&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Nem pro LP&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Mas eram de m\u00fasica erudita, ou n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Nunca passaram nem para LP. Hoje j\u00e1 se encontram, desses discos, alguns apenas no YouTube. Por que \u00e9 o seguinte: tem orquestras como a de Vaughn Monroe, que era famosa na \u00e9poca, mas a m\u00fasica dela \u00e9 muito comercial e, at\u00e9 certo ponto, agradava \u2014 s\u00f3 isso. Agora, ele tem uma grava\u00e7\u00e3o do Vaughn Monroe, \u201cThe Very&nbsp; For a View\u201d , do Renoval, que ele gravou, e \u00e9 uma orquestra\u00e7\u00e3o primeir\u00edssima, um neg\u00f3cio assim, antol\u00f3gico. Ent\u00e3o, isso t\u00e1 guardado. Ent\u00e3o, uma orquestra que muito me interessava veio; isso foi antes de conhecer o amigo l\u00e1, o Willys: a orquestra do Hal McIntyre. HM era \u2014 n\u00e3o sei se voc\u00ea sabe \u2014 o saxofonista de alto saxofone da orquestra do Glenn Miller. E era um dos favoritos, como pessoa. O GM era um sujeito assim, muito, pelo que eu li, muito dele; tem os livros a\u00ed; ele era um sujeito muito de igrejinha, n\u00e9? Ele fazia sua turminha, e tinha os que ele gosta e os que ele detestava, at\u00e9 tolerava na orquestra por que o cara era bom, mas ele n\u00e3o gostava do cara. E o HM era um dos prediletos dele. E ele gostou tanto que se livrou do cara! Se deu o seguinte: ele falou assim: \u201cOlha, voc\u00ea \u00e9 um m\u00fasico t\u00e3o bom, toma dinheiro aqui e monta sua orquestra. Deu arranjos de coisas que ele achava que n\u00e3o se coadunavam com a orquestra dele, do GM; deu os arranjos feitos para HM . E o HM, ent\u00e3o, foi uma orquestra que deveria ser muito mais, vamos dizer, apreciada do que foi, acho. Opini\u00e3o pessoal minha. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 minha, porque j\u00e1 encontrei pessoas que gostam de m\u00fasica e tamb\u00e9m compartilham da mesma opini\u00e3o que eu. E o HM apareceu, isso l\u00e1 por 44, 45, apareceu, 43, acho que foi, apareceu um contrabaixista, que era o&#8230; esse contrabaixista, \u00e9 o seguinte&#8230; o primeiro grande contrabaixista que surgiu no Jazz no tempo do Swing foi Jimmy Blanton, um crioulo, que come\u00e7ou a carreira com 19 e com 23, morreu. JB, em seus quatro anos, tocou na orquestra de Duke Ellington, e o DE gravou um disco, inclusive, s\u00f3 com piano e JB. N\u00e3o saiu bom por causa das condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. E o DE, anos 50, por a\u00ed, gravou com Oscar Pittford, outro baixista na linha do JB, e gravou de novo o disco em homenagem a JB, chamado \u201cFor Jimmy Blanton\u201d. Ele gravou isso e a orquestra do DE montou muitas vezes\u2026 porque a carreira do JB foi muito curta. Inclusive, embora ele tivesse tocado de 19 a 23, teve problemas no meio do per\u00edodo; n\u00e3o p\u00f4de estar sempre presente e revolucionou o baixo. Porque o baixo era um instrumento de simples acompanhamento. Era o lugar da tuba, a tuba de New Orleans virou coisa&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211;&nbsp; Como \u00e9 que o senhor come\u00e7ou a colecionar discos de jazz? Quer dizer, voc\u00ea via alguma big band, chegou a fazer alguma excurs\u00e3o no Brasil, teve algum contato ao vivo ou s\u00f3 pela r\u00e1dio e pelos discos?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; N\u00e3o, era s\u00f3 pela r\u00e1dio, muito pela r\u00e1dio, ouvindo as coisas, tais e quais. P\u00e1! Naquele tempo era diferente de hoje. Antigamente&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Tinha em ondas curtas? Ou n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; N\u00e3o, n\u00e3o&#8230; Voc\u00ea tinha programas de jazz no Jazz Paulo. Tinha programas bons!<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211;&nbsp; Ah, j\u00e1 tocando discos, n\u00e9? Ao vivo?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Discos tocavam. Tinha, inclusive, bons programas. Gente que conhecia, por exemplo, fazia uma an\u00e1lise muito&#8230; pequen\u00eas , que o DE, e coisa&#8230; Eu ouvia isso\u2026 Bom, ent\u00e3o o HM tem coisas fabulosas, como as grava\u00e7\u00f5es dele, que foram comercializadas em um n\u00edvel aediano. E ele fez uma grava\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica, de duas m\u00fasicas, em que ultrapassou as pessoas; os m\u00fasicos surgiram tocando essas m\u00fasicas, as orquestras. Ent\u00e3o, uma foi \u201cSentimental Journey\u201d. SJ foi uma m\u00fasica famosa na \u00e9poca e que foi tema num filme, que tava l\u00e1. SJ era sobre, vamos dizer, o tema da m\u00fasica \u2014 o que a m\u00fasica apresentava \u2014 e tamb\u00e9m sobre o do filme. E a SJ foi gravada com Les Brown, com a Doris Day cantando. A DD era uma desconhecida na \u00e9poca, e apareceu a grava\u00e7\u00e3o dele, do HM, que era 200 vezes superior, viu? Impressionante&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; E o Koellreutter e o Luis Carlos Vinholes, como que eles apareceram nessa hist\u00f3ria da&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Quer que eu acelere mais, \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; N\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 a gente chegar\u2026.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Ent\u00e3o, como eu tava dizendo, o HM fez uma grava\u00e7\u00e3o, a segunda, de renome assim dele, foi \u201cI\u2019m Making Believe\u201d, a m\u00fasica, muito bonita, que foi tema, que foi uma m\u00fasica principal de um dos filmes da Betty Grable, e foi gravado por v\u00e1rios outros, mas ningu\u00e9m fez um arranjo, sequer chegaram perto do que fez o&#8230; Ele fez um&#8230; N\u00e3o foi ele que fez o arranjo; foi o arranjador da casa dele. Fez um arranjo, assim, meio ellingtoniano, em que a tonalidade \u00e9 fugitiva, sabe? Aquele neg\u00f3cio ondula, tal e tal, p\u00e1 p\u00e1 p\u00e1, at\u00e9 definir a m\u00fasica, a melodia, e \u00e9 fabulosa essa grava\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, s\u00e3o essas coisas, por exemplo, de 78 rota\u00e7\u00f5es que eu tenho.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ah, isso \u00e9 o que t\u00e1 no 78?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Ah, isso eu n\u00e3o abro m\u00e3o disso&#8230; Bom, eu tava falando l\u00e1 do amigo, do Willys de Castro. O OC me interessou pela m\u00fasica erudita. O caso desse interesse enorme que eu tenho em m\u00fasica erudita, e eu pensava assim,&nbsp; voltar a estudar, eu quero estudar, n\u00e3o pra ser, eu tinha consci\u00eancia que eu n\u00e3o seria um instrumentista, um pianista , n\u00e3o \u00e9 isso, mas eu queria conhecer mais da m\u00fasica em si, me aprofundar mais na m\u00fasica, ainda mais por dinheiro, assim, conhecer a estrutura da m\u00fasica, achava interessant\u00edssimo isso. E eu lia, nas colunas dos jornais, um dos cr\u00edticos que eu apreciava era o professor Koellreutter, que ele escrevia no Di\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, cr\u00f4nicas, sobre conhecimento&nbsp; sobre m\u00fasica, concertos, recitais, essa coisa toda&#8230;&nbsp; Mas ent\u00e3o, em 52, eu tava no quarto ano da faculdade. Tentei estudar m\u00fasica de novo, buscando o professor da \u00e9poca do meu amigo, do WC, o professor Ernst Kirst, o h\u00fangaro, radicado desde mo\u00e7o em S\u00e3o Paulo, professor de v\u00e1rios m\u00fasicos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Isso j\u00e1 est\u00e1 em S\u00e3o Paulo?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Em 52, eu tentei, mas n\u00e3o deu. N\u00e3o deu pra fazer engenharia junto com a&#8230; N\u00e3o teve jeito. A\u00ed eu sentei l\u00e1 com o professor, digo: \u201cOlha, t\u00e1 aqui, tal e coisa, p\u00e1 (batida de palma)! Outra coisa, eu n\u00e3o concordava com as ideias dele. Ele era muito conservador, e eu j\u00e1 via a m\u00fasica assim pelo lado de, porque eu tinha\u2026 t\u00f4 pulando at\u00e9 uma coisa, que \u00e9 o seguinte, eu, antes de come\u00e7ar a me interessar por m\u00fasica erudita, eu tive essa experi\u00eancia assim, da renova\u00e7\u00e3o na m\u00fasica popular. Nos Estados Unidos houve o Woody Hermann e o Stan Kenton, o SK, pra mim, ainda hoje, tanto \u00e9 que estou dando pra voc\u00ea, eu tenho a grava\u00e7\u00e3o dele, Em S\u00e3o Paulo, eu tenho um amigo, o Armando , programador, que tem a discoteca completa dele, da \u00e9poca, dos anos 30, dos anos 80, do que foi gravado at\u00e9 fora do Brasil, nos Estados Unidos, na Europa, do Stan Kenton. E eu gravei na casa dele, tudo isso,&nbsp; pra voc\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211;&nbsp; Ah, legal!