{"id":5660,"date":"2022-02-18T15:54:41","date_gmt":"2022-02-18T18:54:41","guid":{"rendered":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/?post_type=tnc_col_4_item&#038;p=5660"},"modified":"2023-04-21T20:49:29","modified_gmt":"2023-04-21T23:49:29","slug":"roda-da-bandolim-de-ouro","status":"publish","type":"tnc_col_4_item","link":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/rodas-e-locais-de-performance\/roda-da-bandolim-de-ouro\/","title":{"rendered":"Roda da Bandolim de Ouro"},"content":{"rendered":"<p>A loja Bandolim de Ouro foi uma das mais tradicionais lojas de instrumentos musicais do Rio de Janeiro. Al\u00e9m de vender instrumentos, fabricados na pr\u00f3pria loja, como por exemplo, os da marca Do Souto, a loja tinha a tradi\u00e7\u00e3o de ceder o seu espa\u00e7o para professores darem aulas de m\u00fasica. O grande violonista Dino 7 Cordas foi um desses professores. <\/p>\n<p>A roda de choro da Bandolim de Ouro teve in\u00edcio em 2004 (R. Marechal Floriano, 52) por iniciativa de Julinho, professor de cavaquinho da loja. Ele estava interessado em encontrar um lugar de refer\u00eancia onde pudesse reunir m\u00fasicos de choro e pessoas interessadas em instrumentos musicais. No primeiro encontro, em uma quarta-feira, no final do expediente, estavam presentes Abel Luiz, Patrick (viol\u00e3o 7 cordas), Julinho (cavaquinho), Z\u00e9 do Cavaco (professor da loja e cavaquinista), Pedro Moita (pandeiro) e ao final, apareceu o bandolinista D\u00e9o Rian. A roda era ac\u00fastica e localizada no andar de cima, onde os professores davam aulas. Posteriormente a roda foi transferida para os s\u00e1bados, de 9h \u00e0s 12h. Uma das principais caracter\u00edsticas da roda era sua total abertura a m\u00fasicos profissionais e amadores indistintamente. Aos s\u00e1bados as rodas passaram a ter alguns instrumentos amplificados (viol\u00e3o de 7 cordas, cavaquinho de centro e instrumentos solistas de cordas).<\/p>\n<p>Havia um grupo fixo, liderado pelo m\u00fasico veterano Vadinho (bandolim), com os seguintes integrantes: Cidinho (viol\u00e3o 7 cordas), Siqueira (cavaquinho), Jo\u00e3o da Sadia (cavaquinho), considerados \u201csustent\u00e1culos\u201d da roda, Julinho (cavaquinho), Fac\u00e3o (pandeiro), Wilson, irm\u00e3o de Jo\u00e3o (pandeiro) e Severino (pandeiro). Havia m\u00fasicos que frequentavam de forma constante, como Ca\u00e7ula (viol\u00e3o e cavaquinho), Paulo Torres (viol\u00e3o 7 cordas), o bandolinista canhoto Olavo do Bandolim, Thereza da Concei\u00e7\u00e3o (viol\u00e3o de 7 cordas), Paulo Mota (bandolim e cavaquinho), Newton Nazareth (bandolim), e outros visitantes, vindos de v\u00e1rios lugares da cidade. Compareciam profissionais como o bandolinista D\u00e9o Rian at\u00e9 alunos da Escola Port\u00e1til de M\u00fasica. Participavam da roda mais de 20 m\u00fasicos, incluindo alguns estrangeiros. A presen\u00e7a de Siqueira sempre foi reverenciada na roda, pois, ao lado do trombonista Z\u00e9 da Velha, \u00e9 remanescente do Conjunto da Velha Guarda, que acompanhava Pixinguinha, Donga e Jo\u00e3o da Baiana.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de cl\u00e1ssicos do repert\u00f3rio do choro, a roda era aberta \u00e0 produ\u00e7\u00e3o autoral dos integrantes (Siqueira, Cidinho, D\u00e9o Rian, Ubyratan de Oliveira, Abel Luiz) al\u00e9m de choros menos conhecidos de autores como Cincinato, Nola, Juventino Maciel, entre outros. Al\u00e9m dos g\u00eaneros choro e choro-sambado, tocava-se frevo, modinhas, serestas, sambas instrumentais, maxixes, schottischs, bai\u00f5es, etc.