{"id":5611,"date":"2022-02-18T15:53:41","date_gmt":"2022-02-18T18:53:41","guid":{"rendered":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/?post_type=tnc_col_4_item&#038;p=5611"},"modified":"2023-04-21T19:51:16","modified_gmt":"2023-04-21T22:51:16","slug":"sovaco-de-cobra","status":"publish","type":"tnc_col_4_item","link":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/rodas-e-locais-de-performance\/sovaco-de-cobra\/","title":{"rendered":"Sovaco de cobra"},"content":{"rendered":"<p>O Sovaco de Cobra foi um reduto de chor\u00f5es criado no sub\u00farbio da Leopoldina, no bairro da Penha Circular, nos anos 1960. O ponto de encontro inicial foi no bar Santa Terezinha, na Rua Francisco \u00canes, 124, de propriedade de Manoel Ferreira da Silva, conhecido como Manoel Portugu\u00eas ou Z\u00e9 da Garfanha. Segundo Mauricio Carrilho, a tradi\u00e7\u00e3o de tocar no bar veio do encontro entre amigos que gostavam de tocar choro e pescar. Entre eles estavam o bandolinista Joel Nascimento e o seu irm\u00e3o, o violonista de 7 cordas, Joir Nascimento, o bandolinista Motinha e o seresteiro e pandeirista  Z\u00e9 Bode (Jos\u00e9 Gomes). Reuniam-se no bar no s\u00e1bado, no final da tarde, e ficavam tocando para fazer uma hora para pescaria, que era s\u00e1bado \u00e0 noite. Depois que voltavam de manh\u00e3 com os peixes, o bar j\u00e1 tinha aberto novamente. Iam para l\u00e1 tomar cerveja ou fritar o peixe que tinham pescado e continuavam a tocar na roda de choro, que acontecia todo domingo de manh\u00e3 e se estendia at\u00e9 a tarde. Em 1969 o bar ganhou o nome de Sovaco de Cobra, batizado por Z\u00e9 Bode, alegando que o bar com nome de santa n\u00e3o combinava com a farra que faziam. Entre 1969 e 1975 o Sovaco de Cobra passou a ser frequentado tamb\u00e9m pelo Grupo Chap\u00e9u de Palha (tendo a dupla Z\u00e9 da Velha e Rubinho do Pistom como integrantes), por Abel Ferreira, Dino 7 Cordas, Meira e Canhoto, Lino (irm\u00e3o mais velho de Dino 7 cordas), Jorginho do Pandeiro, \u00cdndio do Cavaquinho, entre outros. <\/p>\n<p>A profissionaliza\u00e7\u00e3o de Joel Nascimento, a partir de 1974, fez com que o bar fosse ganhando proje\u00e7\u00e3o nacional a partir de mat\u00e9rias na imprensa carioca. Uma delas: O choro vem da Penha \u2013 \u00e9 choro de botequim, de Juarez Barroso (22\/12\/1975) descreve uma roda de choro no domingo, quando a fam\u00edlia Silva (fam\u00edlia de Dino 7 Cordas) apareceu de surpresa e noticia a participa\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos frequentadores do bar (Joel do Bandolim, seu irm\u00e3o Joir, Z\u00e9 da Velha e Rubinho), ao lado do \u00c9poca de Ouro e do regional do flautista Eug\u00eanio Martins, no show daquela noite, promovido pelo Clube do Choro do Rio de Janeiro que homenagearia os 40 anos de Dino 7 Cordas no Teatro Casa Grande. <\/p>\n<p>Mauricio Carrilho passou a frequentar o bar entre 1976 e 1977, quando o ponto j\u00e1 havia mudado para o Armaz\u00e9m do Ferreira, um espa\u00e7o um pouco maior que o bar original, que ficava em frente \u00e0 casa de Joir Nascimento e a 200 metros da casa de Joel Nascimento. Conta que procurava chegar bem cedo (\u00e0s vezes tendo passado a madrugada acordado em outra roda de choro no s\u00e1bado \u00e0 noite), porque era o hor\u00e1rio onde se encontravam os m\u00fasicos que tocavam bem e n\u00e3o tinha barulho. Segundo ele, era comum que a roda se estendesse nas casas das pessoas, quando o bar ficava muito cheio. Betinho, era uma dessas pessoas, que abria a sua casa, que veio a ser um terceiro ponto do Sovaco, na Penha, conhecido como a Roda da Jaqueira. Mauricio conta que ele era dono de uma f\u00e1brica de m\u00f3veis na Penha, n\u00e3o tocava nada, mas adorava choro e gostava de receber as pessoas. Fabricava brindes do bar como uma miniatura de tamanco que era um abridor de garrafa. Sergio Prata lembra que Betinho tamb\u00e9m era o presidente do Bloco das Piranhas da Penha Circular, cujos integrantes sa\u00edam no carnaval vestidos de mulher, per\u00edodo no qual as rodas de choro no Sovaco eram suspensas.