<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211;&nbsp; E&nbsp; em fita cromo, fita K7 cromo. Bom, ent\u00e3o, quando eu me formar engenheiro , vou voltar a estudar m\u00fasica. Fui na escola de m\u00fasica, na \u00e9poca, o pessoal da escola de m\u00fasica tava na&#8230; agora em Teres\u00f3polis, l\u00e1 tinha semin\u00e1rio de m\u00fasica em Teres\u00f3polis, nas f\u00e9rias, ent\u00e3o tava todo mundo l\u00e1, s\u00f3 tinha a secret\u00e1ria&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; O senhor nasceu no Rio? O senhor nasceu em S\u00e3o Paulo?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Eu nasci no interior de S\u00e3o Paulo. Sa\u00ed da minha cidade, onde nasci, h\u00e1 tr\u00eas meses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Foi&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Em Jaboticabal, de onde eu nasci?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; \u00c9.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Sa\u00ed com tr\u00eas meses. Bom, em Limeira, com dois anos, eu sa\u00ed de Limeira pro Rio. Fiquei at\u00e9 os cinco anos e meio e voltei pelo Vale do Para\u00edba, em Ca\u00e7apava. Eu e meus pais, sou filho \u00fanico. Moramos em S\u00e3o Paulo, ali em Ca\u00e7apava at\u00e9, mais ou menos, 1937 l\u00e1, no final, quando fomos pra S\u00e3o Paulo. E ainda voltei, em 37, 38, eu tive problema de\u2026 eu tive coqueluche forte. Meus tios que, eu tenho uns tios muito chegados que, casal sem filhos que gostavam de me raptar. Me levaram de volta pra Ca\u00e7apava dizendo: \u201cOlha, o garoto n\u00e3o t\u00e1 passando bem aqui. Ent\u00e3o eu passei o ano de 38 em Ca\u00e7apava. Bom, voltei pra S\u00e3o Paulo. E, voltando l\u00e1, a coisa, em 54, no come\u00e7o do ano, procuraram, at\u00e9 que l\u00e1 por mar\u00e7o, abril, aqui, e que estavam dispon\u00edveis os cursos l\u00e1, ent\u00e3o eu fui procurar o Koellreutter. Fui l\u00e1 e falei com a secret\u00e1ria, a Flor de Lis, e expliquei minha situa\u00e7\u00e3o. \u201cOh, \u00e9 o seguinte: pra ser aluno dele, voc\u00ea vai me desculpar, mas n\u00e3o \u00e9 assim, n\u00e3o. (risos) Ele vai querer ter uma conversa com voc\u00ea e ver as suas possibilidades, seu interesse, o n\u00edvel de conhecimento que voc\u00ea tem\u201d (breve interrup\u00e7\u00e3o pela chegada da esposa)\u2026 Ent\u00e3o, \u00e9 o seguinte, eu comecei a ser aluno do K, \u00e9, esse contato com o K t\u00e1 bem explicitado at\u00e9 no neg\u00f3cio que o Vinholes tem, e que ele usou at\u00e9 na, uma parte disso ele usou, na Usina de Letras ele colocou um neg\u00f3cio que eu fiz, eu era o que tinha mais cartas do K de todas as pessoas ligadas ao K, ningu\u00e9m tinha o n\u00famero de cartas que eu tinha. Umas cinquenta e tantas&#8230; Ent\u00e3o eu fiz a entrega. O ano que fez agora, 2015, que fez (palma) o centen\u00e1rio dele,&nbsp; eu fiz a entrega de tudo aquilo. Copiei tudo o que t\u00e1 aqui . E fiz um neg\u00f3cio enorme, um relat\u00f3rio que eu chamo de <em>filling<\/em>, de preenchimento. Porque \u00e9 o seguinte, voc\u00ea pega uma carta, quando voltar a carta dele seis meses depois, voc\u00ea v\u00ea s\u00f3 a carta do K pra mim, quando ser\u00e1 que, quando assim, um assunto&nbsp; desconectado com a coisa, Voc\u00ea n\u00e3o tem o contexto da situa\u00e7\u00e3o, voc\u00ea, saber o que aquilo quer dizer, n\u00e3o vale nada, n\u00e3o ficou explicado o que \u00e9, fica perdido na informa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o eu fiz esse preenchimento, esse filling, essa coisa apontando cada coisa, e no meio disso eu contei como \u00e9 o K, como \u00e9 que foi a primeira vez que conversamos, isso eu posso dizer mais concisamente, se poss\u00edvel, que eu era falei que era engenheiro&nbsp; na entrevista com ele, falei dos meus gostos, falei que em 52 tinha tentado fazer engenharia junto com o curso , falei tudo abertamente com o Kirst, achei que o Kirst valorizava a m\u00fasica, eu achava dispens\u00e1vel&nbsp; E ele foi levando a conversa, at\u00e9 que em um ponto ele falou assim: \u201cPois \u00e9, voc\u00ea conhece o fulano, o arquiteto?\u201d. T\u00f4 esquecendo o nome; tava lembrando da figura dele e agora t\u00f4 esquecendo o nome. Foi assim, ele foi secret\u00e1rio estadual aqui de cultura, tal e coisa, e depois vai: \u201cEle foi meu aluno, tal e coisa, p\u00e1, um homem muito inteligente, tal e coisa, foi meu aluno tal e coisa p\u00e1 p\u00e1 p\u00e1 assim, quer dizer, n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que vou ter um aluno (risos) j\u00e1 antecipou, um aluno que \u00e9 engenheiro e tal&#8230;.\u201d E a\u00ed j\u00e1 deu essa dica de que&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R- De que ia aceitar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; E eu comecei a frequentar a escola que era o seguinte, as aulas com K era uma aula duas vezes por semana, \u00e0 noite, aulas particulares com ele. E, aos s\u00e1bados, das duas as seis tinha aulas, coletivas. Das duas \u00e0s tr\u00eas, tinha aulas de an\u00e1lise. A princ\u00edpio, ele me mandou frequentar aula, embora soubesse que eu n\u00e3o iria aproveitar muito porque era aula de n\u00edvel j\u00e1 pros caras adiantados. Das tr\u00eas, a quarta tinha aula de coral. Depois, das quatro \u00e0s cinco, tinha aula de an\u00e1lise, mas a\u00ed, sim, an\u00e1lise pra turma de iniciantes ; a\u00ed eu aproveitava mais&#8230; mas com tempo &#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211;&nbsp; Partitura ou grava\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Por exemplo, coral sim. Como eu j\u00e1 lia piano, n\u00e9, foi f\u00e1cil ampliar a leitura. O piano eu lia, eu estudei, m\u00e9todo Chibon, Zan , ent\u00e3o, tava acostumado a ler m\u00fasica, n\u00e9? Ent\u00e3o&#8230; e as cinco as seis, a \u00faltima das quatro aulas, era aula de est\u00e9tica, era ele mesmo que dava a aula. E no meio dessa turma ent\u00e3o tinha v\u00e1rias pessoas, e um tal de Luis Carlos Vinholes que era, eu tava classificado, minha voz \u00e9 mais de bar\u00edtono, mas como n\u00e3o existe isso, as quatro vozes eram duas mulheres, soprano e contralto, e homens, tenores e baixo. Ent\u00e3o eu fiquei na turma de baixo. Minha voz \u00e9 mais pra bar\u00edtono do que pra tenor. Junto com Klausver , o Klaus Itenhoff , que era l\u00edder do naipe de baixos. E o l\u00edder dos tenores era o Vinholes. E come\u00e7amos a amizade, eu me lembro at\u00e9 a primeira vez que o Vinholes falou comigo, que ele falou, ele me cumprimentou, antes da aula, disse assim \u201cOi&#8230;&nbsp; olha, n\u00e3o vai estranhar o seguinte, eu cumprimentei sem nunca termos nos conhecido, \u00e9 o seguinte, eu vi, a noite, eu sou, voc\u00ea deve saber, eu sou assistente do professor K, eu abri a porta e vi voc\u00ea tendo aula. E aquilo ficou na cabe\u00e7a como voc\u00ea sendo uma pessoa que eu conhecia, embora eu n\u00e3o tivesse, sei l\u00e1, n\u00e3o precisa ser um neg\u00f3cio, assim, na base da coisa inglesa, n\u00e9?\u201d. A piada que saiu na sele\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca. Um navio afundou com uma por\u00e7\u00e3o de gente, ent\u00e3o os caras come\u00e7aram a fazer isso\u2026 e os ingleses ficavam sentados numa torre de urvore. E chegaram pra eles e falaram: O que foi? Disseram: N\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o podemos falar com ningu\u00e9m porque n\u00e3o fomos apresentados! (risos)<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Formel, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Eu falei pra ele, n\u00e3o \u00e9 essa hist\u00f3ria a\u00ed, n\u00f3s temos condi\u00e7\u00e3o de, n\u00e9?&#8230; E ele me confessou, depois de uns tempos, n\u00e3o logo, que ele, pra uma grande parte l\u00e1 da escola, ele era bem-quisto. Porque havia e sempre existem umas panelinhas, n\u00e9? Mas a mesma panelinha que n\u00e3o gostava dele passou a\u2026 comigo foi pior ainda, essa panelinha ficou mais irritada comigo porque, sabendo, foi divulgado l\u00e1, a pr\u00f3pria secret\u00e1ria comentou que o engenheiro, ent\u00e3o acharam que era uma , que era um neg\u00f3cio que vem, um engenheiro. E o Vinholes foi a primeira pessoa, realmente, que chegou a mim e (palmas) ficamos amigos. E, na \u00e9poca, eu tinha me formado engenheiro e tinha um rapaz que acabava de entrar na polit\u00e9cnica e entrou pegando o primeiro lugar. Foi o primeiro colocado no vestibular da Poli, Ant\u00f4nio Galv\u00e3o&nbsp; Novaes. O rapaz n\u00e3o tinha a bagagem musical que eu tinha; n\u00e3o tinha estudado. S\u00f3 tinha entusiasmo e vontade de m\u00fasica. Teve que come\u00e7ar do zero pra ser aluno, mas n\u00e3o do Koellreutter de cara. Porque o K n\u00e3o podia pegar um aluno que n\u00e3o lesse. Ent\u00e3o ele foi esse aluno, parece que do , depois do John . Depois come\u00e7aram os estudos de solfejo do m\u00e9todo de flauta doce, at\u00e9 que se pudesse avan\u00e7ar e chegar a um certo n\u00edvel. E foi com ele, fomos n\u00f3s tr\u00eas, eu, ele e o Vinholes que fizemos a apostila, que at\u00e9 o Maia queria reeditar, que eu votei contr\u00e1rio a ser reeditado porque o seguinte, porque foi feito em 1957.