<\/p>\n<p>Quando Vadinho faleceu, o bandolinista Renato passou a coordenar o grupo fixo da roda de choro. Quando Renato faleceu, o violonista de 7 cordas Cidinho e o cavaquinista Jo\u00e3o da Sadia passaram a assumir a fun\u00e7\u00e3o, j\u00e1 no terceiro endere\u00e7o da loja  (Rua Marechal Floriano, 120).<\/p>\n<p>Quando a loja foi transferida para a Pra\u00e7a da Rep\u00fablica as atividades da roda foram suspensas por um per\u00edodo e voltaram a acontecer por conta de um projeto pedag\u00f3gico mensal (\u00e0s sextas-feiras \u00e0 tarde) do cavaquinista Abel Luiz (Sivuquinha) chamado Caf\u00e9 Sonoro. A ideia era promover encontros entre m\u00fasicos jovens, iniciantes ou n\u00e3o, com m\u00fasicos veteranos, de forma gratuita, construindo um espa\u00e7o solid\u00e1rio de ensino-aprendizagem. Segundo Abel, os instrumentos n\u00e3o eram amplificados, intencionalmente, para que os m\u00fasicos entendessem a intensidade do volume que poderiam tocar para n\u00e3o interferir no som dos outros. As rodas aos s\u00e1bados foram ent\u00e3o retomadas, quinzenalmente.<\/p>\n<p>Quando a loja Bandolim de Ouro saiu da Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, foi transferida para uma casa na Rua Gon\u00e7alves Crespo, 52, na Tijuca, e se tornou o Ateli\u00ea Do Souto. Sua atividade principal \u00e9 a fabrica\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais Do Souto. O Ateli\u00ea \u00e9 coordenado por Daniela, neta do fundador da loja Bandolim de Ouro. As rodas tamb\u00e9m foram suspensas por um per\u00edodo e retomadas a partir da iniciativa de Cidinho 7 Cordas (coordenador) e Abel Luiz (Sivuquinha), no final de 2019 at\u00e9 \u00e0s v\u00e9speras do in\u00edcio da pandemia, em mar\u00e7o de 2020. Embora o nome do estabelecimento tenha mudado, os frequentadores continuam chamando o evento de Roda da Bandolim de Ouro.<\/p>\n<p>Abel considera que a loja Bandolim de Ouro teve uma contribui\u00e7\u00e3o fundamental no campo da luteria, e da constru\u00e7\u00e3o de uma identidade sonora dos instrumentos (principalmente cavaquinhos, viol\u00f5es e bandolins) e da pr\u00f3pria m\u00fasica (choro e samba). Segundo ele, as refer\u00eancias de timbre foram constru\u00eddas a partir do di\u00e1logo que se estabeleceu, de maneira afetiva, entre os m\u00fasicos, artes\u00e3os e luthiers que frequentavam a loja, na busca por uma sonoridade ideal. <\/p>\n<p>A roda teve destaque na imprensa, em mat\u00e9rias do jornal O Globo e da TV Record devido \u00e0 sua tradi\u00e7\u00e3o e pela quantidade de expectadores que atra\u00eda.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","class_list":["post-5660","tnc_col_4_item","type-tnc_col_4_item","status-publish","format-standard","hentry","tnc_tax_606-sudeste-2","tnc_tax_44-rio-de-janeiro"],"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_4_item\/5660","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_4_item"}],"about":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/tnc_col_4_item"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5660"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_4_item\/5660\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37733,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_4_item\/5660\/revisions\/37733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}