<\/p>\n<p>Nas rodas do Sovaco de Cobra conviviam m\u00fasicos de choro de diversas proced\u00eancias e gera\u00e7\u00f5es. Havia o flautista Berr\u00eado (Durval de Berr\u00eado Guimar\u00e3es), septuagen\u00e1rio, criado em uma fam\u00edlia de m\u00fasicos em Caxias do Maranh\u00e3o, figura lend\u00e1ria que chegou a participar, quando jovem, dos saraus na casa de Alfredo da Rocha Vianna, pai de Pixinguinha. Berr\u00eado conheceu e tocou com Candinho Silva, Luperce Miranda e Jacob do Bandolim, era guardi\u00e3o de cadernos de partituras de chor\u00f5es antigos e fundador do Retiro da Velha Guarda, reduto de chor\u00f5es em Jacarepagu\u00e1. Era famosa, entre os frequentadores do bar, a sua performance da polca Coralina,  Albertino Pimentel (1874-1929), gravada mais tarde por Joel Nascimento. Outros nomes frequentadores do Sovaco de Cobra foram o Sr. Orlando, clarinetista de 70 e poucos anos; Waldemar do cavaquinho, que tocava com Pixinguinha; o flautista \u00c1lvaro Carrilho (irm\u00e3o de Altamiro Carrilho e pai de Mauricio), o violonista Ca\u00e7ula, jovens como Raphael Rabello, Luciana Rabello, Mauricio Carrilho, Tony 7 cordas, Sergio Prata e Paulinho do Bandolim (Paulo Alves), Rodrigo Campello, Beth Ernest Dias, Paulo Mota, o regional do bandolinista Walter Moura, entre outros. Sobre as figuras inusitadas que apareciam por l\u00e1, Mauricio conta: \u2013 Uma vez foi um clarinetista que tocava muito. Era caminhoneiro e por acaso estava no Rio e tocou na roda. Tinha trinta e poucos anos. [&#8230;] Aparecia m\u00fasico tocando Serra da boa esperan\u00e7a no serrote, para fazer trocadilho.<\/p>\n<p>A partir de 1977 o bar come\u00e7ou a se descaracterizar sob a coordena\u00e7\u00e3o do ex-policial De Paula. Uma das mudan\u00e7as foi o pagamento de um grupo fixo para tocar nas rodas de domingo. N\u00e3o mais havia a espontaneidade dos m\u00fasicos chegarem e tocarem. O Sovaco de Cobra passou a funcionar como bo\u00eete aos s\u00e1bados, \u00e0 noite, para a revolta dos mais ass\u00edduos frequentadores. A partir desse momento Joir e Betinho lideraram um movimento de ruptura com o bar, criando a Roda da Jaqueira, com uma feijoada aos domingos, onde os m\u00fasicos passaram a frequentar, mas n\u00e3o durou muito tempo, segundo S\u00e9rgio Prata. <\/p>\n<p>De Paula registrou o nome Sovaco de Cobra e passou a abrir filiais pela cidade. O fato foi denunciado pelas jornalistas  Diana Arag\u00e3o e Lena Frias: \u201cComo tudo que \u00e9 bom atrai os imitadores e toda arte incita ao pastiche, o Sovaco de Cobra, respeit\u00e1vel n\u00facleo de choro do bairro da Penha (rua Francisco Ennes) n\u00e3o escapou \u00e0 lament\u00e1vel e grosseira imita\u00e7\u00e3o: gente inescrupulosa, sem respeito pela arte, artista ou p\u00fablico, passou a usar o nome do Sovaco de Cobra, \u00e0 revelia dos aut\u00eanticos chor\u00f5es da Francisco Ennes, para fins comerciais, beneficiando-se da penetra\u00e7\u00e3o do verdadeiro Sovaco junto ao p\u00fablico e falsificando as inten\u00e7\u00f5es do grupo de Joel do Bandolim, gente vinda de fora, sem qualquer v\u00ednculo com o bairro ou com a m\u00fasica, apossou-se  do outrora simp\u00e1tico armaz\u00e9m na esquina da Rua Ennes Filho com a Travessa Ars\u00eanio Silva, instituindo ali um local para explora\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Nesse falso reduto do choro, comandado pelo ex-policial De Paula, a cerveja custa mais que o pre\u00e7o normal, os salgadinhos (batizados com nomes de ocasi\u00e3o, empadas do Sovaco, sopa do Sovaco e outras denomina\u00e7\u00f5es duvidosas) s\u00e3o car\u00edssimas e ningu\u00e9m est\u00e1 interessado em m\u00fasica\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Mauricio Carrilho as rodas de choro no Sovaco de Cobra foram uma verdadeira escola de choro para ele e todos os m\u00fasicos de choro de sua gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","class_list":["post-5611","tnc_col_4_item","type-tnc_col_4_item","status-publish","format-standard","hentry","tnc_tax_606-sudeste-2","tnc_tax_44-rio-de-janeiro"],"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_4_item\/5611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_4_item"}],"about":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/tnc_col_4_item"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5611"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_4_item\/5611\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37632,"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_4_item\/5611\/revisions\/37632"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acervosvirtuais.ufpel.edu.br\/choropatrimonio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}