&nbsp; Eu, vamos dizer&nbsp; eu, por exemplo, na Polit\u00e9cnica, pude estudar pro exame vestibular at\u00e9 coisas em n\u00edvel de franc\u00eas, como o Gounod, porque n\u00e3o existia literatura em portugu\u00eas ou espanhol adequada para reconhecimento , na \u00e9poca. Mas era uma \u00e9poca em que voc\u00ea tinha a mesma aula que o seu av\u00f4 tinha. Agora, n\u00e3o. Agora as coisas pegaram uma velocidade . O smartphone surgiu em 2007 e j\u00e1 t\u00e1 sendo amea\u00e7ado de&#8230; Antigamente, n\u00e3o era coisa de 10 anos; era coisa aceita como nova; hoje, 10 anos s\u00e3o coisa de velhice. Ent\u00e3o \u00e9 o seguinte, essa apostila se baseava em conceitos que t\u00e3o mais do que desautorizados, porque como dizia at\u00e9 o comentarista a\u00ed falando sobre pol\u00edtica atualmente na televis\u00e3o, hoje n\u00f3s estamos no mundo digital e &#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211;&nbsp; Mas tem um pessoal que gosta de ser saudosista, assim, n\u00e9? Essa coisa anal\u00f3gica, dessa coisa da m\u00fasica seriada, da m\u00fasica program\u00e1tica, essas ideias assim, elas voltam e me aparecem um pouquinho assim, n\u00e9? Retoma, retomada&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B -\u00c9 importante que isso aconte\u00e7a. Os poetas conversam mesmo; se interessam muito por poesias medievais, por Souza Andrade. Por certo que ele nem \u00e9 conhecido aqui, maranhense, n\u00e9? Souzandrade, ali\u00e1s, o nome dele \u00e9 Souza Andrade e virou Souzandrade (risos). Ent\u00e3o voc\u00ea pega aquele que o&nbsp; dizia que \u00e9 <em>information retrieval<\/em>, e \u00e9 verdade, \u00e9 uma retomada de informa\u00e7\u00e3o. E \u00e9 muito importante isso. Eu cultivo isso. Quando eu falei agora de Hal McIntyre, do Vaughn Monroe, desse pessoal todo que surgiu, e depois surgiu em fun\u00e7\u00e3o dessa&nbsp; que tava pipocando na \u00e9poca, apareceu o m\u00fasico Stan Kenton que se valeu tamb\u00e9m depois do Woody Hermann&nbsp; e ampliou mais ainda, que fez um neg\u00f3cio de m\u00fasica&#8230; pegou o procedimento de m\u00fasica erudita e pegou inova\u00e7\u00f5es puramente jazz\u00edsticas, n\u00e3o tem nada a ver com m\u00fasica erudita, e tratou, e fez o chamado Progressive Jazz na \u00e9poca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; \u00c9, e o jazz avan\u00e7ou muito, tanto quanto a m\u00fasica erudita, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; O Eddie Safranski, aquele de quem eu tava falando naquela hora, foi o cara que&#8230; O Jimmy Blanton morreu, e ficou por isso mesmo&#8230; o cara morreu tocando no DE. Enquanto os caras pegaram o acorde do JB e foram pra frente, o ES n\u00e3o se conformou em fazer s\u00f3 isso. Chegou, foi na orquestra rec\u00e9m-inaugurada do HM, essa&nbsp; do Glenn Miller, e se foi pras cabe\u00e7as na coisa . Foi a primeira vez que se viu uma orquestra com&#8230; voc\u00ea&#8230; o som da orquestra tem&#8230; orquestra e, vamos dizer, contraponto. Em certo sentido, contraponto em aspas, por que n\u00e3o \u00e9 contraponto ao n\u00edvel t\u00e9cnico&#8230; mas \u00e9 uma conversa entre o contrabaixo, que deixou de ser&#8230; o contrabaixo come\u00e7a a dialogar&#8230; inclusive, aquilo que se chama de <em>walking bass<\/em>, come\u00e7ou muito com JB, e o ES usando disso. Quer dizer, da\u00ed pra diante houve n\u00e3o houve&#8230; todo mundo que surgiu depois de ES, tal e coisa e p\u00e1, e at\u00e9 em orquestras come\u00e7aram a adotar as coisas precursoras que foram, principalmente, JB sozinho, pessoalmente. E o HM, pelo ES&#8230; primeiro ponto, o HM foi que, vamos dizer, aceitou o neg\u00f3cio de ser uma orquestra com aquele distintivo, vamos dizer&#8230; Voc\u00ea percebe logo, qual \u00e9 a orquestra que entra a m\u00fasica e entra o contrabaixo na frente, junto com a orquestra, dialogando com a orquestra&#8230; a orquestra como um todo dialogando com o contrabaixo? Era isso.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Era incr\u00edvel, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Era ele.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; E quando o senhor decidiu: \u201cN\u00e3o, vou ter uma discoteca!\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Olha&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ou&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O LP come\u00e7ou no fim de 49. Quando surgiu o LP, um casal em S\u00e3o Paulo chegou dos Estados Unidos e p\u00f4s no jornal que, coisa f\u00e1cil naquele per\u00edodo&nbsp; e LP, tal e coisa, pra vender , deu um endere\u00e7o l\u2026, e eu e o Willys de Castro fomos l\u00e1, e eu com&nbsp; do meu pai, n\u00e3o compra nada! Chegamos l\u00e1, fomos l\u00e1 e logo falamos tamb\u00e9m&nbsp; isso\u2026fomos honestos. Que n\u00e3o \u00edamos comprar, por que&#8230; At\u00e9 o Willys que era mais velho&#8230; o pai dele at\u00e9 proibiu ele&#8230; Eu tinha mal completado 19 anos, n\u00e9? E a\u00ed, ent\u00e3o, foi a primeira vez que eu vi um <em>long play<\/em>. No dezembro de 49, por a\u00ed, surgiram os LPs comercialmente, nas lojas de SP, vendendo&#8230; \u00e9 o seguinte, a Columbia tinha uma s\u00e9rie gravada de discos de 78 que.. a Columbia Masterworks. E eles fizeram o seguinte, passaram tudo que tinham de matriz, em rolo, passaram para LPs e jogaram na pra\u00e7a, porque a Columbia tinha, LP era nome s\u00f3 deles&#8230; Era o nome registrado, patenteado por eles. Tanto \u00e9 que a RCA ficou seis meses sem poder fazer nada, a\u00ed, acertou com a coisa de pagar um royalty e lan\u00e7ou com o nome de Long Play, sem . Ent\u00e3o, os primeiros LPs que eu tenho, e v\u00e3o pra voc\u00eas\u2026 da RCA, o primeiro que eu tive era os cinco de Beethoven; era LP da RCA. J\u00e1 as coisas da Columbia Masterworks, v\u00e1rias, da \u00e9poca, compradas na \u00e9poca&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; A primeira m\u00fasica erudita, eles lan\u00e7aram primeiro&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Sim&#8230; Por que, a princ\u00edpio, quando surgiu o disco , os discos populares demoraram pra sair em LP?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; \u00c9, em 78 j\u00e1&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; J\u00e1, demoraram pra sair em LP, os populares&#8230; e digo mais, saiu nos EU mas consideravam desinteressantes, os&nbsp; &#8230; n\u00e3o saia muito no Brasil, n\u00e3o vendia muito. S\u00f3 quando come\u00e7ou, da\u00ed a uns tr\u00eas, quatro anos, quando come\u00e7ou a ser fabricado no Brasil o LP, come\u00e7ou a surgir, tamb\u00e9m, 10 polegadas&#8230; Eu me lembro at\u00e9 que, um dia, eu cheguei em casa e minha m\u00e3e falou: \u201c\u2014Olha, passou a\u00ed o Elias (um amigo meu) e deixou um presente pra voc\u00ea. Uns discos da \u00c2ngela Maria&#8230; Eu n\u00e3o sabia nem que j\u00e1 existia disco\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Brasileiro?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Brasileiro de&#8230; e ele tamb\u00e9m soube e tal e coisa, assim, e sabendo como eu era, e muito amigo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ent\u00e3o muitas pessoas acabaram colaborando?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Presenteavam, tal e coisa, p\u00e1 p\u00e1 p\u00e1&#8230; Eu fui comprando&#8230; Olha, quando eu me mudei pra Santos, em 63&#8230; eu n\u00e3o teria 50 discos de LP, n\u00e3o&#8230; Eu tinha, eu trouxe uns 100 discos de 78 rota\u00e7\u00f5es&#8230; isso eu trouxe,&nbsp; aguentou o tempo, porque, amigos meus, p. ex., se desfizeram dos discos que eram de 78, com Armando Aflalo, esse, com gravador, com qual gravei todo o Stan Kenton&#8230; Era muito meu amigo\u2026 Ele queria at\u00e9 que eu fizesse um curso no qual ele fosse aluno, vamos dizer, meu, no curso pra&#8230; ele queria aprender, ele queria saber mais de harmonia, o AA&#8230;.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; \u00c9, vai ver se o cara tem o entusiasmo, mas n\u00e3o, n\u00e3o sabe\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Mas e o, o AA t\u00e1&#8230; hoje, faz uns 20 anos que a discoteca dele, que, eu acho que \u00e9 a maior discoteca do Brasil, de m\u00fasica&#8230; de jazz, e de m\u00fasica popular brasileira, parcialmente. Agora, o jazz \u00e9 o interesse dele.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; E o teu tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; H\u00e3?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; \u00c9 o teu tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; \u00c9 muito o meu interesse, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Eu gosto&#8230; p. ex, o Aflalo n\u00e3o pode ouvir rock&#8230; Eu presenteie, gravei coisas especiais em fitas de rolo\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Voc\u00ea tem rock tamb\u00e9m na cole\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Mas muito\u2026no que vai?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; \u00c9 mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Claro&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Eu tenho um professor que vai adorar, porque ele \u00e9\u2026ele d\u00e1 aula de hist\u00f3ria do rock!<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Eu contei isso, que voc\u00ea talvez voc\u00ea n\u00e3o saiba, eu j\u00e1 contei&#8230; t\u00e1 no&#8230; passado a\u00ed no email para o Maia. Seguinte, eu tive um adendo \u00e0 minha discoteca de duas discotecas. Uma pequena discoteca do meu tio, Hermenegildo Rocha Brito. Meu tio HRB foi um dos primeiros r\u00e1dio-amadores do Brasil, e foi fundador da segunda esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio emissora do Brasil, que a primeira foi a Roquete Pinto. A segunda, R\u00e1dio Clube de Santos, foi a segunda, tanto que aqui em Santos, voc\u00ea liga pra R\u00e1dio Clube; ela fala: \u201cR. A., R\u00e1dio Clube de Santos, a pioneira!\u201d. Eles j\u00e1 usam o termo \u201cA Pioneira\u201d, pelo menos, j\u00e1 que n\u00e3o existe a Roquete Pinto\u2026&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211;&nbsp; o comunicador&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; E o meu tio faleceu dois meses antes de fazer 93 anos&#8230; fazer 98 anos&#8230; em 93, ele nasceu em 1895&#8230; em abril, faltava dois meses para, em julho, no dia de S\u00e3o Pedro, ele fazer os seus 98 anos&#8230; E ele tava de sa\u00edda, a filha ia lev\u00e1-lo l\u00e1 pra r\u00e1dio&#8230; ele morava aqui perto. Mas quando eu vim pra Santos, foi por outros motivos. Eu vim pra Santos por raz\u00f5es, duplamente, opcionais e de interesse de fam\u00edlia, vamos dizer. N\u00e3o s\u00f3 o&nbsp; meu. \u00c9 o seguinte: eu achava que S\u00e3o Paulo j\u00e1, no ano em que eu vim, tava muito polu\u00eddo. Eu n\u00e3o conseguia fazer com que as crian\u00e7as brincassem\u2026 Morava perto do Jardim da , n\u00e3o podia brincar no jardim por causa de coc\u00f4 de cachorro, nos lugares que tinha&#8230; eu disse: \u201cOlha, eu gostaria de morar em Santos\u201d, assim, p. ex., onde, nem que for num apartamento perto da praia, que o quintal, \u00e9&nbsp; meu pai, o quintal de casa seria a praia, Eu levaria meus filhos para se derramarem na praia, brincarem&#8230;&nbsp; eu fiz isso. Porque \u00e9 o seguinte, meu pai, foi impressionante nisso&#8230; meu pai, quando eu falei isso foi num domingo almo\u00e7ando, em janeiro, na casa dele. Ele falou assim\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Deixa eu tirar uma foto do senhor.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Ele falou assim: \u201cBrasil, se voc\u00ea fala desse jeito, t\u00e3o importante, t\u00e3o interessante pra voc\u00ea isso, voc\u00ea vai lutar por isso.\u201d. Foi bom. Eu cheguei, eu trabalhava no DAER, como engenheiro , telefonei pro meu tio que sempre morou em Santos, HRB, desde 1918, desde o fim da primeira guerra mundial ele morava, casou-se com uma mo\u00e7a aqui de Santos e nunca mais saiu de Santos. E, telefonei pra ele, e vinha aqui, peguei um dia l\u00e1, trocava l\u00e1, no servi\u00e7o, trocava, quer dizer, eu fazia o plant\u00e3o, no fim de semana, e com isso eu podia faltar um dia. E vim pra c\u00e1 e soube que o servi\u00e7o de \u00e1guas de Santos aqui, recentemente, passou a ser de economia mista. O servi\u00e7o de \u00e1guas de Santos e Cubat\u00e3o, o SASC, era CLT, os funcion\u00e1rios, mas era subordinado ao Departamento de \u00c1gua Sanit\u00e1ria. Quer dizer, os funcion\u00e1rios CLT, num \u00f3rg\u00e3o em que eram majorit\u00e1rios, as a\u00e7\u00f5es, como acionistas, eram do Estado, o propriet\u00e1rio. Ent\u00e3o, tinha boas condi\u00e7\u00f5es de, talvez, vir a trabalhar aqui. E voltei l\u00e1, pra S\u00e3o Paulo, cheguei e falei l\u00e1 pros colegas: \u201cOlha, tive com meu tio l\u00e1, meu tio disse que SASC l\u00e1 em Santos, isso aqui assim assim\u201d, ele disse: \u201cSASC? O Jacoponi, o Cl\u00e1udio Jacoponi, foi nosso colega, voc\u00ea conhece aqui, que agora \u00e9 oficial de gabinete, secret\u00e1rio, ele foi chefe do DE, que chama aqui em Santos, Departamento de Engenharia do SASC\u201d. Tinha o Departamento de Administra\u00e7\u00e3o e o DE, era assim na \u00e9poca. Ent\u00e3o tinha os SE e SA, administrativos. E ele foi o chefe. Ent\u00e3o, eu cheguei l\u00e1, e falei: \u201cJacoponi!\u201d&#8230; Cl\u00e1udio, eu falei Cl\u00e1udio, pelo nome, \u201cCl\u00e1udio, eu tive l\u00e1 em Santos , e tinha interesse em mudar pra l\u00e1, tal e coisa&#8230;\u201d. \u201cVoc\u00ea quer ir l\u00e1 de que jeito? Como Chefe de Se\u00e7\u00e3o?\u201d&nbsp; \u201cPera\u00ed, rapaz! Voc\u00ea t\u00e1 me colocando como chefe de se\u00e7\u00e3o?&nbsp; Nossa, se haveria chance&#8230;\u201d. A\u00ed, ele deu um telefonema, falou com uma pessoa l\u00e1&#8230; \u201cPuxa vida, \u00e9&nbsp; mesmo, por que t\u00e3o atr\u00e1s de um engenheiro, o SASC l\u00e1, da Baixada.\u201d Estavam atr\u00e1s de engenheiro desesperadamente. O engenheiro que foi ocupar o cargo de superintendente de l\u00e1, formado na Poli, que eu conhecia. Formou-se um ano antes de mim. O&nbsp; Mignoni \u00e9 o superintendente e t\u00e1 atr\u00e1s de um engenheiro. Bom, resumindo, n\u00e3o precisei fazer nada. O&nbsp; soube da coisa, pegou meu nome, tal e tal, p\u00e1, tudo por telefone. Nem se lembrava de quem eu era na escola! No dia em que, da\u00ed h\u00e1 tr\u00eas semanas que fomos na sala do secret\u00e1rio de obras para ele assinar o..(palma) a&#8230; pondo minha , Depois da&nbsp; aqui do SASC, continuando eu a ser funcion\u00e1rio do departamento de \u00e1guas e esgotos de S\u00e3o Paulo, funcion\u00e1rio p\u00fablico portanto, foi que ele \u201cAh \u00e9 voc\u00ea?\u201d&nbsp; (palma) ante a sala pra se falar com o secret\u00e1rio. \u201cAh, voc\u00ea \u00e9 do Brasil?\u201d. E eu sabia que ele foi candidato a . Eu conhecia bem o jeito dele. Bom, eu vim parar em Santos, assim, repentinamente, e foi muito interessante pra mim, em todos os aspectos. Quer dizer, para minha fam\u00edlia, isso que eu pensava aconteceu. Foi muito conveniente para meus filhos. Meu filho mais velho, \u00e0 \u00e9poca, tinha cinco anos. A outra tinha um ano e meio; a outra, dois meses. Ca\u00e7ula tinha dois meses; nasceu em janeiro. \u00c9 dia 25 de mar\u00e7o&nbsp; pra trabalhar aqui, na segunda-feira. Ent\u00e3o \u00e9&#8230; eu gostei muito de trabalhar aqui na . Encontrei uma equipe interessante. Quer dizer, o meu superior imediato, era um engenheiro filho de japon\u00eas, j\u00e1 falecido,&nbsp; Tanaka, que era um sujeito assim, \u00e9tico. Era uma pessoa tremendamente competente. \u00c9 \u00e9tico por excel\u00eancia. Dif\u00edcil encontrar uma pessoa igual a voc\u00ea, sabe? Tendo o cargo que ele tinha\u2026. ele sempre ocupou cargos, vamos dizer assim, abaixo , ou seja, ele geralmente era o cara que chefiava todo um \u00f3rg\u00e3o ,sendo o vice do \u00f3rg\u00e3o. E foi assim na reparti\u00e7\u00e3o do saneamento de Santos; foi assim no SASC. O SASC era o Agarton, mas o Agarton , tecnicamente, era um bom engenheiro; era um homem que, primeiramente, era pol\u00edtico, em segundo lugar, era pol\u00edtico. O terceiro lugar era engenheiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Quando o senhor veio pra c\u00e1, como ficou a m\u00fasica nessa atua\u00e7\u00e3o toda a\u00ed, profissionalmente?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Isso, at\u00e9 hoje eu penso que, em alguns aspectos, foram desinteressantes. Alguns aspectos. Para mim foi o seguinte,:que eu tinha, em 60 eu comecei uma amizade muito forte com os Irm\u00e3os Campos e com D\u00e9cio Pignatari. E, ent\u00e3o, est\u00e1vamos sempre em contato, eles vinham na minha casa, eu ia na casa deles, papap\u00e1&#8230; Isso a\u00ed, quer dizer&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Arrefeceu&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Arrefeceu. N\u00e3o. O Augusto continuou\u2026 Naquele tempo o telefone n\u00e3o era como hoje. Eu nem tinha telefone em casa. Anos pra ter um telefone em casa. Mas eu ia at\u00e9 o posto Telefurnas, eu morava na&#8230; andava dois quarteir\u00f5es e meio, vamos dizer&#8230; eu morava ali no&nbsp; &#8230; e ia no posto e falava com Augusto&#8230; e troc\u00e1vamos cartas&#8230; que isso, n\u00e3o havia o&#8230; eram cartas e telefonemas. E o Augusto veio em minha casa, ele e a esposa, hospedaram-se&#8230; n\u00e3o tinha, vamos dizer&#8230;&nbsp; Eu e a&nbsp; dormi com as crian\u00e7as, na \u00e9poca, e ele&#8230; e cedemos o nosso quarto para o Augusto e a L\u00edgia, aqui em Santos. \u00c9, amizade assim, grande.&nbsp; Augusto. O Augusto ficou muito porque, entre o pessoal da poesia concreta, o mais ligado \u00e0 m\u00fasica era ele. Isso ele mesmo diz, no site dele \u00e9 comentado isso. Ent\u00e3o, eu e ele ficamos assim como o\u2026 uma coisa assim, tipo o que come\u00e7ou com Vinholes. S\u00f3 que, com Vinholes l\u00e1 no Oriente, eu possu\u00eda mais, nessa \u00e9poca, do Augusto do que do pr\u00f3prio Vinholes.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211;&nbsp; Mas estudar e tocar? Tinha atividades aqui em Santos pra&#8230;&nbsp; composi\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Aqui em Santo neg\u00f3cio \u00e9 o seguinte, logo que eu cheguei aqui em Santos, no \u00f3rg\u00e3o que eu fui trabalhar, no SASC, tinha um sujeito que era&#8230; se eu pudesse falar 10 pessoas na minha vida que eu acho assim fora de s\u00e9rie..&nbsp; 10 pessoas eram&#8230; Uns quatro eram mais novos do que eu, Cid Marcus Buena Vasques, um rapaz que tinha curso colegial, s\u00f3, n\u00e3o tinha feito faculdade nenhuma, mas um homem de uma cultura imensa, professor na&nbsp; de Informa\u00e7\u00e3o na &nbsp; Cat\u00f3lica, autora de v\u00e1rias coisas, de&#8230; Ele foi quem introduziu a literatura sobre comunica\u00e7\u00e3o. Eu conheci Humberto Eco por meio dele. E ele era, ent\u00e3o, presidente da Comiss\u00e3o de Cultura de Santos. Quando eu vim pra c\u00e1, ele apareceu l\u00e1 no SASC. Ele era assessor do presidente de: \u201cEu sou Cid Marcus. Eu sei quem voc\u00ea \u00e9! Voc\u00ea \u00e9 o autor do artigo da Bossa Nova, tal etal&nbsp; coisa,a p\u00e1\u2026 do jornal, amigo da turma l\u00e1 do \u201d. E fez grande amizade comigo. Ele, no tempo, era noivo da esposa&#8230; da\u00ed, um ano depois, eles se casaram&#8230; e a esposa tamb\u00e9m&#8230; e eles eram amic\u00edssimos nossos&#8230; E a esposa tamb\u00e9m da Rita , amic\u00edssimos nossos, a Tereza Cavalcanti Vasques. E o Cid era uma pessoa de n\u00edvel impressionante, uma cabe\u00e7a impressionante, uma cultura geral tremenda, rapidez de racioc\u00ednio, aquelas pessoas de&#8230; que t\u00eam&#8230; Eu acho que o campe\u00e3o disso na minha vida, pra mim, o campe\u00e3o disso, de ser um sujeito de uma capacidade de\u2026 de rapidez&nbsp; imbat\u00edvel, \u00e9 o D\u00e9cio Pignatari. O D\u00e9cio era tremendo. O D\u00e9cio era uma pessoa&#8230; Esses dias eu tive pensando nisso\u2026 O Augusto e o Haroldo s\u00e3o pessoas fora de s\u00e9rie, competentes, mas muito acima, acima demais da m\u00e9dia, mas n\u00e3o s\u00e3o extraterrestres. Mas o D\u00e9cio era. O D\u00e9cio era um sujeito assim, pra mim, um tipo assim, sei l\u00e1, um Stephen Hawking. Era um cara assim, dif\u00edcil de p\u00f4r em termos, de comparar com figuras mortais. O D\u00e9cio. O D\u00e9cio era um neg\u00f3cio impressionante. E o D\u00e9cio tinha uma coisa impressionante:\u00e9 dele o seguinte: o D\u00e9cio, ao lado disso, de ele ser super antenado, super inteligente, ele tem uma capacidade de compreender as coisas que n\u00e3o eram, vamos dizer, do mundo dele. Ele era uma pessoa que, facilmente, sabia mudar\u2026 Um exemplo. Ele foi \u00e0 casa um dia. Ele veio ser padrinho de casamento aqui em Santos. E o sujeito era amic\u00edssimo meu porque&nbsp; era funcion\u00e1rio da SBS na \u00e9poca, que depois virou SABESP. E o D\u00e9cio veio. Eu morava pertinho da igreja onde foi o casamento de que ele foi padrinho. Da igreja aqui do . E a festa foi um fiasco. Passaram comida estragada, comida\u2026 p\u00e3o era p\u00e3o de dois, tr\u00eas dias atr\u00e1s, n\u00e3o. O sandu\u00edche&#8230; ningu\u00e9m, todo mundo largou tudo, bebida&#8230; A bebida era Polincola, xarope de Coca-Cola com \u00e1gua, n\u00e9? Ent\u00e3o todo mundo largou, e o D\u00e9cio tava&#8230; O D\u00e9cio \u00e9 um sujeito assim, terr\u00edvel, sem papas na l\u00edngua. Caj\u00e1 come\u00e7ou a falar coisas terr\u00edveis l\u00e1 na festa. Pensei e falei, escuta, tamos a 150 metros da minha casa, vamos l\u00e1 em casa, voc\u00ea janta com a gente. Ele falou assim: \u201cVou topar\u201d. Ele j\u00e1 conhecia bem a Rita desde S\u00e3o Paulo. Desde Santos, ele vinha aqui. Havia reuni\u00f5es com o pessoal de Artes aqui, na casa do Cid Marcus&#8230; Tinha um chargista da Tribuna chamado Dido. Ent\u00e3o tinha uma rela\u00e7\u00e3o grande com ele assim, n\u00e3o dependiam de ir a S\u00e3o Paulo s\u00f3. Ele vinha a Santos muito aqui e nos encontrava. E fomos pra casa\u2026Chegou l\u00e1\u2026 E al\u00e9m de ele sair de l\u00e1, chegou o casal de amigos da Rita, o promotor de justi\u00e7a aqui de Santos, o Haroldo, e a Cida, que morreu tr\u00eas dias atr\u00e1s. A Cida chegava em casa\u2026&nbsp; Participaram do jantar com a gente, coisa e tal. E percebeu logo o seguinte, quer dizer, n\u00e3o era pra ter uma conversa normal, assim, deixando&nbsp; pra escanteio. N\u00e3o precisou dizer nada pra ele. Ele come\u00e7ou a falar sobre vinho com o Haroldo Costa, promotor, que era en\u00f3logo. Conhecia vinhos; D\u00e9cio conhecia, nossa! Impressionantemente. Ent\u00e3o ele come\u00e7ou a falar sobre isso\u2026&nbsp; Na hora&#8230; ele mudou a sintonia da coisa&#8230; Jogou na outra clave, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Jogou pra torcida.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; O assunto pra incorporar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; O pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; E depois suscitou-se, o Haroldo e a esposa, a falecida Cida, ficou sentada com a Rita no sof\u00e1 na sala, um pouco maior que essa , onde eu morava, e ficamos na mesa, ficamos eu, o Dido, chargista, e o Cid Marcus, e come\u00e7ou&#8230; A\u00ed come\u00e7ou o assunto de&#8230; A\u00ed rolava o assunto de artes\u2026 A\u00ed, virou outra coisa\u2026 Ele sabia como tratar as coisas\u2026 Os assuntos e as pessoas&#8230; De forma alguma ele causou qualquer embara\u00e7o pra mim e pras pessoas&#8230; Ele era assim.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Vamos dar uma olhada na&#8230;&nbsp; T\u00f4 curioso (risos)\u2026 (Deslocamento para visitar a discoteca doada)<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211;&nbsp; houve um erro na avalia\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ah, sim,<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211;&nbsp; Nem fui eu que fiz esse c\u00e1lculo de&#8230; grande&#8230; isso foi feito por pessoas que frequentavam minha casa&#8230; Oh, isso tudo, o que t\u00e1 daqui pra cima, vai com voc\u00eas\u2026 Daqui pra baixo n\u00e3o tem nada a ver com&#8230; S\u00e3o livros; \u00e9 coisa da minha m\u00fasica, n\u00e9?&nbsp; Isso tudo\u2026 aqui ta mais ou menos separado, mais ou menos, l\u00e1 em cima \u00e9 m\u00fasica erudita. Aqui, tamb\u00e9m tem m\u00fasica erudita&#8230; por exemplo&#8230; T\u00f4 cedendo tudo isso &#8230; , Debussy&#8230; a \u00f3pera inteira&#8230; Tem coisas dif\u00edceis de se encontrar hoje, de Frank Sinatra, \u00e1lbuns de Tom Jobim&#8230; E outras coisas: o seguinte, aqui, por exemplo, voc\u00ea pode achar: pra que isso? \u00c9 o seguinte: eu posso continuar, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Sim, t\u00f4 ouvindo.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Isso aqui, voc\u00ea fala, que \u00e9 que \u00e9 isso?&nbsp; \u00c9 o seguinte. Houve v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es que vendiam s\u00f3 nas bancas de jornal, como A Hist\u00f3ria da M\u00fasica Popular Brasileira\u2026 Eu tenho, acho que tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es. A primeira foi anos 60 ainda, e n\u00e3o&#8230;&nbsp; O disco \u00e9 t\u00e3o desproporcional \u00e0 capa que n\u00e3o convinha voc\u00ea deix\u00e1-lo na capa, ent\u00e3o eu deixei\u2026 Os discos t\u00e3o separados por aqui&#8230; Ent\u00e3o os discos est\u00e3o aqui e as capas, fora. Isso \u00e9 algo que voc\u00eas v\u00e3o ter que verificar l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; E tem alguma ordena\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; A ordena\u00e7\u00e3o aqui t\u00e1 meio prec\u00e1ria. Aqui, por exemplo, \u00e9 jazz, come\u00e7ando pelos saxofonistas\u2026 Eu t\u00f4 mandando as coisas mesmo. Cannonball Adderley, Paul Chambers. Tem o Paul Desmond, gosto muito do &#8230; Eu tive, quando me aposentei, voltei a estudar sax, mas n\u00e3o deu certo. O sax ficou preto! H\u00e1 menos de um ano eu dei o sax que eu tinha, um sax alto; eu dei pro meu neto, teu xar\u00e1, o Rafael\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ah, \u00e9? E t\u00e1 tocando?<\/p>\n\n\n\n<p>B Ele t\u00e1 come\u00e7ando a estudar,l\u00e1 no Rio. Ele mora no Rio\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>R \u00b4Paul Desmond?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Paul Desmond&#8230; Art Pepper &#8230; Conhece o Art Pepper?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Sim&#8230; \u00c9, tem muitos saxofonistas\u2026..<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Esse \u00e9\u2026 \u00e9 demais, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ah, ent\u00e3o voc\u00ea pode me dar esse, a\u00ed e a gente faz o registro. Por que, se for saxofones, a\u00ed fica&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; O AP \u00e9 &#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; A gente faz a foto aqui, pera\u00ed\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; O AP \u00e9, pra mim, o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Com os discos de saxofone&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; O AP.. os tr\u00eas saxofonistas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Sim, vou fazer uma foto assim com o&#8230; os discos&#8230; de saxofone&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; S\u00e3o o PD e o AP&#8230; considerando que o PD tem um, vamos dizer, &#8230; que ocorre em paralelo ao Chet Baker&#8230; um som meio aveludado&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211;&nbsp; Take Five?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Ele n\u00e3o \u00e9 um m\u00fasico t\u00e3o completo, em certos aspectos, como o Lee Konitz ou como o pr\u00f3prio AP. Eu acho esses dois mais m\u00fasicos do que ele, do que o PD. Agora, o Desmond \u00e9 imbat\u00edvel, numa balada, assim, conseguir aquele som assim, aveludado.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Vamos tirar uma foto aqui ent\u00e3o, para mandar pro&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Pro Vinholes&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Isso&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Esse cara nasceu em 1927. T\u00e1 vivo ainda, ent\u00e3o\u2026 Setembro de 1927. E em 97 ele tava aqui em S\u00e3o Paulo no show do Free Jazz Festival, foi no ano&#8230; N\u00e3o disseram nada, e eu sabendo, naquele dia, tendo a ficha dele, eu sabia que aquele dia&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Que ia tocar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Era o anivers\u00e1rio dele\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; (risos) Ah, e essa aqui \u00e9&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Isso eu vou mostrar pra voc\u00ea&#8230; o seguinte&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Essa se\u00e7\u00e3o a\u00ed eu vou&#8230; ter um cuidado especial (risos)<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Tem sax e tem pist\u00e3o&#8230; Tem trombone&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Interessante o senhor separar por instrumento&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; T\u00e1 mais ou menos separado por instrumento.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ah, que legal&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Eu sou muito f\u00e3 do&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Tamb\u00e9m numa ordem alfab\u00e9tica, n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; N\u00e3o&#8230; Tem ordem assim, seg., p. ex&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Mas o senhor sabe onde est\u00e1 cada disco?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; \u00c9&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ent\u00e3o, \u00e9 isso que eu&#8230; \u00e9 isso que \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o: a gente tem que preservar a ordem que t\u00e1 aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211;&nbsp; O lugar \u00e9 uma desordem, viu?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; \u00c9 mais, mesmo sendo uma desordem..<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Mesmo porque \u00e9 o seg.. eu te falei&#8230; duas pessoas&nbsp; eu&#8230; eu peguei v\u00e1rias discotecas&#8230; do meu tio, quando faleceu, qd, as minhas primas me chamaram l\u00e1 e me falaram: \u201cleva o que voc\u00ea quiser&#8230;\u201d&nbsp; fato \u00e0 parte. E quando morreu tamb\u00e9m um (palma) grande amigo meu, 20 anos mais novo que eu&#8230;&nbsp; podia ser um irm\u00e3o mais novo&#8230; tamb\u00e9m solteir\u00e3o e filho \u00fanico&#8230; os pais dele me chamaram e falaram assim: olha&#8230; por que ele era card\u00edaco e j\u00e1 tinha dito para os pais&#8230; chama o Brasil e (palma) leva o que ele quiser&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; E isso vai chegar at\u00e9 Pelotas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; A\u00ed, eu j\u00e1 tinha muita coisa em Rock. Mas eu n\u00e3o tinha, p. ex., 10 LPs do Bob Dylan, eu n\u00e3o tinha&#8230; 10, 12&#8230; e t\u00e3o a\u00ed&#8230; veio tudo dele.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Foi crescendo a cole\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Foi assinado, n\u00e9? Voc\u00ea t\u00e1 perguntando como foi? Aqui, p. ex., aqui e ali, fazem parte, j\u00e1 s\u00e3o segunda e terceira gera\u00e7\u00f5es&#8230; h\u00e3&#8230; Aqui \u00e9 Jazz\u2026 Isso \u00e9 comprado em banca\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ah, t\u00e1. Esses n\u00e3o s\u00e3o os mais antigos?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; As coisas mais antigas que eu tenho l\u00e1\u2026 s\u00e3o m\u00fasica erudita, l\u00e1 em cima\u2026 e tamb\u00e9m o jazz\u2026&nbsp; Eu s\u00f3 queria dizer pra voc\u00ea o seg&#8230; Eu tenho m\u00fasica tamb\u00e9m, evang\u00e9lica, que eu acho interessante ser inclu\u00edda, porque \u00e9 o seg&#8230; pq tem categoria&#8230; tem coisas que s\u00e3o, puramente, dispens\u00e1veis. Mas essas que t\u00e3o aqui, que eu tenho, eu considero&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; O senhor descartou muita coisa? O senhor guardou&#8230; o senhor guarda as coisas que gosta somente, ou n\u00e3o, o senhor guarda tudo que vem&#8230; ou o senhor descarta o que n\u00e3o gosta?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Olha, geralmente, p. ex., ao comprar, s\u00f3 o que eu gosto&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Claro&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Quando eu fui tamb\u00e9m, agora, pegar as coisas do , tbm peguei o que eu gosto, s\u00f3&#8230; Agora, eventualmente, aparecem coisas que eu n\u00e3o tenho tanta&#8230; Mas, o interesse \u00e9 de, inclusive, conhecer mais, aquilo, pra voc\u00ea fazer um ju\u00edzo&#8230; \u00e0s vezes voc\u00ea faz um ju\u00edzo apressado de &#8230; Agora, tem coisas aqui que eu acho que&#8230; aqui, t\u00e1 por aqui&#8230; m\u00fasica popular brasileira&#8230; Almirante&#8230; Noel Rosa&#8230; aquela turma daquele tempo, pessoal do choro, chorinho, etc, p\u00e1&#8230; Tem muita coisa assim de&#8230; de disco&#8230; e discos, LPs, at\u00e9 relativamente novos, que foram&#8230; existem umas gravadoras, n\u00e9? que&#8230; Aqui, p. ex. Aqui, orquestra de jazz&#8230; as big bands&#8230; ent\u00e3o&nbsp; Sammy Kaye, Will Bradley,&nbsp; eram popular\u00edssimos. Harry James&#8230; Eddie Daniels, clarinetista&#8230; Wayne Shorter,..&nbsp; Jones &#8230; Claude Thornhill&#8230; esse aqui&#8230; com duas orquestras que o Glenn Miller fez a vida dele&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; \u00c9, ele gerou, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Foi o Hal McIntyre e o Claude Thornhill&#8230; CT era tamb\u00e9m&#8230; cupincha dele&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Maravilha&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Ontem mesmo peguei aquele, Andrea \u2026&#8230;Esse aqui \u00e9 um disco raro, da \u00e9poca em que surgiu o LP!<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Que maravilha&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Isso \u00e9 raro, esse disco&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Puxar, aqui&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Engra\u00e7ado, n\u00e9? O jeito&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ia ficar um envelope mesmo\u2026 T\u00e1 muito bem conservado<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; At\u00e9 a&#8230; realmente a,,, n\u00e3o foi poss\u00edvel de&#8230; conseguir uma.., manter isso aqui muito limpo porque&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Porque \u00e9 dif\u00edcil, inclusive, voc\u00ea limpar&#8230; N\u00e3o \u00e9 um neg\u00f3cio muito f\u00e1cil\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Fechando o envelope&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Eu tive, essa semana&#8230; eu t\u00f4, j\u00e1 t\u00e1 me deixando&#8230; mas eu tive um resfriado muito forte&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ah \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Eu t\u00f4 na fase de&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; De recupera\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; De t\u00e9rmino. De t\u00e9rmino da coisa, eu tava&#8230; Tava muito tomado\u2026 meus sinus? aqui? Tava inchado aqui, de tanto&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Nossa&#8230; L\u00e1 em Pelotas&nbsp; eu t\u00f4 adorando&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Aqui eu tenho rock tamb\u00e9m, de que eu gosto muito. Eu gosto muito do rock, gosto muito do Led Zeppelin&#8230; t\u00e1 indo pra voc\u00eas, o que eu tenho do Led Zeppelin. S\u00f3 ficou um do Led Zeppelin que tinha uma dedicat\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ah \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Foi um disco doado pra mim, o LZ 4, que \u00e9 o que, vd, o mais popular entre aspas, que \u00e9 Stairway to Heaven, tec&#8230; Ent\u00e3o, esse foi dado por um amigo, t\u00e1? A dedicat\u00f3ria (palma). Mas o resto todo, o um, o dois, o tr\u00eas, o cinco do LZ tamb\u00e9m t\u00e1 indo pra voc\u00ea\u2026. Tamb\u00e9m, uma orquestra de que eu gosto muito, o pessoal da Costa Oeste, do rock, que \u00e9 o Jefferson Airplane, que eu acho fora de s\u00e9rie. J\u00e1 \u00e9 coisa de primeir\u00edssima linha\u2026 Outra coisa do rock que eu gostava muito, e que ali\u00e1s o Medaglia tamb\u00e9m, j\u00e1 tive at\u00e9 em contato com ele, o JM, sobre esse assunto, que ele escreveu na revista sobre isso, o Rock Progressivo que \u00e9 a turma do Yes, do Pink Floyd, do King Crimson, n\u00e9&#8230; T\u00e1 indo pra voc\u00eas tamb\u00e9m, essas coisas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Eu acho que, com o que a gente tem, vai dar certinho&#8230; (risos)<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; E&#8230; tem aqui do&#8230; como eu tava te falando n\u00e9, tem m\u00fasica da&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ah, ainda tem mais discos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Esse disco da F\u00e1tima Guedes, como \u00e9 interessante, esse disco.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Tipo um \u00e1lbum&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Isso aqui veio da cole\u00e7\u00e3o do falecido &#8230; Peguei 300 discos dele&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Que \u00f3timo&#8230; Ent\u00e3o o senhor calcula que tem 2500?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; N\u00e3o, 2200 pra baixo, porque \u00e9 o seg. Eu fazia a contagem pela coisa\u2026 Aqui a ocupa\u00e7\u00e3o, eu confundia&#8230; Tinha coisa ocupada, mas parecia&#8230; na hora de fazer a coisa de tirar, tinha a tal de abstra\u00e7\u00e3o&#8230; olha, isso aqui, p. ex. E o seg&#8230; eu mandei at\u00e9 por email&#8230; aqui tem&#8230;&nbsp; uma dessas caixas tem o Stan Kenton.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ah t\u00e1. K7&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Nas caixas pl\u00e1sticas&#8230; E aqui, pra completar, isso vai com voc\u00eas\u2026 Escrito, feito por minha letra, mas bem&#8230; bem leg\u00edvel, tudo o que tem, e voc\u00ea pega l\u00e1 \u00e9 pela ordem, um, dois, tr\u00eas, quatro em romano&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Mas como t\u00e1 a ordem no disco?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; N\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ah, os K7&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Os K7, 1, 2 e 3 tec&#8230;t\u00e1 seguindo ordem aqui&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Maravilha&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; T\u00e1 tudo&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Em K7 n\u00e3o tem como ter informa\u00e7\u00e3o n\u00e9 .\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Agora eu t\u00f4 mandando pra voc\u00eas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Sim&#8230; Isso s\u00f3 dos K7?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; E aqui tem dois tape decks, que talvez n\u00e3o funcionem 100% hoje, mas \u00e9 f\u00e1cil corrigir\u2026 A fia\u00e7\u00e3o t\u00e1 muito&#8230; os cabos RCA para passar de uma coisa pra outra, esses cabos j\u00e1 tavam&#8230; isso, \u00e9 interessante pegar uns novos&#8230; e tamb\u00e9m o seg.. Mais interessante de usar isso aqui, em vez de caixa ac\u00fastica, a gente usar o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; O headphone&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Mesmo porque o seg&#8230; O ambiente de discoteca, isso aqui pode chegar l\u00e1 e&#8230; ent\u00e3o, ouvir o neg\u00f3cio e &#8230; Ent\u00e3o, tem aqui um amplificador, n\u00e9? Tem isso aqui que \u00e9 um VHS. T\u00f4 mandando um VHS pra voc\u00eas\u2026 T\u00e1 em bom estado, o VHS&#8230; Isso aqui \u00e9 o exemplo da coisa, n\u00e9? Isso aqui t\u00e1 s\u00f3 a cap;, o disco t\u00e1 ali.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; T\u00e1 ali, ah t\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; T\u00e1 vendo&#8230; Isso \u00e9 uma das coisas que&#8230; tavam&#8230; E aqui&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Esses VHS s\u00e3o o que?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Isso aqui, tudo isso aqui \u00e9 pra voc\u00eas!<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Mas isso aqui \u00e9 o qu\u00ea? \u00c9 uma grava\u00e7\u00e3o de m\u00fasica?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Tem coisa aqui que t\u00e1&#8230; \u00e9 virgem ainda&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Mas \u00e9 grava\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; N\u00e3o, isso aqui \u00e9 virgem.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; N\u00e3o, mas o que tem gravado s\u00e3o m\u00fasicas?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; T\u00e1 aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Mas \u00e9 m\u00fasica?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; \u00c0s vezes \u00e9 filme, \u00e0s vezes \u00e9 m\u00fasica\u2026O que achar que interessa, voc\u00ea faz como bem entender.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Eu tava achando que era uma m\u00e1quina, um toca disco de rolo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; De rolo, o que eu tinha h\u00e1 muito tempo j\u00e1 foi\u2026 N\u00e3o tava em condi\u00e7\u00f5es j\u00e1&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; \u00c9 muito dif\u00edcil encontrar um que funcione bem, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Pois \u00e9\u2026 Aquilo \u00e9 volumoso, o tamanho&#8230; Tava dando problema . Ent\u00e3o, o que vai ter que carregar amanh\u00e3 \u00e9 tudo o que t\u00e1 aqui e tudo o que t\u00e1 daqui pra cima.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Da\u00ed pra cima&#8230; T\u00e1 \u00f3timo.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Tudo que t\u00e1 daqui pra cima&#8230; Temos aqui&#8230; Aqui, p. ex. existem, oh&#8230; isso aqui das sele\u00e7\u00f5es do Reader\u2019s Digest, lan\u00e7ou isso&#8230; Interessante&#8230; era comercial, mas interessante&#8230;Tinha v\u00e1rias faixas&#8230; Tinha m\u00fasica, vd, m\u00fasica jazz, m\u00fasica centro-americana&#8230; Essas coisas que eu acho interessante&#8230; Aqui, p. ex&#8230;. Frank Sinatra. Esse \u00e9 o disco&#8230; Isso \u00e9 bem antigo, do tempo do&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Maravilha&#8230; E \u00e0s 78 rota\u00e7\u00f5es, o senhor guarda onde?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Os 78 est\u00e3o aqui. 78 eu tenho&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; A gente tem uma cole\u00e7\u00e3o de 4000 discos&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Ah, \u00e9? Eu tenho uns 300, mais ou menos\u2026.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Que era da Biblioteca P\u00fablica de Pelotas, e a\u00ed acabou ficando com a gente&#8230; ai, que maravilha&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; &#8230; Isso \u00e9 o que eu tenho mais&#8230; \u00e9 disco de&#8230; ali dou outro lado, p. ex., tem assim&#8230; mais, \u00e9 disco, \u00e9&#8230; vd, \u00e9 sinfonias, concertos tec que, quando ainda era tudo em discos de 78&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; E de jazz, o senhor tem tamb\u00e9m? O Jazz? Os discos de 78 de Jazz?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; \u00c9, a maior parte \u00e9 jazz\u2026 Pouca coisa \u00e9 m\u00fasica popular brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; \u00c9 mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; 90% \u00e9 jazz. Como eu te falei, Hal McIntyre, Vaughn Monroe\u2026 essas grava\u00e7\u00f5es, assim, que foram \u00fanicas, n\u00e9? De sujeitos que n\u00e3o foram t\u00e3o bons m\u00fasicos, etc, mas que, de repente, aconteceu de emplacarem um neg\u00f3cio especial.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; E o senhor escuta essas grava\u00e7\u00f5es ou n\u00e3o escuta mais?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Hoje, como eu te disse, at\u00e9 pouco tempo eu&#8230; eu tenho&#8230; na sala eu tenho o long play, e aquele, aqui o 78, aqui&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Ah, o senhor ainda tem?<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Tenho. Esse eu tenho pra tocar o disco. E eu mantenho ainda tamb\u00e9m ainda o tape deck pra ouvir a fita ainda, algumas fitas que, que eu tenho assim, que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o, que s\u00e3o mais interessantes de eu ter, p. ex., eu pensava, a principio que, Stan Kenton, eu sou apaixonado por SK, mas eu pensei, \u00e9 muito mais interessante eu doar toda essa cole\u00e7\u00e3o de SK, e ouvir SK&#8230; Hoje eu j\u00e1 tenho CDs..Eu tenho j\u00e1 SK passado pra CD&#8230; E tamb\u00e9m, isso que eu pe\u00e7o&#8230; \u00c9 isso que eu falo pra voc\u00eas\u2026com o tempo, mais adiante l\u00e1, eu, estando mais perto da minha partida daqui, da vida, \u00e9 o seg., talvez, muita coisa eu ainda possa, CDs\u2026 CDs eu&nbsp; tenho bastantes CDs, e eu tenho CDs, isso aqui, p. ex. \u00c9 mais da turma de casa, n\u00e9? Os que est\u00e3o aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Claro, \u00e9 que amanh\u00e3 vem um caminh\u00e3o, n\u00e9? O que a gente conseguiu levar pra l\u00e1&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; O que vai, ent\u00e3o, \u00e9 isso e isso, daqui pra (tosses). Isso aqui s\u00e3o livros, coisas que v\u00e3o nas pastas.<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Sim, eu acho que d\u00e1; tem bastante espa\u00e7o assim, \u00e9 s\u00f3 a gente se acomodar bem. O rapaz deve chegar a\u00ed na parte da manh\u00e3, no final do&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; O que eu&#8230; o c\u00e1lculo que eu fa\u00e7o \u00e9, aproximadamente (tosses)&#8230; \u00c9 o seg. aqui. Normalmente, cada casulo desse \u2014 eu chamo de casulo \u2014 cabe 50 discos. Ent\u00e3o, eu tenho, aproximadamente, tantos casulos (tosses) (????)<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Aqui fica muito, muito fechado tamb\u00e9m, n\u00e9? Pra quem t\u00e1 resfriado (risos)&#8230; Ent\u00e3o t\u00e1 bom (passos de deslocando de \u00e1rea)<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; (Tosse) Voc\u00ea t\u00e1 aqui nesse hotel pertinho, n\u00e3o \u00e9? (tosse)<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Sim. \u00c9 na&#8230; \u00e9 no , alguma coisa&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Essa rua que vem parar aqui de frente?<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Exato.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; A Tiago Tac\u00e3o. A Rua Tiago Tac\u00e3o \u00e9 a rua&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; S\u00f3 que na outra esquina, bem em frente ao Clube Internacional&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Pois \u00e9. Essa rua vai at\u00e9 a Avenida do (tosse) , que \u00e9 a avenida da&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>R &#8211; Da beira-mar.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; Da beira mar&#8230; (FIM)<\/p>\n\n\n\n<p>(01h 27m 09.192s)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>BRASIL EUG\u00caNIO DA ROCHA BRITO nasceu em Jaboticabal, SP (1930).&nbsp;Formou-se em engenharia civil pela Escola Polit\u00e9cnica, Poli\/USP (1953).&nbsp;&nbsp;Filho de Maria d\u00b4Aparecida Godoy Brito, festejada pianista do cinema mudo em&nbsp; Bebedouro, SP, Rocha Brito com ela estudou piano desde os 5 anos de idade. Depois de aposentado, retomou seus estudos de m\u00fasica na Escola Livre de M\u00fasica da Pr\u00f3 Arte, em S\u00e3o Paulo (1954-1956), disc\u00edpulo de H. J. Koellreutter e participante das aulas coletivas de m\u00fascia eletr\u00f4nica, est\u00e9tica e an\u00e1lise. Com Ant\u00f4nio Nacl\u00e9rio Galv\u00e3o Novaes, primeiranista na Polit\u00e9cnica e tamb\u00e9m aluno de Koellreutter, e L. C. Vinholes, participou da confec\u00e7\u00e3o da apostila mimeografada \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 Ac\u00fastica \u2013 Para os que fazem e apreciam m\u00fasica\u201d (1957). Rocha Brito \u00e9 o criador do &#8220;\u00e1baco das fun\u00e7\u00f5es na harmonia tonal tradicional&#8221; (1956), instrumento destinado a auxiliar aos que desejam entender as estruturas harm\u00f4nicas, capacitando-os a realizar, com profundidade, a an\u00e1lise das obras escritas na linguagem tonal, e do manual \u201cModo de Operar o \u00c1baco\u201d, ambos figurando do livro Harmonia Funcional \u2013 Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Teoria das Fun\u00e7\u00f5es Harm\u00f4nicas, de Koellreutter (Editora Ricordi, de S\u00e3o Paulo, 1980). Foi pioneiro quando a p\u00e1gina Inven\u00e7\u00e3o do jornal Correio Paulistano, nas edi\u00e7\u00f5es de 23 de outubro, 6 e 20 de novembro de 1960, publicou um extenso artigo sobre diferentes aspectos da nascente bossa nova. Em 1963, traduzido para o japon\u00eas pelo music\u00f3logo Toyo Nakamura, seu artigo foi publicado em Tokyo pela revista \u201cAmerican Chanson &amp; Rhythmos\u201d. Este mesmo artigo \u00e9 o primeiro dos quatro artigos do livro de Augusto de Campos \u201cBalan\u00e7o da Bossa \u2013 e outras bossas\u201d (Editora Perpectiva 1968). Brasil Eug\u00eanio da Rocha Brito foi sempre interessado e acompanhou os movimentos da m\u00fasica popular brasileira e do jazz, deste tornando-se dedicado colecionador desde a d\u00e9cada de 1950. (lclv-2017)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"285377\" src=\"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/discoteca\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2026\/05\/IMG_7585-765x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-285377\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\" style=\"margin-right:0;margin-left:0\"><img decoding=\"async\" data-id=\"285378\" src=\"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/discoteca\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2026\/05\/IMG_7584-1024x765.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-285378\"\/><\/figure>\n\n\n\n\n\n\n<\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Brasil Eug\u00eanio da Rocha Brito B &#8211; Eu me formei engenheiro civil em dezembro de 1953 pela Escola Polit\u00e9cnica de S\u00e3o Paulo. Naquele tempo eu morava em S\u00e3o Paulo. Por 23 anos, morei no mesmo bairro. Cheguei l\u00e1 aos 10 anos e sa\u00ed aos 33. 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